Luiz Geraldo Mazza
Ontem, como de resto há quase uma semana, não há água no Pinheirão. Vale dizer nas instalações, também, da Federação Paranaense de Futebol. Sanitários não podem ser utilizados porque a instituição não pagou a Sanepar e esta, após sofrer agressões como a quebra do lacre, se viu obrigada a cortar o suprimento de água pela remoção do hidrômetro. Enquanto o odor da cloaca toma conta do ambiente, há o banquete dos 60 anos no Clube Curitibano com custos aproximados de R$ 280 mil e, ainda por cima, concessão de mimos de ouro e brilhantes.
Na sexta feira, quando Onaireves Moura tentava derrubar a liminar contra a interdição do estádio Pinheirão (motivada por falta de pagamento, ainda que fortalecida pelo argumento do CREA da inexistência de engenheiro) quatro oficiais de justiça o esperavam inutilmente na sede da FPF para as citações de praxe que acaba não cumprindo. Tanto ele, pessoa física, é alvo de numerosos feitos como aquele de Álvaro Dias, no qual está condenado a pagar R$ 100 mil, como a entidade que sofre dezenas de ações (a CESBE, principal integrante do consórcio que construiu o mausoléu, continua tentando receber seus haveres, processo que data de 1985) e ainda nada menos de 84 protestos de títulos no período de 96 e 97.
O pior é que o governador do Paraná, pela segunda vez, agora em cima da tal Vila Olímpica, acaba direta e indiretamente dando moratória à construção de um estádio que só deu prejuízos aos que o utilizaram como o Atlético Paranaense que tenta receber o que já ganhou na justiça num total de R$ 3 milhões. Não bastasse o vexame proporcionado por sua cassação como parlamentar, o que dá bem a medida do seu padrão comportamental, diante da notória cumplicidade do legislativo em questões morais, o surpreendente é como esse mundo à parte do futebol consagra uma figura como essa que não mexe uma pena em defesa do Paraná por seu convívio com a cúpula da CBF e que foi o causador indireto da queda do Coritiba para a segunda divisão e pouco fez pela causa do Atlético.
BIZARRICE A Dinamarca saiu à frente da lista do países livres da corrupção. Como se vê aquela frase há algo de podre no reino da Dinamarca apenas conserva o seu sentido teatral.
SPRAY O empresário Joel Malucelli, depois de abater os 400 hectares de uma área de reflorestamento em Cascavel (pinus de 25 anos, corte raso autorizado pelo Ibama), ofereceu a fazenda ao INCRA para assentamentos e política de reforma agrária.- Como a terra é agricultável e levemente ondulada, podendo, portanto, ser mecanizada e adequada à exploração da soja, o INCRA aceitou.- O ex-dirigente da FPF, Orlando Kulkamp, ganhou indenizatória de R$ 157 mil na justiça do trabalho, conforme cálculos judiciais. Kulkamp chegou a fazer o papel de aliado eleitoral de Onaireves e foi destituído de funções na Cobraf por Ivens Mendes numa fase de atritos entre a FPF e Ricardo Teixeira.- Revista Paraná em Páginas mostra, em sua edição de agosto, o abandono do Parque dos Caminhoneiros na divisa Paraná-Santa Catarina. Esse portal, inaugurado com muita pompa, está em processo acelerado de deterioração.- Copel tem chance concreta de escapar da privatização. A idéia dominante é a de que empresas eficientes como ela possam servir de referencial num mercado privatizado e até mesmo de emulação dentro do novo modelo energético.- A propósito: a grana obtida com a venda de ações na Bolsa de Nova York não poderá, em hipótese alguma, ser desviada para outros fins, pois um setor guloso por gastos já estava de olho na hipótese.- Samek tem razão: TC em municípios é chuncho, ainda mais na crise do setor público.- Miguel Arraes deu a ordem: o PS pode coligar com qualquer um no Paraná, menos o homem dos precatórios, Requião. Melhor para o Vitório Sorotiuk que vai outra vez para o sacrifício.- Vem aí uma pesquisa que mostra recuperação de Lerner no interior, depois de suas viagens, e mudança no segundo lugar: entra Álvaro Dias e Requião assume a lanterna. - PTB pressionando Lerner para ajudar prefeitos do partido quando o governo mal consegue a sua sobrevivência.-
FOLCLORE 1 Sexta-feira Requião e Lerner estarão à distancia de mil metros um do outro em Guarapuava: este lançando usina do conhecimento e aquele o plano de salvação do Paraná. Duas ficções. E com muita promoção pessoal.
FOLCLORE 2 Urge prestar atenção no sentido semântico das coisas: às vezes um mineiro ao referir-se ao grande coração de uma pessoa sugere que ela padece da Doença de Chagas e quando diz que determinado cidadão é benquisto pode estar insinuando que é um bom quisto na sociedade.
GLOSA A esquerda latino-americana se reuniu em Porto Alegre e concluiu que a resposta ao neoliberalismo pode ser o nacionalismo. Como também se sugere ser o socialismo dá para unir as coisas com o nacional-socialismo do III Reich, que também tinha intentos globalizantes.
CROMO O gado na garupa verde do morro é um desafio à geometria e afirmação concreta de que colagens da arte de vanguarda, às vezes, são naturalismo.
AFORÍSTICO Globalização não é apenas o grunge brasileiro ser quase igual ao chinês e norteamericano. Também o catador de papel de Nova York não difere do que rola pelas ruas de Curitiba. Globalização no duro é a marcha dos migrantes desesperados do Zaire e no alto o cartaz moderno Sempre Coca Cola.





