A PM e os professores pedem aumento e lá vem a resposta: só depois que houver a privatização da Copel. Neste mês o governador Jaime Lerner mandou mensagem pela Paraná Previdência aos aposentados e pensionistas insistindo no argumento de que teria capitalizado a instituição com R$ 1,6 bilhão com os royalties de Itaipu (o que é preciso ser apurado até para mostrar as boas intenções oficiais) e que isso seria completado com os recursos que advierem do leilão da estatal.
O nível de credibilidade do governador está bem traduzido na pesquisa Ibope que lhe confere 2% na lista presidencial, o que não é mau negócio, aduzindo, no entanto, que 46% dos eleitores jamais votariam nele. É que Lerner iniciou seu governo, o primeiro, com um projeto ousadíssimo – o de romper a histórica dependência de nossa economia à de São Paulo, de quem éramos uma espécie de satélite, como um nicho de mercado de complementaridade. Não se saiu mal nesse propósito e deu considerável arranque industrial, comandado pelas montadoras.
Lerner foi péssimo na execução financeira por não ter conseguido baixar os custos da máquina e ao criar uma legião de cargos em comissão e um secretariado que tem mais alas do que uma escola de samba, cujo número nega qualquer cautela com a austeridade exigida na Lei Camata e agora consolidada na de Responsabilidade Fiscal. Permitiu absurdos visíveis na rapinagem no Banestado, cujo furo seria suficiente, se somado aos dispêndios irresponsáveis na propaganda (R$ 500 milhões em menos de um quadriênio), para acertar a Previdência e preparar o Estado para uma fase de maiores investimentos.
O governador se agarra agora na Copel, que já não é do Estado, por estar mais do que privatizada, e que apenas sustenta a maioria das ações com direito a voto, já que o seu patrimônio foi deglutido nesse período governamental em muitos casos para cobrir problemas de caixa e cuja marca está presente no comprometimento com aquela aventura dos títulos estaduais e que entrega ao Itaú (se afinal não honrarmos o compromisso) parcela relevante desse ativo excepcional. Tudo não passa de jogo de cena, tanto do governo acenando com um ‘‘milagre’’ que não virá, como da oposição que politiza inutilmente o tema quando não lhe concedeu a atenção devida na primeira votação que autorizou a venda. Para criar condições a um melhor clareamento da questão só há uma saída: a do Judiciário. E em tal empenho, ir até a superior instância.
BIZARRICE
O candidato ao governo pelo PFL pode ser escolhido num bingo. É uma hipótese bem ao estilo brasileiro
AXIOMA Lerner vai se encontrar na Itália com o Domenico di Masi, maior teórico do ócio criativo. Lerner é o maior prático, segundo a oposição.
GLOSA Agora o Ministério Público acabou de denunciar a Emília Belinati. O problema não é o ministério mas o mistério: quem escapará desse time?
EPIGRAMA Hauly estava no Alvorada esperando ser atendido por FHC quando Lerner passou na sua frente. O presidente disse a Lerner que tem interesse pessoal na reestruturação do PSDB no Paraná e que não acolherá infiéis e desleais. Quem sabe estivesse se referindo aquele acordo branco entre Lerner e Alvaro. Pode-se esperar tudo das jogadas aqui no PSDB, menos uma solução que represente a vitória da malandragem de parque.
METÁFORA Como o PFL chegou à conclusão que precisa de um candidato de garra aqui no Paraná, já fizeram o convite para que o Zé do Caixão troque o domicílio eleitoral o quanto antes.
SPRAY O maior impacto de ontem foi a denúncia contra a vice-governadora Emília Belinati e o seu filho, o deputado estadual Antonio Carlos, fato que era aguardado por muitos como decorrência lógica dos episódios que envolveram o chefe da família em Londrina. - Pelo jeito, o Ministério Público está com a corda toda e atingindo o governo não mais no varejo e sim no atacado. - Elas procedem do interior, o que é natural, já que aqui, por mais vigilantes que sejam os procuradores de Justiça, há rituais que dificultam o andamento tão rápido das medidas. - Há quem ache existir exagero do Ministério Público. No caso do Brasil isso é pedagógico por não haver alternativa para minar, pelo menos um pouco, o clima de impunidade. - Não se pode também deixar de considerar em favor do interior, casos específicos de Londrina e Maringá (e que pode se repetir em Pato Branco), a maior sensibilidade da população disposta a mobilizar-se, o que respalda as ações da Justiça. - Assim mesmo as medidas são feitas conforme as exigências da lei e por isso mesmo demoradas. Tanto que a insistência do MP em pretender a prisão de Belinati e dos seus auxilares não tem sido bem-sucedida. - Procedimentos judiciais são lentos: só agora o MP tem feito denúncias decorrentes da passagem da CPI (a nacional; a local foi mais gelada que fim de pinguim) do Crime Organizado em 1999 por aqui e que redundou na remoção de toda a cúpula da polícia civil.
FOLCLORE Para um especialista em ornitologia é perfeitamente possível um tucano laranja, como se pretende fazer do PSDB no Paraná. E o será, porque vença qualquer facção haverá laranjice. Aliás isso já acontecia antes, pois não consta que houvesse compromisso de doutrina com a social-democracia, o rótulo tão badalado e, como sempre, dissimulador.
CROMO Procurar olhos d’água em Curitiba é mais fácil do que achar os trevos de quatro folhas.
AFORÍSTICO Tudo bem: do circo estamos saciados. E quando haverá pão?
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