Luiz Geraldo Mazza
Hoje há sessão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça e da pauta consta o exame, que está sendo feito em capítulos como uma novela, do mandado de segurança dos funcionários do Judiciário que estende a reposição de 30,74% a todos os servidores, alvo de acordo com alguns privilegiados. Na verdade, o ganho, admitido no STF, é de 53,06% como reposição. A cada sessão aparece alguém pedindo vistas, o que posterga a solução da pendência.
Apenas dois desembargadores negaram o pedido. O último pedido de vista foi do desembargador Jesus Sarrão, com a preliminar de que a Paraná Previdência deveria se manifestar. Essas informações não convenceram o Ministério Público, que se manifestou a favor de que a reposição deva beneficiar a todos por uma clara imposição do princípio de isonomia (igualdade).
O governo tenta ganhar moratória e essa protelação até agora o favorece, mas a coisa está se afunilando e, se não houver novo pedido de vistas, a decisão pode sair hoje. Os interessados estão mobilizadíssimos e andam até misturando as coisas, já que na sua concentração, desde às 9 horas, vão colher assinaturas em frente ao Tribunal de Justiça contra a privatização da Copel.
Há um clima generalizado de paranóia: o governo teme mais o que imagina estar nas mãos da oposição por seus próprios transbordamentos do que possa existir efetivamente. Por exemplo: fala-se, há muito, numa gravação de uma conversa de um ex-secretário e dirigente do Banestado com gente da familiaridade do Palácio. Pode não passar de um exercício de terror, o que, no entanto, é suficiente para levar o sistema inteiro ao pânico. Consciente dos erros que cometeu, teme que as provas documentais estejam na mão de adversários.
A apreensão dos jornais da CUT e que pregam algo que pode acontecer com qualquer homem público, tanto que existem pedidos, pelo menos dois, de impeachment do governador revela esse temor pânico. Uma inocuidade, pois esse público, que iria receber as mensagens, ainda que caluniosas (o que cabe à Justiça decidir e não ao Executivo) é da clientela do contra e o ato de violência praticado ainda confere aos seus autores a aura vitimalista e até de martírio, o que esse tipo de mensagem está longe de merecer.
O cronograma do desespero se estreita: virão novas apurações dos grampos, os auxiliares coronel Vieira e Gerson Guelmann terão que comparecer de qualquer modo; teremos panelaço de barnabés e marcha em defesa da Copel; sai também a reposição dos judiciários; as sequelas dos prejuízos das prefeituras com a execução de dívidas do Banestado tudo parte do acervo lerneriano e assim por diante. Como o rastro do Belinati e do Paolicchi. Nem descarrego salva.
BIZARRICE
Afinal, o senador Roberto Requião se absteve de votar na cassação do Luiz Estevão ou tudo não passa de terrorismo, arma que habitualmente usa contra os desafetos reais e imaginários?
AXIOMA O governo é acusado de grampear telefones e, agora, de tirar a qualidade da água consumida pelo público. Está por um fio ou entrou mesmo pelo cano.
GLOSA O jornal cutista é apreendido por fiscais da receita estadual e quem divulga o seu conteúdo é um secretário de governo. E o inquérito fica a cargo de uma delegacia de desvio de cargas. Haja desvio de funções.
EPIGRAMA A revista Paraná em Páginas, nº 436, mostra nas páginas amarelas o rosto de Lerner e em letras garrafais Pega ladrão!. Essa não foi apreendida e se isso acontecer será pior do que os grampos a ira do Cândido Chagas: ganhou na Justiça, última instância, o direito de chamar Lerner de acobertador de falcatruas, ainda no tempo risonho da prefeitura. Esse é um Candinho quentíssimo, candidez ao avesso.
SPRAY Até as notícias positivas prejudicam o governo aziago: a baixa do percentual de gastos com o funcionalismo, distante das exigências da Lei Camata, assanha os movimentos de reajuste que não são poucos. - Apesar do alertamento do secretário Miguel Salomão, do Planejamento, ontem não importunado pelos oposicionistas de ocasião, de que não há folga para ajustes. - Mais um ano e dá para entrar na paródia da poesia bíblica: sete anos de pastor Jacó serviu a Labão para levar Rachel e ficou com Léa e pra ficar com a outra mais sete. Aumento só daqui a catorze anos, se é que boa parte não entra no Plano de Demissão Voluntária (PDV). Há uma piada na praça de que o governador, para dar o exemplo, deveria aderir em primeiro lugar. - 3.300 na fila do concurso de juiz substituto dia 10 no campus da Católica. - Na proporção de 80 candidatos por vaga sai o concurso de técnico judiciário: 6.432 inscritos. Em junho será aberto outro para a mesma função no Tribunal de Alçada. - Bate-chapa em outubro no Clube de Oficiais da Polícia Militar: o coronel Hatschbach disputa reeleição e já há um outro postulante, o coronel Cesar Aimoré. A candidatura chapa branca não está definida. Nesses pleitos, mesmo que não se o deseje, temas políticos aparecem, já que a PM tem a imagem gravemente afetada pelas ações e omissões do atual governo. - Quando houve a morte de Alfredo Gotardi (Caju), um dos maiores goleiros do Brasil, biógrafos de plantão sugeriram que ele só envergara a camisa do Atlético Paranaense. Paraná em Páginas deste mês mostra na capa Caju em 1931 como goleiro do Savóia, que se mudaria para Brasil, Água Verde, Pinheiros e, com a fusão do Ferroviário e Colorado, em Paraná. Bom tema para motivar a decisão deste fim de semana. - Setores sérios da Polícia Civil aborrecidos com o esforço para tirar do estatuto da classe a questão disciplinar. Como se essa necessidade já não se impusesse bastaria lembrar os efeitos da passagem da CPI Nacional por aqui. Que nada tem a ver com as laranjas daqui. - Prefeitura está colhendo dados na URBS para mexer nas tarifas de transportes coletivos. Um setor se animou com o aumento havido em São Paulo e são visíveis sinais de mexida na frequência dos veículos.
FOLCLORE Quando largaram por aí que Requião se abstivera de votar no caso da cassação do senador Luiz Estevão, o mosqueteiro tempo integral Doático Santos deu o repique, ao saber que o JB divulgara a lista: Só pode ser daqueles JB falsificados do Paraguai.
CROMO Água de cheiro, pelo jeito, é agora especialidade paranaense sem qualquer participação de O Boticário, zeloso com o meio ambiente.
AFORÍSTICO E o vexame oficial de hoje qual será? Afinal estamos no fim de semana e, de certa forma, dos tempos.





