Quanto tempo de lealdade tem Algaci Túlio para o grupo de Lerner? Uma carreira. Ele segurou a candidatura a prefeito de Curitiba para que Lerner pudesse realizar a façanha da vitória em 12 dias. Ficou de vice, de líder, e de repente rompeu, cansado de fazer o papel de ‘‘patinho feio’’ da coligação. Aí, com os holofotes da mídia passou a bater forte e a criar divisões na base aliada. Só poderia colher o que plantou: sua destituição da liderança do PTB que em maioria está com o situacionismo.
Alvaro montou o PSDB do Paraná contra a vontade da maioria dos cardeais nacionais, ainda que com o assentimento do falecido Sérgio Motta que prometeu passar como um trator, descontado o peso pessoal, sobre Lerner. Nada tinha a ver com o grupo até porque ficou mais do que demonstrado que Lerner agregava mais votos na dobradinha com Fernando Henrique do que ele, ainda que estando na agremiação de Brizola e o esnobando como postulante presidencial. Fez, no entanto, um bom trabalho, posto que não conseguisse fazer com que a bancada estadual do partido fizesse oposição a Lerner. Na verdade, não tinha moral para fazê-lo porque vivia a criticar FHC, conquanto ligado à sua base parlamentar.
Nos dois casos, um mecanismo simples de fidelidade partidária. Nada mais. Tanto um quanto outro se achavam identificados com as massas, o radialista ‘‘esquentando’’ a CPI dos Grampos e o senador valendo-se da sua assinatura pedindo aquela da Corrupção para insistir no ‘‘marketing’’ da austeridade. Agora Algaci perde as posições que ocupava na Assembléia Legislativa, desde a liderança até as outras comissões. E Alvaro, que não suporta a obscuridade, pode ficar sem a luminosidade da CPI do Futebol, na qual, como excelente atacante de ‘‘peladas’’ que é, fazia múltiplas embaixadas.
Dos dois, Alvaro tem mais condições de dar respostas porque tem mandato ainda por mais seis anos, é um estivador da política e não um entediado como Jaime Lerner. Conta com bons espaços nas bases regionais e algum prestígio nacional. Precisa apenas avaliar em qual nicho se abriga e Algaci vai queimar mais neurônios para decidir os próximos passos. Alvaro, com seu jeito de ator de novela, saberá explorar melhor a condição de vítima. Tanto um quanto outro devem reconhecer que não houve injustiça e tão-somente imposição de disciplina partidária. Pagaram caro por um vício comum aos brasileiros: o personalismo. Colocam-se acima do partido e dos compromissos de maioria e o ocorrido é uma espécie de risco perfeitamente calculável.
AXIOMA
Quando o cliente do Banestado-Itaú, que teve a conta surrupiada, vê aquela mensagem institucional, repetida em gestos, ele enxerga a mão direita fazendo um top-top na esquerda
BIZARRICE Na novela ‘‘Porto dos Milagres’’ a personagem Adma (Cássia Kiss) é um simulacro de Lady MacBeth ou Lucrécia Bórgia, tal a compulsão para matar. Se fizessem uma cena em Curitiba com Adma dando água da Sanepar para alguém, a pessoa já morreria de susto só com o cheiro e o gosto do líquido, certíssima de que foi envenenada.
GLOSA Nota oficial da Sanepar produziu uma ‘‘pérola’’ em termos de política de relações públicas nesta frase: ‘‘Apesar do cheiro e sabor, a água é boa para o consumo.’’ É uma versão renovada do anúncio do anticaspa Denorex que tem jeito e cheiro de remédio, mas não é remédio. Não parece, mas é água.
EPIGRAMA Parlamentos, de um modo geral, estão banalizando o instituto das CPIs por falta de convicção na sua rotina operacional à procura do agito da mídia. No Paraná não há exemplo de uma só CPI que tenha funcionado.
SPRAY O governo tem um novo plano para as eleições nas escolas e isso irrita a APP-Sindicato. Vai botar filtros na escolha, inclusive um exame mínimo de suficiência para os candidatos. - Essa história de eleição nas escolas veio no bojo da vitória do PMDB (Richa em 82) e em nada melhorou o nível de relações entre a escola e a comunidade, o que passa pelas APMs, necessariamente. - Há decisões na instância superior que mostram a ilegalidade desse tipo de gestão, ainda quando ratificado pelo governo, por causa da responsabilidade do diretor, sujeito às normas da administração e Código de Contabilidade Pública. - Essa idéia de descentralização de poderes e democratização não trouxe os benefícios esperados da ‘‘participação’’. - Também na universidade a eleição direta apenas consolidou a força de consulados políticos que integram chapas vitoriosas. Igualmente não se percebeu melhora na qualidade do ensino e na gestão. - As constantes operações de abre e fecha nas ruas para atender água, esgotos, telefones, acabam, por vezes, comprometendo raízes de árvores. Foi o que se verificou ontem perto do Edifício Asa: despojada de suas raízes, uma árvore de porte moeu um automóvel estacionado. O dono vai processar por perdas e danos a prefeitura e esta, por sua vez, deveria cuidar com maior atenção das empreiteiras. - Por 4 a 3, a Câmara Criminal do TJ acatou embargos da defesa das Abagge no caso das bruxarias de Guaratuba quando tudo tendia para o novo júri, como o pretendia o Ministério Público. - O deputado Ribas Carli ouviu ontem a APP-Sindicato sobre o Fundo de Saúde dos Servidores que substitui o degradado IPE. É relator da matéria e tem viajado para ouvir interessados.
FOLCLORE ‘‘Quem foi? Quem foi?’’, gritou, revoltado o delegado de polícia. Ou teria rompido um esgoto? Não, apenas haviam aberto a torneira da delegacia.
CROMO Redundância cósmica: aproximação de Marte, eclipse do Sol e abertura, nada gloriosa, do inverno.
AFORÍSTICO A Sanepar vai lançar debêntures. Que venham perfumadas.
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