Luiz Geraldo Mazza
Não há qualquer incompatibilidade na interpretação histórica em ligar valores como o da dinâmica da luta de classes, afinal não tão imperativa quanto aparece nos textos de Marx, e os da genealogia. Se a Revolução Francesa foi a cristalização da burguesia no poder, e que teria exercido aquele papel que, a despeito de tudo, foi transformador e vai definir o cenário que Marx e Engels descrevem no Manifesto Comunista, uma antevisão da globalização e da perda de referenciais dos valores nacionais, há quem veja na Queda do Muro de Berlim algo como o fim da história que um texto menor de Fukuyama destacou quando Hegel, de forma bem mais apropriada, pressentira-o em especulações teóricas.
O professor Ricardo de Oliveira, com seu O Silêncio dos Vencedores, bota em primeiro plano um tipo de análise até então conotada e vista certamente como componente acessório e não principal do processo histórico e político do Paraná. Essa genealogia, a despeito da força das raízes, nem sempre pode evitar o conflito como se deu, por exemplo, em 1965, quando Ney Braga apoiou Paulo Pimentel, lançado pelos adventícios Aníbal Khury e Rafael Iatauro no PTN de Emílio Carlos, e colocou-se contra Munhoz da Rocha que o lançara na política, primeiro como chefe de Polícia e depois como prefeito da capital. A resistência da tradição geraria a dissidência do PDC, comandada por Affonso Camargo, José Richa e apoiada até pelo então genro do governador, Oscar Alves.
Affonso passa a ter um discurso esquerdista e isso o impede, no regime duro, de assumir, como vice, a governança estadual. Aliás, o golpe de 64, tal como a Revolução de 30 ou ainda episódios anteriores como a Revolução Federalista, colocaram a elite genealógica em conflito, o que está patente no sacrifício do Barão do Serro Azul. Fala-se muito de uma vinculação que teria havido entre os integrantes da Coluna Prestes e a nossa liderança ervateira. É curioso em especial o apoio que Getúlio Vargas dá a Munhoz da Rocha, indiretamente, em 1950, apesar de o estadista paranaense ser do Partido Republicano apeado do poder pelas armas e que aqui no Paraná sacrificaria Affonso Camargo, seu sogro, e que amargaria um terrível ostracismo.
A elite expressa momentos de reforma e até de ruptura, como houve com Ney Braga (este chegou a aproximar-se, por falta de alternativas, de João Goulart, apoiando as reformas e o plebiscito que restabeleceria o presidencialismo e, depois, ajudando a depô-lo) e as lideranças geradas pelo pioneirismo e a chamada civilização do café se viram impelidas a compor com ela.
Nosso nível de mobilidade política não é correspondente às transformações havidas na economia e na sociedade. E pelo jeito as universidades pois hoje a Federal tem menos importância do que as estaduais e as particulares estão longe de formar quadros à altura. Basta ver o deserto, o traço sáfaro, das perspectivas atuais com as mesmas candidaturas e a vacuidade dos seus discursos.
BIZARRICE
Dessas quarenta viagens de Lerner ao exterior, em quantas delas a promoção pessoal foi mais importante do que a institucional do Paraná?
AXIOMA Cai a produção de laranja e sobe o preço. Isso na fruta. Já na política o excesso de laranjice baixa o preço. Seja nas CPIs oficiais ou nessa aventura do grupo alvarista no PSDB. Tiraram o Alvaro e deixaram um Haulyco em seu lugar com um referencial a seu favor: o de ter sido fiel ao presidente FHC.
GLOSA Candidatos oficiais de Lerner ao governo passam por dificuldades: Greca tem aquelas da passagem pelo ministério, especialmente a barca furada; Alceni tem contas de prefeito de Pato Branco rejeitadas pelos vereadores, e agora o Lubomir Ficinski, possível postulante, é denunciado ao Ministério Público. Só falta emplacar uma denúncia contra o prefeito e o vice de Curitiba para o time oficial nem entrar em campo.
EPIGRAMA A fazenda do senador Jader Barbalho foi desocupada. E o seu assento na Câmara Alta quando o será?
SPRAY Tucanos regionais exultavam com a manobra de substituição no diretório regional, acreditando que garantiriam a solidariedade a Alvaro na sua nova opção partidária, conferindo-lhe apoio. - Encaminharam a ata da decisão em Curitiba, ainda anteontem, mas ontem o novo presidente, deputado federal Luiz Carlos Hauly, que entrou para evitar a intervenção, ouviu o pedido de José Anibal, o presidente nacional, para que haja uma depuração interna dos alvaristas na agremiação em três semanas. - O PSDB decidiu colocar, como sua prioridade máxima, a defesa da figura do presidente FHC em queda hoje, de certa forma, incontrolável. Há em elaboração uma ofensiva voltada para esse objetivo e na qual situações como a dos senadores paranaenses não poderia, em hipótese alguma, ser tolerada. - Existe, além de tudo, um quadro negativo na parte meridional do País, pois Santa Catarina e Rio Grande do Sul não contam com estruturas eleitorais para disputar o governo e no Paraná isso só seria possível com os aliados de Lerner como a dupla Cassio e Beto Richa, objetivo final dessa manobra que precede o uso da ultima ratio, a intervenção.
FOLCLORE Um antialvarista do PSDB dizia que a entrega da presidência ao deputado federal Luiz Carlos Hauly era uma vitória de Pirro, lembrando o episódio mítico-histórico de uma batalha em que o vencedor sai aniquilado e não tem condições de partir para outra. Um neutro, que nada tem a ver com um ou outro grupo, seja do alvarismo ou de FHC, argumentou que o caso era muito mais uma vitória de esbirros, ganhasse quem ganhasse.
CROMO A pomba da paz de Picasso sustentada por recheio nuclear.
AFORÍSTICO Brizolistas vaiaram o Garotinho e ele lembrou, singelamente, para os que o chamavam de traidor, que o Leonel estava assim com Collor.
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