Ontem, como de resto há quase uma semana, não há água no Pinheirão. Vale dizer nas instalações, também, da Federação Paranaense de Futebol. Sanitários não podem ser utilizados porque a instituição não pagou a Sanepar e esta, após sofrer agressões como a quebra do lacre, se viu obrigada a cortar o suprimento de água pela remoção do hidrômetro. Enquanto o odor da cloaca toma conta do ambiente, há o banquete dos 60 anos no Clube Curitibano com custos aproximados de R$ 280 mil e, ainda por cima, concessão de mimos de ouro e brilhantes.
Na sexta feira, quando Onaireves Moura tentava derrubar a liminar contra a interdição do estádio Pinheirão (motivada por falta de pagamento, ainda que fortalecida pelo argumento do CREA da inexistência de engenheiro) quatro oficiais de justiça o esperavam inutilmente na sede da FPF para as citações de praxe que acaba não cumprindo. Tanto ele, pessoa física, é alvo de numerosos feitos como aquele de Álvaro Dias, no qual está condenado a pagar R$ 100 mil, como a entidade que sofre dezenas de ações (a CESBE, principal integrante do consórcio que construiu o mausoléu, continua tentando receber seus haveres, processo que data de 1985) e ainda nada menos de 84 protestos de títulos no período de 96 e 97.
O pior é que o governador do Paraná, pela segunda vez, agora em cima da tal Vila Olímpica, acaba direta e indiretamente dando moratória à construção de um estádio que só deu prejuízos aos que o utilizaram como o Atlético Paranaense que tenta receber o que já ganhou na justiça num total de R$ 3 milhões. Não bastasse o vexame proporcionado por sua cassação como parlamentar, o que dá bem a medida do seu padrão comportamental, diante da notória cumplicidade do legislativo em questões morais, o surpreendente é como esse mundo à parte do futebol consagra uma figura como essa que não mexe uma pena em defesa do Paraná por seu convívio com a cúpula da CBF e que foi o causador indireto da queda do Coritiba para a segunda divisão e pouco fez pela causa do Atlético.
BIZARRICE A Dinamarca saiu à frente da lista do países livres da corrupção. Como se vê aquela frase ‘‘há algo de podre no reino da Dinamarca’’ apenas conserva o seu sentido teatral.
SPRAY O empresário Joel Malucelli, depois de abater os 400 hectares de uma área de reflorestamento em Cascavel (pinus de 25 anos, corte raso autorizado pelo Ibama), ofereceu a fazenda ao INCRA para assentamentos e política de reforma agrária.- Como a terra é agricultável e levemente ondulada, podendo, portanto, ser mecanizada e adequada à exploração da soja, o INCRA aceitou.- O ex-dirigente da FPF, Orlando Kulkamp, ganhou indenizatória de R$ 157 mil na justiça do trabalho, conforme cálculos judiciais. Kulkamp chegou a fazer o papel de aliado eleitoral de Onaireves e foi destituído de funções na Cobraf por Ivens Mendes numa fase de atritos entre a FPF e Ricardo Teixeira.- Revista ‘Paraná em Páginas’ mostra, em sua edição de agosto, o abandono do ‘‘Parque dos Caminhoneiros’’ na divisa Paraná-Santa Catarina. Esse portal, inaugurado com muita pompa, está em processo acelerado de deterioração.- Copel tem chance concreta de escapar da privatização. A idéia dominante é a de que empresas eficientes como ela possam servir de referencial num mercado privatizado e até mesmo de emulação dentro do novo modelo energético.- A propósito: a grana obtida com a venda de ações na Bolsa de Nova York não poderá, em hipótese alguma, ser desviada para outros fins, pois um setor guloso por gastos já estava de olho na hipótese.- Samek tem razão: TC em municípios é chuncho, ainda mais na crise do setor público.- Miguel Arraes deu a ordem: o PS pode coligar com qualquer um no Paraná, menos o homem dos precatórios, Requião. Melhor para o Vitório Sorotiuk que vai outra vez para o sacrifício.- Vem aí uma pesquisa que mostra recuperação de Lerner no interior, depois de suas viagens, e mudança no segundo lugar: entra Álvaro Dias e Requião assume a lanterna. - PTB pressionando Lerner para ajudar prefeitos do partido quando o governo mal consegue a sua sobrevivência.-
FOLCLORE 1 Sexta-feira Requião e Lerner estarão à distancia de mil metros um do outro em Guarapuava: este lançando ‘‘usina do conhecimento’’ e aquele o plano de salvação do Paraná. Duas ficções. E com muita promoção pessoal.
FOLCLORE 2 Urge prestar atenção no sentido semântico das coisas: às vezes um mineiro ao referir-se ao grande coração de uma pessoa sugere que ela padece da Doença de Chagas e quando diz que determinado cidadão é benquisto pode estar insinuando que é ‘‘um bom quisto’’ na sociedade.
GLOSA A esquerda latino-americana se reuniu em Porto Alegre e concluiu que a resposta ao neoliberalismo pode ser o nacionalismo. Como também se sugere ser o socialismo dá para unir as coisas com o nacional-socialismo do III Reich, que também tinha intentos globalizantes.
CROMO O gado na garupa verde do morro é um desafio à geometria e afirmação concreta de que colagens da arte de vanguarda, às vezes, são naturalismo.
AFORÍSTICO Globalização não é apenas o grunge brasileiro ser quase igual ao chinês e norteamericano. Também o catador de papel de Nova York não difere do que rola pelas ruas de Curitiba. Globalização no duro é a marcha dos migrantes desesperados do Zaire e no alto o cartaz moderno ‘‘Sempre Coca Cola’’.

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