Luiz Geraldo Mazza
O jogo sinuoso dos governos em relação às invasões de terras, quando evitam cumprir ordens judiciais, só é desmascarado quando o aparato judiciário age com firmeza e estabelece a intervenção federal. Aí não há mais espaço para fazer o gênero politicamente correto temendo, é claro, que os vídeos nas mãos do MST, da CUT, da Pastoral da Terra, de outros partidos políticos captem imagens de despejos, o que daria um resultado igual aquele que Álvaro Dias sofreu pela repressão à greve dos professores.
Isso aconteceu no governo Requião com relação à fazenda Can-Can. O STJ, ao decretar a intervenção federal no Paraná, obrigou a PM a desocupar a área. Pois bem: o proprietário, além da morte de um funcionário no processo de ocupação, sofreu prejuízos de monta com a queima de um reflorestamento, abate de gado, depredação das instalações e hoje aciona o governo, e vai ganhar a questão certamente, por perdas e danos.
O governo que age de forma temerária deveria ter a responsabilização do agente que causou o prejuízo. E é mais ou menos o sentido da cautela que a juíza de Loanda estaria a tomar ao alertar que, passado o prazo concedido ao governo para atender os despejos judiciais, além da providência relativa ao pedido de intervenção federal, providenciará o bloqueio das contas não apenas do governador Jaime Lerner, mas ainda do seu secretário de Segurança, do comandante da PM e do Comando do Policiamento do Interior.
É justo que o governo se mostre cauteloso e não queira empregar a PM, a três por dois, e procure o diálogo ao esgotamento. Para tudo, porém, há limites e a forma generalizada com que esse processo se dá no noroeste, a despeito até das cenas da Fazenda Borborema com agressão de vigilantes e a morte de um deles, assassinado de forma covarde, está a exigir um freio. De outro lado ficou provado que o MST não se auto-controla, razão pela qual não pode ser levado a sério quando supostamente se compromete a uma trégua como ocorreu nesta semana nas conversações no Palácio Iguaçu.
Uma prova de que o MST não tem unidade de procedimentos está na crítica de José Rainha ao abate de gado por invasores de uma fazenda em Mato Grosso do Sul, curiosamente ocorrido poucos dias depois da manifestação dos proprietários em Campo Grande como uma resposta imediata àquela marcha. O cerco à Fazenda Mitacoré é prova visível de que o armistício não é para valer e o governo não pode continuar, em nome da paz social e das suas conveniências políticas, negar de forma sistemática o cumprimento de medidas judiciais sob o argumento genérico de que se trata de problema social. Tudo é social, mas na hora em que nós somos assaltados na rua não iremos, diante do pivete, de arma na mão, seguir a máxima de Rondon sobre os índios - a de que devemos morrer sempre, reagir e matar nunca.
Tolera-se e compreende-se a invasão, como instrumento de pressão, nos casos claros de propriedades improdutivas e assim declaradas com apoio em laudos técnicos. Quando isso não ocorrer só os demagogos e os primatas, aqueles do quanto pior, melhor, servirão de lastro de apoio.
BIZARRICE Com a chegada da Casa Blanca Forest na Lapa já não se poderá dizer que naquela cidade quem encosta a cabeça no chão ouve a grama crescer.
SPRAY Ontem, 12h20, Onaireves Moura saiu do bingo Las Vegas, Praça Rui Barbosa, e pegou um táxi.- O bingo está em nome do clube Pinhais que, como nos demais existentes por aí, não cumpre aquele princípio sobre esportes olímpicos.- Na Serlopar há um liberou geral relativamente ao assunto, a despeito dos alertamentos.- Aníbal Khury declarou há paz no reino de Abrãao ao encerrar um encontro em seu gabinete entre a vice e o governador quando Lerner ofereceu a vice e o senado para Emília. Ante a ausência de um estadista no governo as soluções têm que ser assim: pequenas, medíocres.- Mas Cássio Taniguchi participou do encontro o que dá a entender que volta a ser coordenador político do governo.- Três psiquiatras Saint Clair Bahs, Lilian Andermam e Priscila Peagle foram condenados pelo juiz Gilberto Rezende por crime culposo pela morte do jovem Ugo Paolo Tempesta.- Ordem interna no governo é contestar números negativos sobre desemprego e inchaço populacional. Há gente escalada até no Ipardes, que divulgou os dados, para um plantão. É a transformação que o governo faz da realidade pela censura e a manipulação.- Entre os interessados na criação do parque do Anhangava estão alguns que tem casas no local.- Zuk e Cesar Silvestri, que votam sempre com o governo, vão estar hoje em contacto com Requião em Guarapuava. Salve-se quem puder.- Ano passado o TJ inscreveu 3 mil candidatos que pagaram taxa de R$ 20 reais para um concurso de assessor jurídico. Agora o Órgão Especial quer a extinção das vagas e criação de cargos em comissão para abrigar os escolhidos às 32 vagas.-
FOLCLORE Caíto Quintana foi fotografado na reunião entre Lerner e Emília provocada por Aníbal Khury a quem todos pedem a benção. Constrangido porque saiu numa foto, tentou explicar que nada tinha a ver com o peixe. E quando disse que estava até se preparando para ir a Guarapuava, veio a observação maliciosa para receber quem: o Lerner ou o Requião?
CROMO O que há mais: constelações no céu ou logomarcas na terra? A propaganda se acredita mais criativa em gerar identidades.
AFORÍSTICO Quem diz sim a tudo em política acaba com um não do povo.





