Em ciência política se discute muito o que é de mais valor: o governo das leis ou o governo dos homens? O ideal seria que prevalecesse a primeira hipótese, mas pelo jeito há uma irresistível tentação pela segunda e isso não apenas em países de baixos níveis de democracia moderna como os da América Latina como também entre os do denominado primeiro mundo.
Situada num patamar de menor relevância há uma outra questão. O que é de maior relevância para a prática política na democracia: o partido ou o seu componente, mesmo quando se trata da maior liderança? O caso dos senadores Osmar e Alvaro Dias aí se insere relativamente ao problema de terem assinado o pedido da CPI da Corrupção. Poderão alegar, os que agem em favor de FHC como a maior figura nacional do PSDB, que em reunião nacional se declarou a oposição à CPI como ‘‘questão fechada’’. Ocorre que isso se deu posteriormente ao ato dos senadores que de certa forma demoraram para adotá-la, com Osmar alegando, por exemplo, que o caráter difuso do objeto da investigação era discutível. No que, aliás, estava corretíssimo.
O senador Requião andou em saia justa mais dramática do que essa quando montou o Disk-Quércia que era presidente nacional do PMDB e foi alvo até de intervenção, o que pode acontecer, nos desdobramentos do caso do PSDB. Tanto Alvaro como Requião já deram mostras que colocam suas aspirações pessoais acima do consenso nacional do partido. Ambos foram postulantes à candidatura presidencial da República no PMDB e, derrotados, não apoiaram, como manda o ritual da democracia, os vencedores. Requião perdeu de ‘‘lavada’’ de Quércia e mesmo no Paraná não pôde evitar o surgimento de um grupo adverso. Alvaro ficou em quarto na convenção que consagrou Ulysses Guimarães em primeiro, Valdir Pires em segundo e Íris Rezende em terceiro.
AGRESSÕES Portanto há antecedentes ilustrativos desse estilo de postura, embora, em favor de Requião, deva-se dizer que ficou num só partido, e Alvaro, ao revés, chegou a montar vários para a sua equipe no PP, PST e PSDB. Até que ponto são válidas essas resistências regionais e personalistas (aliás, tudo é marcado por essa linha no Brasil) a um sistema que deseja ‘‘partidos nacionais’’?
Pelo jeito a diatribe de Requião de que os senadores eram ‘‘tigrões’’ no Paraná e ‘‘tchutchucas’’ em Brasília funcionou como pauta, apesar da reação de Osmar que chamou Roberto de ‘‘cachorro louco’’, menos contundente do que aquele chio de Quércia que usou o apodo de ‘‘Maria Louca’’, ‘‘às vezes mais louca do que Maria, às vezes mais Maria do que louca’’.
Requião, por ser mais temerário do que Alvaro e mais guerreiro, já criou ‘‘resistência’’, antígenos, como decorrência do estilo que adotou em política aos riscos permanentes dessa militância. Pegou paradas indigestas como a havida contra o Judiciário (a de Alvaro foi mais breve e ‘‘pontual’’, no caso da liberação de dinheiro do Badep, sob custódia, quando sugeriu que magistrados que assim agiam deveriam usar uniformes zebrados, de presidiários, e não as vestes talares da justiça) e a da sua cassação, na qual aliás Osmar Dias foi um dos mais aguerridos atores ao lado do vice Mário Pereira.
LIVROS De volta de uma viagem à Indonésia, o ex-secretário de Segurança e ex- chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, contou que está escrevendo um livro sobre a sua trajetória político-administrativa e especialmente a respeito das acusações da CPI do Narcotráfico e de sua prisão por dirigir alcoolizado, que atribui a inimigos. Candinho poderia ser um nome na sucessão estadual se a sua passagem pela Segurança o garantisse. Até hoje o único político do Paraná que fez carreira com esse tipo de escala (a chefia de Polícia) foi Ney Braga, em seguida eleito prefeito de Curitiba.
Espera-se que não fique na promessa, como se está dando com o seu antecessor na Casa Civil, Alceni Guerra, que, desde que saiu do Ministério da Saúde no governo Collor, promete um livro sobre o drama que viveu atacado de forma injusta pelos meios de comunicação até em cima de propostas realistas e à brasileira como a das bicicletas para agentes sanitários com capa e também, é claro, o guarda-chuva. Para um país que se nega a experimentar o médico descalço, essa idéia de pedalar recupera os bons tempos do ‘‘mata-mosquito’’.
LITORAL Ainda nestes dias de feriadão deu para perceber que há mais do que falta de charme aos nossos balneários. Em Guaratuba e Caiobá há imóveis em quantidade à venda. Afora as questões estruturais das praias (de forte risco por serem em mar aberto, poluição intensa, ocupação desordenada, ausência de atrativos como os de Santa Catarina) há ainda a má condição da BR-277, apesar do contrato de pedágio, caríssimo para o usuário, um verdadeiro assalto.
A consequência primeira de tudo isso é a queda do valor dos imóveis, apesar de Caiobá ter tido a metragem quadrada de construção das mais elevadas não apenas do Sul do País, e aquilo que se pode visualizar no fato de haver mais oferta do que procura em toda a extensão da orla.
ALGAS Lembro dos primeiros momentos da Usina do Capivari-Cachoeira quando encheram a barragem. Já havíamos, por este jornal, levantado alguns problemas pontuais de efeitos danosos ao meio ambiente. Entre outras coisas, a cobrança da formação do Parque do Capivari, iniciativa do médico e militante da causa, como voluntário, Edwino Tempski.
Previsões negativas se confirmaram: algas tomaram conta da bacia de acumulação, matando peixes e pondo em risco as turbinas, o que obrigou à convocação de equipes para a remoção do material. Foram testados a aeração da água por bombeamento e os combates químico e biológico.
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

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