Luiz Geraldo Mazza
Não será de espantar que se houver a greve da PM, já antecipada no movimento das mulheres dos milicianos, tenhamos que nos acostumar com cenas parecidas com as da Bahia: policiais dando tiros para o ar e com o rosto encoberto como se estivessem reproduzindo as rebeliões das penitenciárias. Com a frouxidão do governo que temos, esse risco aumenta.
Assim, as armas do povo, pois afinal são patrimônio de todos e para o fim de defender a sociedade e não constrangê-la, acabam servindo ao motim, embora a pretexto de uma boa causa que estaria no reajuste dos soldos. Em Salvador, o quadro de anomia alcançou a sublimidade com centenas de mortes, arrombamentos e assaltos e até agora ninguém pensou na hipótese de cobrar dos amotinados toda a carga de excessos praticados, o que é juridicamente possível, como também exigir do Estado a prestação de serviços que ele sonegou.
Em primeiro lugar, convenhamos, o alegado direito de greve de servidores públicos e especialmente de militares, o que desde logo é uma contradição em termos, inexiste. A Constituição Federal o admitiu, mas não se trata nem de cláusula pétrea e muito menos de matéria auto-aplicável, o que a torna dependente de legislação complementar, até hoje inexistente.
Como vivemos num quadro de fermentação social à margem das instituições, busca-se na carência de lei e no domínio da informalidade reproduzir regras do universo formal. Assim é que se deve entender a exigência para que ao menos 30% do contingente da corporação prestasse serviços na Bahia. No caso, há uma aplicação do princípio da analogia para algo fora da lei.
Se a ação das esposas dos PMs for legitimada, estará implantado o caos. Até agora o governo paranaense e deu para percebê-lo, anteontem, com policiamento ostensivo, ainda que feito em alguns casos por alunos da Academia manteve-se na adoção de paliativos para dar a impressão de segurança que no caso foi um avanço em relação aquela tolice dos totens e que visava aparências de traço meramente psicológico. Não há Estado de Direito Democrático sem que exista equilíbrio entre os princípios conflitantes da liberdade e da autoridade. Se esse prevalecer sobre aquele teremos despotismo e se aquele dominar prevalecerá a tirania. A história já o comprovou várias vezes.
BIZARRICE
Na segunda, o governador abre a Feira Sabores do Paraná no Parque Barigui. Será tudo regado à água do Iraí e odor do Barigui
AXIOMA Os que tentarem surfar eleitoralmente na greve da PM já sabem de antemão que serão derrotados, como das vezes anteriores, até por excesso de candidatos. E muitos deles por não contarem com o voto da esposa.
GLOSA A defesa do Banestado, em que pese a precariedade da tese, já que são inconcebíveis os bancos estaduais em termos de racionalidade, foi exercida com muito maior empenho do que a da Copel. A estatal está em clinch, nas cordas e só a oposição não enxerga. A instância é o Judiciário e a tese a da inconstitucionalidade do projeto da Assembléia Legislativa e que deveria ser de iniciativa do Executivo. A teoria de que a sanção do governador remedia o vício de origem não é acatada pela jurisprudência nacional. O vício é insanável como a burrice da oposição.
EPIGRAMA Um dia é da caça, outro do caçador: o PSDB, para garantir Alvaro Dias, fechou as portas do Lerner e agora vai se dar o contrário.
SPRAY A idéia de transformar o presidente da Itaipu, Euclides Scalco, em candidato a governador, tem tudo de brincadeira: seus apagões eleitorais foram maiores que a crise de energia. - Ele não tem punch eleitoral, ainda que seja razoável doutrinador e com menos articulação do que um Affonso Camargo, por exemplo. - É acomodado, tanto que a cada convocação de FHC para funções mais complexas acaba tirando o time. E não foram poucas as cogitações para Casa Civil e coordenação política. - Único fato claro de colocarem o seu nome é que parece um indicativo de que o grupo alvarista do PSDB está com os dias contados, apesar da euforia do Hauly. - O presidente atual do PSDB regional já tentou, quando da gestão de Alvaro Dias no exercício da Secretaria da Fazenda, ser candidato a governador, valendo-se, entre outros, da dupla Edson Feltrin e Lineu Tomas, operadores de zonais do PMDB. Não emplacou, obviamente. - Com a indicação do delegado Bradock para secretário de Segurança de Rio Branco do Sul, o polêmico prefeito, Bento Chimelli, mostrou que sabe jogar politicamente e na linha das aspirações populares. - Um ponto de vista sobre essa história da licitação no transporte de Curitiba: essa atividade é ou monopolística ou oligopolística. Ela assim se definiu para regular a disputa irresponsável dos passageiros por autolotações e que o prefeito Ney Braga acabou, graças ao estabelecimento do monopólio por área seletiva. Os lotações não tinham obrigação de frequência e horário. Essa delimitação de mercado permitiu que as empresas se organizassem e chegássemos ao melhor sistema do País.
FOLCLORE No Brasil muitos se queixam que a Globo condiciona o futebol ao horário da novela. Em Portugal, diz-se, logo depois da Revolução dos Cravos, as sessões da Constituinte só começavam depois da novela. Da Globo também.
CROMO Reynaldo Jardim na mesa oval do Correio de Notícias cercado de jornalistas e estagiárias bonitas. Miosótis pareciam brotar de sua calva.
AFORÍSTICO Quem será traído no PSDB: Alvaro ou FHC? Rima e é verdade.
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