Hoje há sessão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça e da pauta consta o exame, que está sendo feito em capítulos como uma novela, do mandado de segurança dos funcionários do Judiciário que estende a reposição de 30,74% a todos os servidores, alvo de acordo com alguns privilegiados. Na verdade, o ganho, admitido no STF, é de 53,06% como reposição. A cada sessão aparece alguém pedindo vistas, o que posterga a solução da pendência.
Apenas dois desembargadores negaram o pedido. O último pedido de vista foi do desembargador Jesus Sarrão, com a preliminar de que a Paraná Previdência deveria se manifestar. Essas informações não convenceram o Ministério Público, que se manifestou a favor de que a reposição deva beneficiar a todos por uma clara imposição do princípio de isonomia (igualdade).
O governo tenta ganhar moratória e essa protelação até agora o favorece, mas a coisa está se afunilando e, se não houver novo pedido de vistas, a decisão pode sair hoje. Os interessados estão mobilizadíssimos e andam até misturando as coisas, já que na sua concentração, desde às 9 horas, vão colher assinaturas em frente ao Tribunal de Justiça contra a privatização da Copel.
Há um clima generalizado de paranóia: o governo teme mais o que imagina estar nas mãos da oposição por seus próprios transbordamentos do que possa existir efetivamente. Por exemplo: fala-se, há muito, numa gravação de uma conversa de um ex-secretário e dirigente do Banestado com gente da familiaridade do Palácio. Pode não passar de um exercício de terror, o que, no entanto, é suficiente para levar o sistema inteiro ao pânico. Consciente dos erros que cometeu, teme que as provas documentais estejam na mão de adversários.
A apreensão dos jornais da CUT – e que pregam algo que pode acontecer com qualquer homem público, tanto que existem pedidos, pelo menos dois, de ‘‘impeachment’’ do governador – revela esse temor pânico. Uma inocuidade, pois esse público, que iria receber as mensagens, ainda que caluniosas (o que cabe à Justiça decidir e não ao Executivo) é da clientela ‘‘do contra’’ e o ato de violência praticado ainda confere aos seus autores a aura vitimalista e até de martírio, o que esse tipo de mensagem está longe de merecer.
O cronograma do desespero se estreita: virão novas apurações dos grampos, os auxiliares coronel Vieira e Gerson Guelmann terão que comparecer de qualquer modo; teremos panelaço de barnabés e marcha em defesa da Copel; sai também a reposição dos judiciários; as sequelas dos prejuízos das prefeituras com a execução de dívidas do Banestado – tudo parte do acervo lerneriano e assim por diante. Como o rastro do Belinati e do Paolicchi. Nem descarrego salva.
BIZARRICE
Afinal, o senador Roberto Requião se absteve de votar na cassação do Luiz Estevão ou tudo não passa de terrorismo, arma que habitualmente usa contra os desafetos reais e imaginários?
AXIOMA O governo é acusado de grampear telefones e, agora, de tirar a qualidade da água consumida pelo público. Está por um fio ou entrou mesmo pelo cano.
GLOSA O jornal cutista é apreendido por fiscais da receita estadual e quem divulga o seu conteúdo é um secretário de governo. E o inquérito fica a cargo de uma delegacia de desvio de cargas. Haja desvio de funções.
EPIGRAMA A revista ‘‘Paraná em Páginas’’, nº 436, mostra nas páginas amarelas o rosto de Lerner e em letras garrafais ‘‘Pega ladrão!’’. Essa não foi apreendida e se isso acontecer será pior do que os grampos a ira do Cândido Chagas: ganhou na Justiça, última instância, o direito de chamar Lerner de ‘‘acobertador de falcatruas’’, ainda no tempo risonho da prefeitura. Esse é um Candinho quentíssimo, candidez ao avesso.
SPRAY Até as notícias positivas prejudicam o governo aziago: a baixa do percentual de gastos com o funcionalismo, distante das exigências da Lei Camata, assanha os movimentos de reajuste que não são poucos. - Apesar do alertamento do secretário Miguel Salomão, do Planejamento, ontem não importunado pelos oposicionistas de ocasião, de que não há folga para ajustes. - Mais um ano e dá para entrar na paródia da poesia bíblica: sete anos de pastor Jacó serviu a Labão para levar Rachel e ficou com Léa e pra ficar com a outra mais sete. Aumento só daqui a catorze anos, se é que boa parte não entra no Plano de Demissão Voluntária (PDV). Há uma piada na praça de que o governador, para dar o exemplo, deveria aderir em primeiro lugar. - 3.300 na fila do concurso de juiz substituto dia 10 no campus da Católica. - Na proporção de 80 candidatos por vaga sai o concurso de técnico judiciário: 6.432 inscritos. Em junho será aberto outro para a mesma função no Tribunal de Alçada. - Bate-chapa em outubro no Clube de Oficiais da Polícia Militar: o coronel Hatschbach disputa reeleição e já há um outro postulante, o coronel Cesar Aimoré. A candidatura ‘‘chapa branca’’ não está definida. Nesses pleitos, mesmo que não se o deseje, temas políticos aparecem, já que a PM tem a imagem gravemente afetada pelas ações e omissões do atual governo. - Quando houve a morte de Alfredo Gotardi (Caju), um dos maiores goleiros do Brasil, biógrafos de plantão sugeriram que ele só envergara a camisa do Atlético Paranaense. ‘‘Paraná em Páginas’’ deste mês mostra na capa Caju em 1931 como goleiro do Savóia, que se mudaria para Brasil, Água Verde, Pinheiros e, com a fusão do Ferroviário e Colorado, em Paraná. Bom tema para motivar a decisão deste fim de semana. - Setores sérios da Polícia Civil aborrecidos com o esforço para tirar do estatuto da classe a questão disciplinar. Como se essa necessidade já não se impusesse bastaria lembrar os efeitos da passagem da CPI Nacional por aqui. Que nada tem a ver com as ‘‘laranjas’’ daqui. - Prefeitura está colhendo dados na URBS para mexer nas tarifas de transportes coletivos. Um setor se animou com o aumento havido em São Paulo e são visíveis sinais de mexida na frequência dos veículos.
FOLCLORE Quando largaram por aí que Requião se abstivera de votar no caso da cassação do senador Luiz Estevão, o mosqueteiro tempo integral Doático Santos deu o repique, ao saber que o JB divulgara a lista: ‘‘Só pode ser daqueles JB falsificados do Paraguai.’’
CROMO Água de cheiro, pelo jeito, é agora especialidade paranaense sem qualquer participação de ‘‘O Boticário’’, zeloso com o meio ambiente.
AFORÍSTICO E o vexame oficial de hoje qual será? Afinal estamos no fim de semana e, de certa forma, dos tempos.

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