Luiz Geraldo Mazza
Cassio Taniguchi é o agito num quadro de catatonia que abrange o governo e a oposição: tenta refazer a ágora dos gregos sem aquele assento populista do saudoso Maurício Fruet nas audiências públicas. É a referência, a ilha em meio à mediocridade, no Paraná, excluídos os casos de alguns prefeitos como os do PT que buscam, ainda que sem tanto refinamento, essa interação com o público e os chamados interesses difusos das vilas e arrabaldes.
O prefeito de Curitiba (PFL) está em ascensão e isso deve aparecer logo nas pesquisas de opinião, nas quais desfruta de ótimo desempenho, conquanto contaminado pelo lernerismo, tal qual se deu na sua reeleição. Há, no entanto, algo mais no ar do que os aviões de carreira, como ensinava o Barão de Itararé. E se ele ganha pontos ao pagar o 13º dos funcionários, na sua primeira parcela, e conceder-lhe aumento, o que seria impensável no governo estadual falido e também pilhado pela corrupção, corre o risco de acidentes de percurso muito próximos.
Um problema sério e bem menos promocional do que as medidas anunciadas na Regional do Portão, na Rua da Cidadania da Boa Vista e ontem no bairro-colônia de Santa Felicidade está no disparo: o reajuste do transporte coletivo e que alcança um universo bem mais abrangente do que o público-alvo das audiências.
Não há como fugir à realidade, até porque a URBS mantém controles diários sobre o custo-quilômetro do sistema e já são claros os sinais de perda de remuneração e de financiamento pela prefeitura, o que é algo indesejado, mais ainda em tempo de Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Um dos poucos e eficientes aparatos de transporte não subsidiado, apontado como modelo e até adotado em países mais avançados, correria o risco da perda de eficiência operacional se a tarifa não cobrisse seus custos.
Acontece que os efeitos do aumento das tarifas públicas e tivemos agora mais uma, extorsiva, da Copel de 17% se dão em cascata e nos primeiros dias de julho teremos um ajuste nos combustíveis da ordem de 7%. Para que se tenha uma idéia dessas sequelas, basta ver o que se deu em São Paulo nos dois últimos meses com o aumento da tarifa dos coletivos, fato bem traduzido nos mais de 5% agregados à inflação dos paulistanos à conta dessa despesa inevitável.
O pior é que a população não está recebendo qualquer reajuste salarial significativo a não ser aqueles percentuais mínimos, automáticos, dos contratos coletivos e até agora, desde a implantação do Plano Real, o transporte subiu 160%, quando a inflação do período está longe desse registro.
Antes se dizia popularmente para caracterizar dificuldades que havia um boi na linha do trem e que o ameaçava fazer parar e agora os ônibus pifam sem que a população tenha explicação detalhada das famosas planilhas que embasam os custos como se fosse algo misterioso, esotérico, e não pudesse ser conhecido no clima democrático das audiências públicas.
AXIOMA
O PSDB do Paraná tenta aplicar um golpe de joão-sem-braço no diretório nacional como se ele fosse constituído por um bando de idiotas ao manter na organização toda a turma ligada a Alvaro Dias. É provincianice demais.
BIZARRICE Piada corrente no interior diz que o governador era cobrado por um prefeito a respeito de convênios (a grana, como sempre, não aparecia) e que na saudação a Lerner tinha cometido um erro de ortografia, mas que acertara bem na mosca ao chamá-lo de esse lentíssimo governador
GLOSA Processo contra o chefe da Casa Civil em função da desaprovação de suas contas quando prefeito de Pato Branco, denúncia contra o secretário Lubomir Ficinski por causa do Paraná Cidade e indiciamento do procurador-geral do Estado devido à contratação irregular de funcionária, dirigentes do Banestado enquadrados na Justiça estadual e federal, ex-secretário de Segurança listado na CPI Nacional do Crime Organizado, ex-secretário do Meio Ambiente também denunciado pelo Tribunal de Contas (TC). É um governo recordista para ninguém deixar de botar defeito. Para o bem do Paraná seria ótima uma comprovação geral de inocência.
EPIGRAMA Ao provocar os irmãos senadores, chamando-os de tchutchucas no plano nacional e tigrões no Paraná, o senador Roberto Requião acabou como indutor da crise tucana e da mudança no quadro político.
E acompanha tudo lá da Rússia. Só que em lugar de ouvir la titchorna se liga apenas em la tchutchuca, refrão funk.
SPRAY Vereadores de Pato Branco procuraram deputados da região em Curitiba para relatar o policialismo imperante por causa da rejeição das contas do ex-prefeito Alceni Guerra. E trouxeram provas das irregularidades apuradas que o Tribunal de Contas não detectou. - Mesmo aliados do governo acham que extrapolaram com o excesso de zelo na defesa do Chefe da Casa Civil. - Há tanta gente do governo sendo processada que a estatística disso tudo se faz no sentido de saber quem não está enrolada. - O servidor municipal Roberto Rocha, que denunciou o caso do terreno da Detroit Diesel, é um batalhador e que tem no seu currículo outros feitos como o de desfazer negócios imobiliários da Prefeitura de Curitiba com um madeireiro.
FOLCLORE Curitiba vai botar focinheira nos cães e exigir que os donos tirem a titica da calçada. E para os ratos, que dominam o ecossistema, nada?
CROMO Lápis lázuli, a jóia; violeta, os teus olhos. Mimetismo poético.
AFORÍSTICO Impossível piadas com certos governos. Nunca estarão à altura.
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