Luiz Geraldo Mazza
O episódio ligado aos senadores paranaenses do PSDB é apenas notícia local. Apesar da dureza da medida, ela terá seus efeitos apenas no Paraná e se coloca a aura do martírio pessoal em Alvaro Dias (nem tanto em Osmar, sabidamente de menor apego a dramatismos) e leva ao esvaziamento da bancada federal, terá efeitos menos contundentes na Assembléia Legislativa e nas Câmaras Municipais nas quais tem sido notório, em maioria, o pragmatismo tucano nas relações com o governo.
Para Osmar, a situação é mais tranquila, pois além do convite do PMDB (que o deseja como candidato ao governo ou ao Senado num acerto com Requião) ele conta com um outro do PT nacional, interessado numa candidatura local que alavanque o nome de Lula mas que aqui encontra resistências. Aliás, dos quadros atuais do PT no Paraná, em que pese o desempenho na eleição municipal, não há um só nome que tenha a densidade do senador. Padre Roque, Vanhoni são algumas daquelas referências que confirmam a opção de maior conveniência por Osmar.
Mas se tudo fica bem para Osmar e ruim para Alvaro (todas as opções seriam negativas se postas na balança diante do eventual traço positivo), as coisas podem se complicar também para Requião, bastando que a tese, que sempre defendeu no partido, da candidatura nacional própria vier a chancelar Itamar Franco. Aí haveria o risco da intervenção se pusesse a carruagem partidária a serviço do PT e o sonho da aliança invencível (Osmar para o governo, Vanhoni e ele para o Senado pelo PT e PMDB, deixando a vice para negociações) iria por terra.
A mineirice costuma comparar o fluxo da política ao formato das nuvens, ora um cogumelo, ora um cavalo, por sua variabilidade. Ou ainda aquele clichê de referência ao tempo: daqui até terça-feira, data da decisão do PSDB sobre o que considera infidelidade, ou ainda até as outras convenções, muita água vai passar por baixo da ponte desse imponderável rio da política. E todas as previsões, até as mais cartesianas, poderão não ser confirmadas.
EPIGRAMA
Depois de vender a Copel chega a vez da Sanepar. E como nada disso resolverá o problema financeiro do Paraná, o que se listará para o leilão?
BIZARRICE Por que endurecem as votações para o governo na Assembléia, o que quase levou a Casa a ouvir o empresário Marcos Formighieri (por apenas um voto isso não aconteceu e justamente porque o proponente, Geraldo Cartário, saíra do plenário, o que levaria a matéria a empate e ao voto de Minerva do Hermas Brandão, o presidente) na sessão de terça-feira? Simples: os compromissos com os deputados são anunciados em parcelas (verbas orçamentárias, empregos etc) e a segunda delas ainda não foi atendida.
Haja trocadilho: da parcela não cumprida, uma procela pode vir, de imediato, e não a prazo, ao gosto do governo.
AXIOMA O crime está mais organizado do que a sociedade no que diz respeito a aspectos institucionais. Mais grave é o fato de a malha delinquente às vezes se arreglar com a do governo e se tornar tão íntima num parasitismo funcional. Mais ou menos o que a CPI do Narcotráfico mostrou aqui no Paraná e os recentes acontecimentos da Penitenciária Central o confirmaram já que é inaceitável a explicação sobre armas e celulares nas mãos dos amotinados.
GLOSA A Rede CNT está sob intervenção, mas assim mesmo mexe os pauzinhos para obter uma concessão em São Paulo, lá onde perdeu o apoio da TV Gazeta que lhe dava respaldo no mercado mais relevante do País. Foi mais uma das esperanças de o Paraná ter expressão própria e nacional na comunicação. Nesse aspecto já tivemos a revista Gráfica, do Mirandinha, que tinha prestígio mundial, e a publicação especializada Meio de Comunicação. Nenhum dos nossos complexos da área tem, por exemplo, a força de uma RBS em termos regionais.
Essas perdas se dão no processo de queda de autonomia do Paraná na área financeira com Badep, fechado por Alvaro Dias; Banestado, este por Lerner; e o Bamerindus, absorvido pelo HSBC. E não apenas por isso.
SPRAY Deputados e vereadores que já vinham apoiando Lerner e Taniguchi podem não acompanhar a debandada que se seguirá à possível expulsão dos Dias. - O esforço que o PSDB nacional faz contra a CPI da Corrupção é normalíssimo e não teria sentido que adotasse outra postura. Até porque paralisaria o País e só beneficiaria a oposição, especialmente Lula. - O peso desses argumentos não é suficiente para levar alguns senadores e até membros da direção partidária a desistirem de esforços para poupar Alvaro e Osmar. - Ruas próximas do Porto de Paranaguá se encontram em estado calamitoso e a prefeitura parece não dispor de recursos, ainda mais com a camisa-de-força da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), para dar atenção mínima ao problema. - Semana que vem, Pato Branco instala a sua Academia de Letras que como as demais de todo o interior age em comum acordo com a base universitária local. O indutor dessa onda é Túlio Vargas, presidente da Academia Paranaense de Letras.
FOLCLORE A revista Paraná em Páginas, de Cândido Gomes Chagas, em sua página amarela usou a expressão Pega Ladrão em análise sobre Lerner. Explicação de setores palacianos para o fato de o governo ter dado mais importância a um jornal-panfleto da esquerda basista ao ponto de apreendê-lo e processá-lo: o Candinho é inimigo de estimação, repetindo frase do próprio governador. É menas verdade, como diria o Lula. Cândido pegou no pé de Lerner desde os anos 70 sem descanso porque foi processado (ganhou na instância superior) e denunciado pelo então prefeito de Curitiba no SNI.
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