Luiz Geraldo Mazza
Além da reação explosiva do secretário de Governo, Campêlo Filho, por causa de um artigo em que condeno a sequência de burrices (apreensão dos jornais da CUT, as patuscadas cometidas no andamento da CPI da Telefonia, à qual o governo fornece mais nutrientes do que a oposição, o mandado de segurança contra o Poder Legislativo e a ameaça de processar deputados que votem contra a venda da Copel e de cassação dos que pediram a liberação dos panfletos), que o faz publicar em jornais a sua contestação sugerindo que no caso se glorifica o crime temos agora os radicais da oposição fazendo cobranças também. É que eles não concordam com uma afirmação minha de que o governo é mais burro do que corrupto.
O que é maior: a burrice ou a corrupção? Eis a questão. Não sou entendido em lógica, mas acho incompatível lavrar a corrupção com baixo QI, mesmo nos casos mais primários. Assim, pois, seriam antinômicas as duas posturas e não haveria o menor sentido em colocar em simetria valores antagônicos. Isso também não quer significar, porque a corrupção é oposta à burrice, que esta seja uma virtude, um valor a destacar.
Se os jornais basistas tivessem a circulação normal nesse público que já cultiva, por natureza, essa visão do governo, e que a reproduz no andamento das campanhas eleitorais, o fato não teria a mínima repercussão. É nesse sentido que encheu a bola de um setor de oposição que a sociedade normalmente minimiza por seu radicalismo e repetição de clichês e dele se afasta notoriamente nas campanhas eleitorais.
Tanto que foi aí o ponto em que Ângelo Vanhoni perdeu a eleição em Curitiba, embora a compensação gerada pela presença de Jaime Lerner no horário gratuito e que tirou a hipótese da vitória de Cassio Taniguchi ainda no primeiro turno. Ato de inteligência foi tirar Lerner da campanha. Mantê-lo seria uma sublime burrice.
Quando a burrice atinge o paroxismo, pelo fato de potencializar as armas de uma oposição sabidamente frágil, como se vê no caso dos grampos em que a inexistência de provas é suprida pelas ações desordenadas do governo, não há como dimensionar níveis de corrupção em tal parâmetro.
BIZARRICE
Em julho o governador vai à Europa participar de um encontro em que se discutirá a doutrina do sociólogo Domênico di Masi, centrada no ócio e, marcadamente, no criativo. É a pessoa indicada para falar do tempo livre, especialmente no exterior, porque ninguém gozou tanto, na história regional, de tal privilégio. Haja criatividade. E ócio, também
AXIOMA O governo estadual alega que se a Assembléia, por maioria decidir pedido de informações sobre o superfaturamento denunciado por Maria Elisa Paciornik ele responde. Dá para ter uma idéia com a resposta evasiva, escapista e dissimulada sobre os Jogos da Safadeza e que ontem chocou os parlamentares.
GLOSA O artigo escrito pelo secretário Campêlo Filho, que buscou ser uma resposta às minhas críticas de domingo, é um caso denso de metalinguagem, como se vê hoje nesta página. Na forma e no conteúdo.
EPIGRAMA Cassio Taniguchi atribuiu a si mesmo a nota 7 e ao seu aliado e governador, Jaime Lerner, 5. Nem a saudosa Márcia de Windsor, jurada de programas de tevê do passado, habituada a dar nota alta, chegaria a tanto.
GONGO O governo estadual foi salvo pelo gongo num pedido de intervenção com origem no descumprimento de um Precatório Requisitório (espólio de José Francisco Rodrigues) na sessão de sexta passada do Órgão Especial: a votação estava 12 a 12 e um dos julgadores, que se ausentara, voltou à sala e deu o voto que evitaria a intervenção.
Há quem diga que a palavra precatório, no Paraná, deveria ser percatório. A impressão é essa, a de perda.
TUCANO O programa do PSDB regional foi mais uma contribuição para que se tome uma providência urgente para reduzir drasticamente essas inserções tediosas e vazias que só fazem aumentar no povo a resistência aos políticos. Sacal, como de resto a maioria deles, incluindo o soporífero do PT.
De um modo geral lembram o culto à personalidade invocado por Kruschev para condenar os transbordamentos de Stalin.
SPRAY Houve um bom momento no programa do PSDB regional quando o senador Alvaro Dias, além de colocar-se favoravelmente, em função da crise, à proposta do seu colega Roberto Freire de suspensão das privatizações, defendeu que o BNDES volte a financiar o setor público na área de energia. Nota 10. - Por falar em Alvaro, ele vai ter alguns momentos promocionais por aqui quando da vinda da CPI do Futebol. Se fizerem cera e embaixadas é melhor que nem venham. - Da mesma forma é preciso levar em conta que pessoalmente tem um impedimento de ordem subjetiva para carregar nas tintas contra Onaireves Moura, seu desafeto, e que chegou ao cúmulo de ofender Dona Débora Dias com baixezas próprias de um marginal.
FOLCLORE Entre os arquitetos ele é olhado como decorador de ambiente e entre os decoradores como jurista. Essa incrível afirmação está no discurso de ontem do deputado Tony Garcia e tinha claque, tanto que houve aplausos. A figura analisada é o governador. Pelo jeito o Tony quer substituí-lo. E isso certamente nos dois sentidos.
CROMO Não apenas os seres reais são miméticos como a perereca que se funde ao verde das árvores ou ao bicho-pau que se camufla na galharia. Também isso se dá com gnomos e anjos como o meu neto, Ângelo Antonio, procura me mostrar e com abundância de detalhes.
AFORÍSTICO Aí o governista afirmou: não foi o governo que acabou, foi o mundo.





