Somados os votos da oposição no Datafolha, da última pesquisa, haveria um massacre na sucessão de FHC: 75 a 8. Mas a oposição tem três candidatos em forte exposição na mídia e o governo nenhum, acrescentando-se que isso se dá em momento de queda dos governos de um modo geral, tanto que Olívio Dutra (PT), é o último de uma lista de dez e que Marta Suplicy (PT), prefeita de São Paulo, é a nona colocada com 4,2 pontos.
Assim, pois, é indispensável levar em conta o fator exposição na TV especialmente, uma vez que, no Paraná, Requião e Alvaro tomam conta desses espaços nos programas de caráter eleitoral, isso sem falar que Alvaro, até outro dia do PSDB, ainda levou as vantagens de aparecer como vítima do moralismo com a prensa para que deixasse o partido. E, além disso, beneficiando-se dos eflúvios da CPI retórica do futebol e que como a outra, mais séria, da Câmara Federal, vai dar em nada, pois já se capta no ar o odor de orégano e mussarela.
Que diz a pesquisa? Alvaro 43, Requião 24, Vanhoni 8 para a oposição; Greca 5 e Beto Richa 3 para a situação. Não há a menor racionalidade em tais indicadores a não ser o fato de que estão na mídia e são lembrados. Assim há conhecimento e não opção eleitoral. E isso é tão claro que na espontânea, que configuraria o voto consolidado, como hipótese é claro, Alvaro leva uma vantagem de apenas três pontos sobre Requião: 14 a 11 e Lerner ou alguém de sua troupe já sairia com 5.
Afora isso há outros complicadores. Alvaro vai ter que deixar o PSDB e a direção nacional também não suportará os ‘‘laranjas’’ que ficaram no comando regional, apesar dos créditos de Hauly junto a FHC, insuficientes, porém, para que se tolere a transformação do grêmio num cavalo de Tróia (presente de grego) para um partido que pretende, como prioridade, uma ofensiva de recuperação da imagem do presidente Fernando Henrique Cardoso, o timoneiro-mor do tucanato. Assim, os argumentos que levaram à expulsão dos irmãos Dias se estendem aos que ficaram, por mais esforços que façam para dissimular.
E o governo está perdido? Não. Se o quadro nacional melhorar (e isso nada tem de impossível em se tratando de Brasil) as condições dos que estão no governo, incluindo aí os do PT, podem evoluir. A circunstância de Cassio, apesar de haver perdido pontos, aparecer em quarto no ranking de prefeitos ainda o habilita a ser a melhor opção do situacionismo e em condições de no mínimo ir ao segundo turno. Assim, pois, nem se justifica a euforia alvarista e muito menos uma depressão governista. Apenas a sondagem favorece o peso do senador Alvaro Dias numa hora em que é defenestrado do PSDB.
BIZARRICE
Se os resultados, majoritários, das viagens de Lerner ao exterior foram positivos, por que não tiveram a divulgação detalhada dos feitos?
AXIOMA Pesquisas provam que o momento é do estilingue e não da vidraça. Onde o PT é governo, dança (Rio Grande do Sul, o décimo, abaixo de Lerner ou Prefeitura de Sampa, em que é o nono com Marta Suplicy). E curiosamente o governista melhor colocado, segundo entre os governadores, é Tasso Jereissati, do PSDB.
GLOSA Se antes de tornar-se ‘‘light’’, Lula era tido como um ‘‘sapo barbudo’’. Teria se transformado agora num príncipe jovem e belo?
EPIGRAMA Todo radicalismo é boçal: o indigenismo extremo nos levaria, como ‘‘civilizados’’, a um sentimento de culpa irremissível. Fundamentalismos, então, são a melhor expressão do fascismo. Na política chegam à teocracia, nas causas sociais ao pior dos obscurantismos em nome da verdade revelada.
SPRAY A inexistência de uma cultura crítica em relação aos governos, aliada à fragilidade intelectual da oposição (preguiça, falta de aplicação em estudos) têm permitido o predomínio do ‘‘chute’’ e dado com pinta de ciência. - No Censo de 80, o Paraná esperava (dados da Copel que tomou, com seu poder desmesurado, a área de estatística de outros órgãos mais habilitados) uma população de 10 milhões, quando ultrapassamos pouco de 7,5 milhões. - Durante anos, Lerner, na condição de prefeito, afirmou que a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) gerara 400 mil empregos. Isso só foi desmistificado muito mais tarde com o estudo (defesa de tese de doutorado na Unicamp) de Denisson de Oliveira, hoje transformado em livro que analisou o quanto o ‘‘marketing’’ afeta a verdade técnica e científica. - Se hoje, depois de todos os ingressos ocorridos ao longo de mais de duas décadas, a Região Metropolitana de Curitiba detém um estoque de trabalhadores de 601.249, dá para perceber que em tempo algum a CIC teria gerado tantas vagas, mesmo que feita a soma dos diretos e indiretos. - O governador, com aquela facilidade com que se ajusta ao triunfalismo, costumava dizer que o Paraná, nessa nova etapa de industrialização, teria criado 700 mil novas ocupações. De 1995 a 1999, segundo o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego do Ministério do Trabalho (Caged), foram criadas 72 mil vagas, pouco menos de 10% do que o governo vive a apregoar com espantosa naturalidade.
FOLCLORE A revista ‘‘Paraná em Páginas’’ põe a capa da publicação nos seus anúncios na televisão, desde que não contenha críticas pesadas ao governo para não constranger as emissoras a enfrentarem problemas com os áulicos palacianos. Numa das capas recentes aparecia Lerner na capa e o título ‘‘Mar de lama’’. A última edição, número 437, de julho, tem o título superior ‘‘Bandidos tomaram conta do Paranᒒ, reproduzindo foto da rebelião na Penitenciária. E há uma outra chamada – ‘‘Governo incompetente, corrupto e desmoralizado estimula a destruição do Paranᒒ – aparececendo Lerner e Cassio de mãos dadas num comício. Quando perguntam ao Candinho, dono da revista, se essa bronca sistemática o agrada ele argumenta: ‘‘Veja se eu tenho rugas.’’
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

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