Luiz Geraldo Mazza
Já vínhamos alertando, há mais de um mês, para o aumento próximo dos coletivos que se deu a partir de hoje. A passagem agora é de R$ 1,25 contra R$ 1,40 de São Paulo, que não conta com a malha de integrações daqui. O problema não fica apenas aí: esse incremento atinge, em cascata, o que se dá de um modo geral com as tarifas públicas (some-se a da energia, dos telefones) como se deu em São Paulo com efeito devastador no custo de vida de 5%.
O sistema de Curitiba é bom, o melhor do País. Há 700 mil passageiros-dia em integrações com deslocamentos de até 60 quilômetros com pagamento de uma só tarifa. Se técnica e socialmente é relevante e serve de exemplo, não remove o problema político: o inconformismo do usuário que não vai gostar nada desse aumento porque o seu impacto nos orçamentos domésticos é pesadíssimo.
Como o prefeito Cassio Taniguchi, potencialmente o único integrante do PFL em condições de competir na sucessão estadual, já vem apresentando quedas em sua taxa de credibilidade (a última se aproximou dos 15%, o que o colocou em quarto lugar no ranking nacional), há de compreender-se que esse reajuste terá efeitos multiplicadores para a massa de um modo geral e que nem as mais criativas jogadas de marketing suavizarão. Esse é um ônus incontornável.
Se as condições psicossociais de agora fossem as de um provável futuro de depressão (alta do dólar, juros delinquentes, desemprego, redução sensível da atividade econômica), que pode se dar dentro de um ou dois meses se a atual sinistrose persistir, teríamos o risco de reações irracionais da massa, bem maiores do que as de uma saída de Atletiba. Imaginem agora uma PMB minada pelo desânimo para coibir a hipótese de uma baderna.
Cansei de ver Curitiba enlouquecer por causa de altas no transporte e isso desde os tempos do bonde. Aliás a Companhia Força e Luz, multinacional, acabou entregando o acervo todo (linhas, composições, estações intermediárias) pela importância simbólica de 1 cruzeiro. Estudantes que iam para as aulas lá no Juvevê (Química, Agronomia, Veterinária) eram os inconformados e acabavam virando bondes na linha como se estivessem fazendo ginástica.
São R$ 0,15 a mais na passagem e isso ativará a oposição para rediscutir a planilha de custos, insistindo na recriação de conselho de usuários e dos empresários e técnicos, enfim um filme que lembra café requentado. Para aqueles que não têm aumento salarial, há muito, vai ser uma barra. Quinze centavos podem significar mais 5% na carestia e mais uns 5% de queda no Ibope do nosso prefeito.
CARNEIRO Anteontem, na Rádio CBN-Curitiba, um expert de Campo Mourão explicava a receita do carneiro no buraco. Muita gente ficou com água na boca só de ouvir o detalhamento. O dublê de mestre-cuca e escritor Luis Alfredo Malucelli diz que tanto esse prato como o famoso barreado do Litoral podem ser feitos, com a maior eficiência, qualidade e rapidez, na panela de pressão.
Para alguns o ritual é o essencial. Há um prato no Litoral que tem um nome grosseiro A tainha filha da... (é isso mesmo que você está pensando e que a torcida diz para o juiz no futebol). O peixe é embalado numa folha de bananeira, enterrado num buraco e, em seguida, na parte superior se coloca a brasa em quantidade suficiente para transmitir calor, o que é facilitado pelas pedras sobrepostas ao alimento.
Em Campo Mourão, hoje os visitantes da 11ª Festa do Carneiro no Buraco vão receber mudas de begônia cucullata, flor nativa da região.
CAOS Critérios urbanísticos de Curitiba estão sendo discutidos: no chamado Setor Histórico, as maiores facilidades são dadas a discoteques, bistrôs, pontos de álcool e droga, mas se cria a máxima dificuldade para a sediação de uma escola na esquina da Muricy com Augusto Stelfeld sob a alegação de que é incompatível com a circulação. Quando querem, porém, permitem que em ruas de tráfego denso como a Treze de Maio haja muitas escolas e uma delas bem próxima de uma passagem subterrânea.
Um desses proprietários que encontram negativas do IPPUC está disposto a ceder o prédio histórico para o PT só para atormentar as autoridades.
E AGORA? O procurador de Justiça Saint Clair Honorato Santos, o homem do Meio Ambiente, quer agora que se avalie o impacto ambiental representado pela colocação de espécie exótica, a carpa-capim, na Barragem do Iraí, lançada ali com a finalidade hipotética (não há certeza de que isso ocorra) de alimentar-se com a temida alga azul que botou gosto e cheiro na água. Como se vê, essas coisas nós sabemos como começam, nunca, em hipótese alguma, como terminam. Amanhã pinta outro agente no cenário para mostrar que a carpa em lugar de comer a alga estaria dizimando libélulas que caminham para a extinção. E apareceriam biólogos para acentuar a gravidade do caso.
Por falar em espécies exóticas, não esquecer que a tilápia, rigorosamente o é, porque originária da África. A maior parte delas do Nilo. Aliás, quando da construção da Hidrelétrica de Assuã pelos russos houve o crescimento no Nilo dos caramujos (biomphalaria glabrata) que servem de hospedeiro da cercária que produz a esquistossomose. Confiaram que a tarefa de combate ao molusco ficaria a cargo dos peixes. Aqui, no Brasil, entre os temores que cercaram a construção de Itaipu, esse, o da proliferação do vetor da esquistossomose, era um. O outro era da hipótese de abalos sísmicos.
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