Luiz Geraldo Mazza
Apesar de o Paraná já não fazer, com a frequência observada até os anos 80, pesquisas estatísticas inter-regionais, sabemos que Curitiba passou (com certa folga) de Porto Alegre em termos de mercado e especialmente do chamado índice de potencial de consumo. O Sul como um todo, apesar de ser 6,7% do território nacional, registra 18,27% desse potencial, com o que se percebe que esse tal indicador é maior do que o Produto Interno Produto (PIB) da região, que chega a 17,8% do total nacional.
Curitiba, com as mudanças estruturais de sua economia, ultrapassou Porto Alegre: seu potencial de consumo, conforme estudo da empresa paulista Target Market, é de 2,02% contra 1,90% da capital gaúcha. Houve mudanças relevantes na posição dos municípios: Joinville (demográfica e economicamente mais forte do que Florianópolis) que liderava em Santa Catarina, ficou abaixo da capital catarinense (0,47), de Londrina (0,44) e aparece em quinto com 0,40%.
Seguem, na ordem, Caxias do Sul (0,38%), Maringá (0,29%), Blumenau (0,28%) etc. Do Paraná temos Foz do Iguaçu em 12º com 0,22%, Ponta Grossa com 0,21% em 14º praticamente empatada com Novo Hamburgo; Cascavel em 15º com 0,20% e São José dos Pinhais em 19º com 0,14%.
De uma forma geral, porém, tanto os indicadores sociais como os econômicos favorecem os gaúchos e catarinenses, especialmente aqueles relativos à escolaridade, expectativa de vida e mortalidade infantil. Ainda perdemos do Rio Grande do Sul em participação na renda nacional, mas a distância, cada vez menor entre as duas unidades, mostra uma recuperação do Paraná. O secretário de Planejamento, Miguel Salomão, acha que logo passaremos à frente.
O importante é a emulação e é preciso verificá-la no econômico e no social, dado até aqui desfavorável para nós. O Sul maravilha tem outros dados muito expressivos: consome 23,73% da carne suína do Brasil, 28,03% dos fertilizantes e 19,75% do fumo, 23,56% das bebidas, 24,32% de móveis e artigos do lar.
Em 1966, quando Pimentel assumiu o governo paranaense, propunha como utopia próxima o Paraná ser o segundo Estado do Brasil. Estava fora da realidade. Em muitas coisas somos mal e mal o segundo do Sul e em alguns indicadores sociais até o terceiro. Vale como referência e consciência crítica e serve de vacina contra o triunfalismo de governos publicitários, dentre os quais o de Lerner não tem sido o mais abusivo, ainda que o recordista em prodigalidade e talvez o mais desastrado de todos, de Manoel Ribas para cá.
BIZARRICE
Passa, passa, avião// Será ele ou não? Essa cantiga exaltava o dinamismo de Juscelino no fim dos anos 50 com a sua mobilidade. Aqui ela só se aplicaria, no caso de Lerner, aos vôos internacionais. O 40º está no disparo
AXIOMA Se a água cheira mal e nem se presta para banho e o telefone corre o risco de estar grampeado e se não temos nenhuma segurança, mesmo dentro dos presídios, é porque as coisas por aqui andam ao deus-dará.
GLOSA Não podemos ter a Estrada do Colono, mas na Argentina, que não perde de nós em nível civilizatório, há uma rodovia-parque, com mais de 60 anos, que encurta em mais de 100 km a distância entre as colônias de Andrezito e Cabureí, em Missiones, e tem 45 km de extensão. É patrulhada o tempo todo.
Mas há exageros ecológicos também por lá: quando estive em Buenos Aires, vi na capa do El Clarín a ameaça de ambientalistas argentinos de derrubarem os helicópteros brasileiros que sobrevoavam as Cataratas com turistas, sob o fundamento de que o ruído das máquinas estressavam os andorinhões, que têm ninhos nas rochas. Lá como cá, exageros há.
EPIGRAMA Falamos, ontem, do político que estoca inaladores para distribuí-los ano que vem no furor da campanha eleitoral. Há outros estoques de dentaduras e cadeiras de rodas e até de chinó para careca, já que implante é privilégio mais de eleitos do que de eleitores.
SPRAY Curitiba e Porto Alegre, na Pesquisa Target Market (Brasil em Foco 2001) revelam-se como as regiões metropolitanas com o maior consumo per capita do País. - Indicadores que revelam disponibilidade de renda como viagens e recreação e cultura no Sul surpreendem: 22,42% no primeiro e 23,54% no segundo e mais ainda a região meridional responde por 30% das vendas de livros no Brasil. - No setor automotivo, a nossa frota, a do Sul, 21% do total do País. Em automóveis 21,40%, em ônibus 21,7% e em caminhões 34%. Dispêndios com diesel atingem 19,89% e com gasolina 19,53%. - Outros dados: produz 43% do total de grãos do Brasil, 95% dos vinhos e metade das colheitadeiras. - Se os radicais daquele movimento O Sul é meu País pegarem esses dados os transformarão em nitroglicerina pura. Tem mais: 47% dos produtos de madeira, 53% do fumo, 33% dos móveis, 60% de couro e calçados, 80% de carrocerias de ônibus. - Tudo isso está no último número (167) da revista Amanhã-Economia & Negócios. - Vamos à infra-estrutura: 27% da geração de energia, 22,8% das ferrovias, 20% das rodovias pavimentadas, 30% dos contêineres. É a parte do Sul no conjunto brasileiro. - Vamos aos dados sociais: enquanto o País tem 13% de analfabetos, o Sul fica em 7%, a expectativa de vida no Brasil é de 67,5 anos e a do Sul é de 70,2. O Sul tem ainda 13% das escolas de 3º grau e 20% das matrículas.
FOLCLORE Se O Boticário, nosso orgulho em perfumes, usar água da Sanepar, não vai ser fácil enfrentar o dilema industrial.
CROMO É adequado chamar o PSDB de tucano, que tem cores definidas, ou seria apropriado o símbolo do camaleão? Valeria para os de dentro e os que saem.
AFORÍSTICO Como o circo está em tudo e barato, o pão pode subir.
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.





