O PSDB dá hoje o julgamento final sobre os parlamentares que resolveram manter assinaturas no pedido da CPI da Corrupção. Como os senadores irmãos Alvaro e Osmar Dias se recusam a retirar as assinaturas, e num momento em que o partido decide levar às últimas consequências a sustentação de um cordão de segurança para garantir FHC, dá para perceber que as coisas não têm a singeleza imaginada pelos dois políticos paranaenses. É que a resistência, especialmente a de Alvaro, já que Osmar tem vários interessados em seu ‘‘passe’’, cria um problema curioso: os que assinam o pedido da CPI seriam radicalmente éticos, a maioria, em função dessa lógica maniqueísta, estaria no campo contrário, atolada, até o pescoço, na corrupção.
Nesses termos, a manutenção dos senadores, caso sustentassem as assinaturas, não passaria de um ato autocida, agredindo as falanges majoritárias do PSDB para consagrar, como paradigmas de honestidade, os que discordam da postura nacional da agremiação. Se essa pendência não for resolvida com um mínimo de inteligência teremos efeitos incríveis: Alvaro e Osmar, não retirando as suas assinaturas, deixam um problema insolúvel; se forem expulsos haverá, é claro, algumas consequências puramente regionais, mas ficará exposta a insistência do sistema em nada querer apurar, como já vem ocorrendo desde a trama no andamento da emenda da reeleição. No campanário haverá sequelas como a do ‘‘isolamento’’ de Alvaro e, se houver expulsão, a perda cumulativa dos postos que ele ocupa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na CPI do Futebol que lhe dá o forte calor de todos os ‘‘spotlights’’.
O ganho em moral, por haverem resistido, terá um preço na logística que havia sido montada pelo PSDB regional desde o momento em que resistiu ao paroxismo a entrada da turma lerneriana e que tramaria aí a sua manutenção no poder que já havia obtido numa agremiação desgastada como o PFL. A social-democracia tem mais apelo semântico do que o liberal-socialismo, pregado pelo modigliânico Marco Maciel, e cujas origens alemãs, mais remotas, aproximam-se do tempo em que Marx e Engels lançaram o ‘‘Manifesto Comunista’’.
Logisticamente, em efeito-demonstração, Osmar é mais beneficiado do que o mano mais velho. A acomodação de Alvaro e dos seus projetos (o da sucessão é um dos mais amadurecidos) em outra legenda seria extremamente complexa. Quem deve estar se rolando de rir com tudo isso é o senador Roberto Requião, que de certa forma induziu seus colegas de bancada quando chamou os Dias de ‘‘tigrões no Paraná e tchutchucas em Brasília’’. Nem toda a provocação deve ser aceita no exercício da política sem uma avaliação detida dos seus efeitos que podem gerar, como no caso dos remédios, o choque anafilático, mais contundente e desatroso do que a anunciada e esperada terapia.
AXIOMA
A CPI da Telefonia estará num pacau de bico se a Justiça, no exame do mérito da sua constitucionalidade, mantiver o sentido da liminar. Pode até esquentar no exame de irregularidades das concessionárias da telefonia fixa e móvel, que não são poucas, mas perderá calor político dos ‘‘grampos’’

BIZARRICE O transporte coletivo de Curitiba já elegeu prefeitos e vereadores, mas pode igualmente derrotá-los. Há todo o clima para um reajuste tarifário em função do aumento de custos operacionais, redução de frequência dos ônibus. O efeito disso poderia tirar de Cassio Taniguchi a condição de nave-capitânea do situacionismo para a sucessão, transformando-o em mero estepe. Teria, no entanto, um efeito fraternal, aproximando-o na queda de Lerner.
GLOSA No entanto, o Ministério Público, aí como no caso da CPI da Nike, com um relatório prejudicado pela ‘‘bancada da bola’’, tem matéria suficiente para ir fundo na questão dos grampos. Há, ainda, a queixa do deputado Luiz Carlos Hauly do uso desse expediente no segundo turno da eleição em Londrina em 1996.
EPIGRAMA ‘‘Depois de mim, o dilúvio.’’ A frase de Luís XIV cabe no Paraná.
TURISMO & TRUÍSMO
Há estradas em parques nacionais aqui, na Europa, nos States. Num deles abriram caminho no tronco de uma sequóia para a passagem de veículos. Vias atravessam parques estaduais, e o nosso de Vila Velha é cortado ao meio pela BR-277. Alguns abrigam até aeroporto. Seria o caso de fazerem aqui como no Japão, quando do surgimento do Aeroporto de Narita, em que valentes militantes do ambientalismo construíram uma torre imensa para impedir que o aeroporto entrasse em operação. Foram afastados, mas marcaram posição por semanas.
Nada há de mais agressivo a um parque do que o turismo massivo, onde são comuns liberalidades nocivas como a de dar de comer aos quatis, apesar do símbolo que representam. Essa regra elementar de zoológico é desprezada. Durante anos a promoção nacional da Pesca ao Dourado, em Foz, era feita na época da desova, um massacre.
FOLCLORE
O fotógrafo Sérgio Matulevicius cobre o futebol em Paranaguá. Ao postar-se atrás do gol do time local já começou a levar vaias e a ser atingido por bolinhas de papel e guloseimas pela insinuação de que ali é que haveria mais ataque. De repente, um drama, isso já no final do jogo: a bola entrou ou não entrou? Vieram em cima dele para saber o seu parecer. Ele se mandou e foi revelar o filme em Curitiba, no Edifício Tijucas. No meio da madrugada, o grito de gol. Dele, Sérgio, que viu a bola ultrapassar a linha fatal.
CROMO
O passarinho papa-mosca me diverte enquanto os lambaris não beliscam. Pula de galho em galho, arisco, nervoso e se sai bem com os insetos.
AFORÍSTICO
Cai o termômetro: vem aí a nave nívea da neve nova de novo?
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