Com o rumo tomado pelo governo federal, decidido em reunião da qual participou o presidente da República, busca-se a solidez da aliança PSDB-PFL para o pleito sucessório do ano que vem. Esgotam-se, portanto, as esperanças daqueles alvaristas que pretendiam manter o condomínio tucano regional na esperança de, através de um jogo de dissimulações, deixar a base partidária para mais um vôo do senador, quase tão fácil, imaginam, como o derradeiro em que se elegeu como um quase biônico pela ausência de adversários, graças ao acordo branco.
Falou-se que haveria uma reunião esta semana para tratar do assunto. O recado foi dado, há tempos, pelo presidente do PSDB, Jose Anibal, ao presidente regional, Luiz Carlos Hauly: em três semanas era preciso tirar os alvaristas da agremiação. Já passaram duas e, na próxima, virá a cobrança da depuração. Em partido nacional é difícil impor dissidências regionais. Há, no entanto, a possibilidade de os ‘‘rebelados’’ (essa imagem pega postiça em Alvaro Dias é normal em Requião) armarem uma resistência brancaleone e transferirem constrangimentos para a direção nacional que mantém o direito ‘‘imperial’’ da intervenção na hipótese de um ‘‘rolo’’ maior do que a medida imaginada.
Enfim é preciso mudar de partido a curto ou a médio prazo e a legenda que está disponível, aparentemente, é a do Partido Socialista Brasileiro (PSB), não mais aquele de João Mangabeira (aqui no Paraná dos militares Amoreti Osório e do general Agostinho Pereira), romântico e perseguidor de uma utopia, a da busca da igualdade na liberdade, mas o colocado sob o comando de Miguel Arraes. Como estamos em tempo da predominância da forma sobre o conteúdo, até que se ajusta no perfil de Alvaro Dias, ainda mais que seria importante alavancador do postulante presidencial, Garotinho. Um garotão e um garotinho, a dobradinha.
BIZARRICE
Um partido socialista cheio de gente, ainda mais no Paraná, é porque um dos dois (ou o partido ou a militância) está enganando
AXIOMA Boa parte do governo está viajando. Aos dissidentes, como Algaci Túlio, resta o consolo de ir a Matinhos. No itinerário ele terá como lembrar de Lerner na hora de passar pela catraca do pedágio.
GLOSA Imaginaram o Alvaro Dias recuando da assinatura na CPI e saindo em aliança com alguém do Lerner na vice (Rafael Greca ou Alceni Guerra)? Que virada haveria, outra vez, no quadro regional. Em política inexiste o que se olha como impossível. Afinal, o povo não tem vez mesmo na política nacional e pouco importa o que possa pensar sobre oscilações partidárias, das quais está tão distante quanto das galáxias.
EPIGRAMA Requião declarou que se voltar ao governo reestatiza a Copel e põe fim ao pedágio. Dá para imaginar o Lula Light dizendo que tornaria estatal a Vale do Rio Doce.
SPRAY Meios de comunicação social do Paraná estão sob turbulência: além da quase desestruturação do setor de jornalismo (ontem foram demitidos cinco, entre pauteiro, editores da TV Iguaçu), o ‘‘Jornal do Estado’’ fica sob a direção do ex-secretário de Segurança Cândido Martins de Oliveira. - O autor da fase de renovação do jornal, Aroldo Murá Haygert, foi despedido, embora estivesse sob tratamento médico em função de um acidente. - O Grupo Paulo Pimentel está reestruturando o complexo jornalístico-televisivo. Na área da TV, uma das diretrizes será a da ‘‘terceirização’’ e um dos contratados será o dublê de deputado estadual e repórter policial Ricardo Chab. - Enquanto nosso mercado sofre esses problemas, em Porto Alegre a Rede (TV e rádio) Pampa lançou, com o maior sucesso, o ‘‘Sul’’, quarto jornal da Região Metropolitana. O mercado lá está melhor modulado do que o daqui, pois tem menos da metade do número de jornais aqui existentes. - Recebi nesta Folha um e-mail do Canadá, do curitibano André Lopes, que faz mestrado naquele país, que leu comentários meus sobre a mercantilização do ensino e fez uma comparação curiosa: ‘‘Temos aqui 30 milhões de habitantes e 16 faculdades de Direito em todo o país; e Curitiba, com menos de 2 milhões de habitantes conta com oito faculdades de Direito. Não seria para pensar que somos superdesenvolvidos e o Canadá uma África? - O deputado Gustavo Fruet é sob o ponto de vista da formação intelectual o melhor parlamentar da nossa bancada. Análises de forte fundamentação filosófica e de ciência política embasam seus pronunciamentos, merecedores de edição em livro. Uma de suas derradeiras missões é a de relator da subcomissão de violência urbana. Vejam os conceitos: ‘‘A degradação do espaço urbano tem contribuído para pressionar os índices de violência. O assentamento desordenado das populações em áreas carentes de equipamentos públicos, como por exemplo áreas de lazer, são fatores que geram tensão no meio da comunidade. E onde os serviços públicos não conseguem chegar, como a polícia, a escola e a saúde, abre-se caminho para o crime organizado e o tráfico de drogas.’’
FOLCLORE O historiador e arqueólogo Oldemar Blasi, habituado a descobertas em escavações, está espantado com os feitos da chamada civilização pós-moderna em Curitiba: na esquina das ruas Visconde do Rio Branco e Saldanha Marinho há nada menos de quatro orelhões ao lado de postes e armários da telefonia.
CROMO A flor na lapela da mulher elegante era natural, mas o resto não: da maquiage às roupas, tudo postiço. Na flor, uma gota de orvalho.
AFORÍSTICO Cá, entre nós, às vezes se sente falta do Lerner, mesmo que seja para criticá-lo. Ele saiu e a maioria dos auxiliares o acompanhou. Vão ser solidários na Casa do Chapéu (não o Pensador).
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

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