Luiz Geraldo Mazza
O governo não suporta investigações. Demonstrou-o no caso específico da CPI da Copel-Sercomtel quando obteve, pela maioria aliada, hoje mais difícil de ser reconstituída, a reversão do processo. É tolerante, no entanto, com os desvios. Tanto que promoveu o autor das patologias da Banestado Leasing a secretário de Estado. Não enxergava nada do que ocorria na área de Segurança porque numa deserção de suas responsabilidades permitiu que um setor do Legislativo assumisse tais prerrogativas e que acabaram redundando naquele vexame revelado pela passagem da CPI nacional por aqui e que o obrigou a afastar toda a cúpula da Polícia Civil. Que tipo de potencialização há tanto num caso quanto no outro?
Também não enxerga como burrice a ameaça que está fazendo a deputados (seria de perdas e danos e lucros cessantes?) na hipótese de a privatização da Copel vir a ser negada, valendo-se de uma visão jurídica, contestada por nossa maior autoridade em Direito Constitucional, o mestre ClSmerson ClSve, que deu a explicação primária de que inexiste direito adquirido do Estado contra o Estado. O direito adquirido, imaginado pelo oficialismo, seria a autorização que a legislatura passada teria dado ao governo para leiloar a Copel.
E ainda se acha com plenas razões de tentar o enquadramento dos deputados que foram à Delegacia para liberar os jornais como constrangedores do delegado e para fins de cassação por falta de decoro. É preciso mais para ver o óbvio?
FOLCLORE
Renato Aragão não estaria recebendo notícias do Paraná porque elas comprovariam que ele é um iniciante em matéria de trapalhadas
BIZARRICE Em meio às homenagens a Fernando Fontana pelo Movimento Pró-Paraná, não escapou a muitos dos presentes o fato de a banda da Polícia Militar haver executado uma peça dos Beatles denominada Você não pode comprar meu amor! o que foi interpretado pelos mais sutis como um recado político. Só falta agora o setor mais paranóico pedir um IPM para julgar tal subjetividade.
AXIOMA Rio Branco do Sul está em pé de guerra contra a saída do folclórico, mas eficiente, delegado Bradock: um abaixo assinado com 3 mil apoios foi mostrado ontem na Assembléia Legislativa. Diz-se que a moeda de troca do caso teria sido o voto do deputado Carlos Simões pela privatização da Copel. Há matérias criminais importantes em exame que vão do cemitério de peças de veículos à morte do político do PPS, o Donha.
Há em andamento naquela delegacia, situada num área em que o crime organizado deitou raízes, como se dá em amplas áreas da Região Metropolitana, pelo menos sete procedimentos investigatórios relevantes.
GLOSA O cronograma de esvaziamento humano (e de trabalho) de Itaipu fez de Foz do Iguaçu um foco de calamidade em matéria de marginalismo sem perspectiva de solução a médio prazo. Incrível que antes dela, embora sem a sua dimensão, o País não tivesse criado um modelo para enfrentar essa sequela social esperada com as numerosas usinas desenvolvidas desde o fim dos anos 50.
EPIGRAMA Ontem o deputado Geraldo Cartário denunciou as perdas que tivemos com a passagem do Banestado para o Itaú, a mais grave delas na transferência de recursos regionais para São Paulo. Como o Paraná perdeu seus mais importantes complexos financeiros (Badep, Bamerindus e Banestado) não vai ser fácil ampliar o nosso já limitado poder de autonomia.
O mais grave a acrescentar é que essa deficiência logística se dá justamente no momento em que o Paraná muda o seu modelo de desenvolvimento industrial e rompe a dependência com São Paulo. Rompe de um lado e se amarra no outro.
SPRAY Quem dá plasma à CPI dos Grampos é mais o governo do que a suposta oposição. - A reação do presidente do Legislativo, Hermas Brandão, embora ligado à base aliada, defendendo as ações da CPI, é de fidelidade ao Poder, o mínimo que se espera de um dirigente parlamentar. - Ribas Carli (PPB), chamou o senador Requião de boneca por causa da suposta lista do JB. Imaginem só a profundidade do debate com os digladiantes se chamando de bonecas. - Vem aí o listão da CPI do Futebol (duas, uma da Câmara, outra do Senado) que flagra gente da terra. - Lindolfo Luiz, durante décadas dirigente da Globo regional, está elaborando um livro. Espera-se que fale dos bastidores como os decorrentes da passagem da programação do Canal 4 (de Paulo Pimentel) para o 12 (Cunha Pereira-Edmundo Lemanski), que rendeu choro e ranger de dentes.
CROMO Na valeta a céu aberto: o reflexo da lua e a flor no meio da gordura.
AFORÍSTICO Para o erro, vê-se agora, não há limites.





