Luiz Geraldo Mazza
A preferência dos petistas pelo nome do senador Osmar Dias como candidato ao governo estadual, ainda mais se a sua presença e a do irmão Alvaro se tornarem inviáveis no PSDB, anima exercícios de futurologia com certeza da vitória. Far-se-ia uma chapa abrangente com Osmar na cabeça, Gustavo Fruet na vice, Requião numa das cadeiras e Vanhoni na outra para o Senado. O difícil seria acomodar tudo isso com a deliberada intenção de Alvaro em voltar ao Palácio Iguaçu. Osmar sempre defendeu a tese da unidade, ainda que jamais colocando o seu nome, embora se imaginando como postulante de uma das vagas da Câmara Alta.
Esse tipo de raciocínio dá o governo, ou a qualquer composição que com ele se vincule, como absolutamente morto. Anula a perspectiva de que o PT venha pretender mais nessa partilha sob o fundamento de ter ganho o último pleito municipal em função da votação de Curitiba e das vitórias em Londrina, Ponta Grossa e Maringá, e minimiza a possibilidade de Rubens Bueno pelo PPS vir a ser alavancado na dobradinha com Ciro Gomes para presidente. Há ainda os partidos menores que entram para negociar como o PSC agora de Gionédis, o PPB com um Tony Garcia aureolado pela CPI dos Grampos (há quem entenda que hoje ele tem essa possibilidade em maior escala do que quando disputou o Senado com José Eduardo Andrade Vieira e foi derrotado).
A hipótese da candidatura majoritária (Senado ou governo estadual) de Paulo Pimentel apresenta um dado curioso: a de que o ex-governador busca um partido fora da atual aliança governista o que revela que a saída do barco situacionista dentro em breve e pode lembrar a fuga dos ianques no Vietnã. A hipótese imaginada desse acordo entre PMDB e PT, hoje não mais um estepe, tenta simular um massacre diante do governo. Há complicadores porque normalmente em política a ânsia personalista a tudo se sobrepõe e acaba, na prática, desmascarando os gestos de renúncia e solidariedade sacrificada.
Não saindo a aliança PTB-PPS, descarta-se a chance de Rubens Bueno. Se os Dias ficarem no PSDB muda tudo e cai por terra a idéia do bloco invencível. O fato é que não há uma só simulação que projete a vitória do governo, mesmo que Cassio Taniguchi venha a ser o candidato, o melhor de todos.
AXIOMA
Nada como um Dias depois do outro. Presidente do PSDB, José Anibal, imaginando o cronograma da pacificação interna no seu partido
BIZARRICE Ameaça do governo de processar deputados que votarem contrariamente à privatização da Copel levou o deputado Caíto Quintana a desafiar o Palácio Iguaçu a fazer isso com ele em primeiro lugar. Eduardo Schneider diz que ao ser perguntado se nada temia, Caíto, gaúcho de frequentar CTG, responderia na base do vaneirão: A la putscha, tchê! Não se assustemos! Que no perigo a bala vem nós se abaixemos!
GLOSA Mais uma vez o governador perdeu ótima oportunidade de ficar calado. Tentou menosprezar o manifesto da Associação Comercial do Paraná (ACP) sugerindo que aquela era a posição da diretoria apenas, sem perceber que a decisão se baseou em pesquisa junto aos 8 mil associados, na qual 70% foram contra o leilão.
Pesquisas com o público em geral são mais fortes ainda, como se viu nas procedidas pela Globo Regional e que deram mais de 80%.
EPIGRAMA Aguardava-se ontem, com impaciência, a decisão da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) sobre o problema da venda ou não da Copel. Temendo que o engajamento do presidente da Fiep com o governo até outro dia seu secretário de Estado influísse na decisão, o pessoal do Fórum contrário especulava que ela seria favorável ao sistema. Não perderam por esperar.
SPRAY O coronel Vieira, da Casa Militar, e Gerson Guelmann, do Gabinete, já foram devidamente citados pela CPI e dão seus depoimentos terça-feira. - Como se vê, o governo é quem acumula energia na oposição: se esses auxiliares já tivessem falado seria um fato a menos para credenciar a CPI. - As famosas gravações de donos de jornais e jornalistas não serão periciadas, como estava programado, na Unicamp. Da mesma forma que o governo, também a CPI faz gols contra e esse, importantíssimo, é um deles. Como degravar fitas legalmente se não aparece o dono desse documento e como ouvi-las, mesmo em recinto fechado, sem cometer crime? - Muita reclamação na CBN Curitiba contra o abuso excessivo da iluminação do Condomínio Alphavile num momento de crise e de aconselhamento para poupar energia. - A América Latina, ferrovia, como não melhora a via permanente (volta e meia novos acidentes), atira-se agora em programas de relações públicas: em Paranaguá com a restauração da Estação histórica e na Lapa com a possibilidade de restabelecer o trenzinho de passageiros (não necessariamente a Maria Fumaça) uma vez ao mês.
FOLCLORE Especulava-se ontem na cidade que o prefeito Cassio Taniguchi teria entrado na onda de Lerner em torno agora da cassação dos vereadores que foram dar solidariedade ao jornal basista apreendido. Cassio não consegue contagiar Lerner com o seu Ibope de razoável para bom, mas o prefeito é contaminado com o baixo-astral governamental.
CROMO Não dá para imaginar no litoral de hoje do Paraná algo com a definição de uma das marinhas do Pancetti: o cenário é para preto e branco.
AFORÍSTICO Todo fundamentalismo é fascista. Pode até declarar-se socialista como se dá com um Kadafi, já que a embalagem não ocultará o conteúdo.
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