Luiz Geraldo Mazza
Está aí: Jaime Lerner, em carne e osso, voltou ao batente. Já abriu o escritório para dar informações sobre a leiloada Copel e encontrou as esposas dos policiais militares novamente cercando quartéis sob a alegação de que o governo não cumpriu as promessas feitas aos reivindicantes. Na verdade, não houve a promessa porque os porta-vozes do Palácio Iguaçu sabem que o Paraná está quebrado e que o engessamento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) o impede de aumentar despesas de custeio.
Aliás, uma das evasivas do governo diante das demandas salariais é a de acenar com a hipótese de melhoras assim que a Copel for leiloada. Já disseram isso aos professores, aos PMs, enfim usando a privatização como moeda de troca. Mas o momento não é para brincadeira: as ocorrências da Bahia e de Pernambuco, da mesma forma que a nossa experiência, recomendam seriedade para que aqui não se instale o caos.
De uma administração que permitiu o circo dos sem-terra armado no Centro Cívico por meio ano, pode-se esperar todas as tolerâncias, ainda mais quando o grupo que pressiona é determinado, aguerrido e sabe o que está fazendo ao ponto de já haver, como antes, estabelecido o caos na hierarquia militar e numa escala que a sisudez dos IPMs e ameaças de punição parecem frágeis como instrumento dissuasório.
É um confronto desigual: de um lado as esposas dos militares com toda a razão, já que a gratificação funcional apenas alcança a minoria que a obteve na Justiça; e de outro, um governo perplexo e dominado pelo tédio (haja viagens ao exterior para afastá-lo) e inteiramente sem recursos para atender qualquer mínima demanda. Tanto que até o terço das férias só é pago às categorias que recebem baixa remuneração.
Como Roberto Carlos, Lerner poderia entoar: Eu voltei, voltei para ficar// porque aqui, aqui é meu lugar. Isso até a próxima viagem, quem sabe se para ganhar um prêmio internacional de modulação de cadeias de aço como a do contêiner da delegacia de Fazenda Rio Grande.
PÁRA-CHOQUE
Carcinha (sic) não é a melhor coisa do mundo, mas tá perto. Sutileza em pára-choque de caminhão é coisa tão rara quanto a honestidade nos políticos de um modo geral
BIZARRICE Criatividade mesmo é dar uma resposta adequada à pressão das esposas dos policiais militares. Essa não pode ser feita em pranchas e na computação gráfica, caminhos normalmente usados. É preciso novos caminhos
AXIOMA O vereador João Claudio Derosso, presidente da Câmara de Curitiba, tem sido representado em atos públicos pela esposa. É pelo menos o que dizem críticos da oposição. Mas se isso acontece há quebra de protocolo.
GLOSA Muito antes do acidente da Petrobras a Bacia do Iguaçu estava podre e tanto governo como comunidades tentam fugir à responsabilidade. Como ensina Rafael Greca de Macedo, rio não caga, ainda que pareça que o faz.
EPIGRAMA Tamanho não é documento e isso vale para cachorro. A lei municipal da focinheira (discutível como proteção e passível de asfixiar e matar um cão) fixou o peso do animal como se isso expressasse risco. Um São Bernardo, apesar de gigante, é dócil, e há dálmatas de menos de 20 quilos ferocíssimos. Na maioria dos casos de cães ferozes, o dono é o mais perigoso.
SPRAY Em uma semana volta ao Brasil o presidente nacional do PSDB, José Anibal, e aí terá fim a especulação imaginada pelos alvaristas de que o partido faria laranjices regionais. - A estratégia nacional está definida na consolidação do acordo com o PFL e a espera do PMDB que, como das vezes anteriores, ameaça romper. - O presidente FHC tomou a iniciativa das ações e não sai da mídia nacional, dando recados fortes a aliados e à oposição. - O PSDB perde dois senadores, no caso paranaense, e provavelmente um governador, o do Espírito Santo. E alguns provincianos da terra, achando que a questão local é que subordina a nacional, e não o contrário, ainda acreditam que é possível um ato de malandragem de parque. - Todos os arranjos de convenções municipais serão inúteis se afetarem o projeto maior do presidente da República. - Para completar a fase difícil do alvarismo, o chefão do PSB, o Garotinho, que o deseja como candidato no Paraná para alavancar seu cacife, está agora às voltas com denúncias na Receita Federal. Só falta agora o apoio de Maluf e de dirigentes locais como o Janene. - Outra dificuldade da oposição está justamente no PT, que não deseja perder a oportunidade de capitalizar os feitos da eleição municipal, recusando-se a alianças (o que é um desastre para Lula), embora seus prefeitos, pelo menos no momento, não gozem de boa saúde no Ibope, tal qual se dá com Marta Suplicy em São Paulo.
FOLCLORE Lerner fez parte de sua campanha, a primeira, a governador explorando a hostilidade de Alvaro Dias aos professores. Seu temor é o de repressões que o atinjam. Dá para imaginar o que pensa do movimento das esposas dos PMs.
CROMO Nem no futebol vivemos sem fetiches: a comparação da camisa azul do escrete com o manto de Nossa Senhora Aparecida é heresia bem nossa.
AFORÍSTICO Águas passadas não movem moinhos, mas promessas não cumpridas podem ser um ciclone. É o caso das mulheres dos policiais militares.
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