Luiz Geraldo Mazza
O governo Lerner, tal qual se deu na Prefeitura de Curitiba, deseja unidade de ação e de pensamento. Tanto que a publicação da Análise Conjuntural do Ipardes, ao contrário da anterior que mostrou dados reais e críticos que apontavam que 70% dos investimentos ficariam na Grande Curitiba, passou à badalação em matérias que delineavam cenários para os próximos anos.
Já anteriormente, na edição da revista daquele instituto, houve tentativa, em nome da verdade confessional (e Lerner sempre se ligou nisso, tendo horror pânico de autocrítica), de censura e boicote, contra uma artigo que nada tinha de político e era dotado de rigor acadêmico, mas trazia elementos que levaram a direção do órgão à distonia neurovegetativa, suores nas mãos.
Essa prática anda meio generalizada no interior do governo e o papel de patrulheiros só poderia ser exercido por áulicos que existem em número superior à massa crítica disponível. Numa das mostras de um museu de arte, por exemplo, o texto de apresentação foi vetado porque continha referências que poderiam longinquamente ser interpretadas como opostas à verdade oficial.
Como compatibilizar isso com os esforços do João Elias de Oliveira na condição de Ouvidor, que descentraliza a instituição, dá-lhe capilaridade no empenho em ampliar essa ponte com o público, é que são elas. Para que saber o olhar externo sobre essa coisa informe, que é o governo, se no seu interior não há lugar para a crítica?
O pior para todos é que temos uma oposição incompetente, inepta mesmo, e certa de que a sua prioridade é se agarrar, no caso do PMDB, no salva-vidas que é Requião para segurar pelo menos alguns dos mandatos disponíveis. Essa dinheirama toda, captada pela Copel, de repente na linha do raciocíonio de Gionédis, de que não há dinheiro marcado e que tudo pode ficar num caixa comum, acaba desviada para outros fins e ninguém fica sabendo de nada.
Precisávamos justamente agora de avaliações do Ipardes sobre a advertência do IBGE quanto à explosão demográfica na Grande Curitiba e ainda nos demais centros como Londrina, Maringá, Foz do iguaçu e Ponta Grossa e não as teremos enquanto os exegetas oficiais, à base de acrobacias e sofismas, não derem a interpretação conveniente às coisas. Para orgulho do Ipardes, é oportuno lembrar que em 1980 as suas previsões do Censo se aproximaram da realidade, enquanto oficialmente o governo, usando projeções da Copel, indicava que teríamos 10 milhões de habitantes, o que não alcançamos ainda, quando mal passamos dos 7 milhões e meio.
O Ipardes é uma instituição permanente a serviço do governo e não do rei de plantão ou do seu séquito e está credenciada, por seus méritos ao longo do tempo, no campo técnico e doutrinário, a prestar essa assistência não apenas ao poder público, mas a toda a sociedade, empresários e estudiosos. Qualquer restrição que se faça às suas operações é, desde logo, uma violência contra a inteligência e a apuração da verdade, importantíssima num governo que cada vez se torna mais virtual.
BIZARRICE Uma piada maldosa nos meios políticos sugere que Jaime Lerner se perdeu em Joinville (quem sofre um acidente em Londres está sujeito a esse tipo de adversidade) e ao buscar informações sobre a saída para o Paraná ouviu, espantado, a resposta: Lá como aqui em Santa Catarina, a saída é mudar o governador o quanto antes. Rubinho Ferreira conta essa na praia de Guaratuba e se rola de rir.
UMA AULA Rafael Greca, da Casa Civil, deu uma aula em Colombo para deputados e colonos a respeito da exploração do Karst, citando exemplos históricos que justificavam as ações da Sanepar com avaliações sobre geologia e águas subterrâneas.
A propósito há alarmismo exagerado em torno do assunto: a estiagem responde mais pela seca dos tanques, poços e rios do que a exploração. O estudo, que junto com a exploração chegará a R$ 20 milhões, prova que o sistema dará 4 mil metros cúbicos por segundo quando estava gerando apenas 114 metros cúbicos.
É bem possível que para acabar com a onda, a Sanepar se veja obrigada a desapropriar áreas dos colonos para garantir a exploração.
SPRAY O IPM sobre o massacre de Campo Bonito pode ser reaberto pelo fato de que há matéria nova surgida em declarações no processo cível em que Joni Varisco afirma ter ouvido o governador ter dado a ordem de execução bem como o depoimento de sem-terra, afirmando que um dos PMs ameaçou matar Teixeirinha e pendurar a sua cabeça num poste. - Era estranho que num evento, em que houve quatro mortes, tivesse ocorrido o arquivamento do processo. A Pastoral da Terra, através do advogado Darci Frigo, também requereu a reabertura. - Por falar em questões de terra esse será um dos primeiros desafios de Lerner em seu retorno hoje. Amanhã deverá conhecer os dados geopolíticos da situação e saberá da acusação genérica da UDR de que a sua omissão é que incentiva a série de invasões, especialmente no Noroeste. - Lá, a Secretaria de Segurança mandou um delegado barra pesada, apelidado de Bradock, para Querência do Norte. Bastou endurecer um pouco e assentados entraram em pânico.
FOLCLORE PDT amenizou exigências a Lerner: ele pode restabelecer a aliança de 94 à exceção do PSDB. Se ao optar por FHC, quando Brizola era candidato, não foi punido e nem censurado, não haveria por que fazê-lo agora. Lerner vai pedir, mesmo com essa colher de chá, moratória para sua reflexão.





