Luiz Geraldo Mazza
O aperto sufocante a que é submetido o governo na administração do caixa o levou a um gesto dramático: a reserva dos duodécimos do 13º dos barnabés, que estava em conta bloqueada, foi utilizada, o que não aconteceria se Miguel Salomão estivesse ainda na secretaria da Fazenda. Essa provisão era uma cautela técnica e que permitiu ao governo, que dá seguidos vexames em matéria de cumprimento de obrigações (empreiteiros, fornecedores e prestadores de serviços todos recorrendo à reza, a promessas, para ver se um dia terão seus créditos pagos), comportar-se dignamente no fim do ano ao atender com a seriedade devida a gratificação natalina que pelo menos suaviza o impacto do arrocho geral e irrestrito.
Um jornal oposicionista acusou o fato, dizendo que R$ 80 milhões haviam sido desviados para outras finalidades. Quando a imprensa foi ao Olimpo saber junto aos deuses se aquilo era verdade, o secretário Gionédis, improvisado numa área que não é a sua, como se vê pela insistência em que afirma ser possível aumentar a arrecadação, disse que o dinheiro público não é marcado. Esse era, como seu antecessor Miguel Salomão insistia em esclarecer. Outra coisa: mostrava também que o problema da área não é o da receita, mas o da despesa, pois aquela atingiu um ponto de inelasticidade, a não ser que se aumente a taxação sobre o ICMS. Como o governo teve o peito de gastar R$ 120 milhões em ôba-ôba propagandístico num ano dá para perceber que não há orçamento que suporte essa cupidez pantagruélica, isso sem falar em absurdos com aquele saque de R$ 1 milhão do Banestado para socorrer a novela caríssima e muito mal articulada dos Jogos da Natureza.
Infelizmente, por tradição desse estado de baixa politização, não temos aquele mínimo de oposição para o exercício da democracia. E de repente como pegaram a provisão de caixa do 13º irão em cima dos recursos da Copel, obtidos com a venda das ações, a despeito de existir destinação prévia em lei, como lembrou, diversas vezes, o senador Roberto Requião.
Lerner sabe porque gosta de viajar: no exterior despressuriza, ainda mais quando lhe afagam o ego com homenagens, pois aqui não apenas desconhece o rumo a tomar em relação ao quadro financeiro, já que também não sabe o que dizer ao Brizola se pintar por aqui para saber se já terminou a sua reflexão. Mais longa, aliás, do que a de Moisés quando subiu ao monte Sinai para receber as tábuas da lei do Senhor.
BIZARRICE A deselegância de secretários, aqueles que se reuniram no chapéu anaencefálico, relativamente à governadora em exercício, não chegou a ser um incêndio, como desejaram alguns, mas foi pelo menos um fogo fátuo, boitatá, rapidamente soprado pela sutileza de dona Emília. Ela lembrou que não existe o verbo vice-governar, forma delicada, e apropriada ao seu estilo, de lembrar que o governo é uno e indivisível, regra que a todos obriga, dos mais sérios aos puxa-sacos. E por extensão sugerir que a desincompabilização pode manter-se nos termos atuais e ela ficar mais tempo no governo. Bingo.
SPRAY Terça feira a Sanepar perdeu a paciência com as inadimplências do presidente da FPF, Onaireves Rolim de Moura, e arrancou de lá o hidrômetro, cortando o suprimento de água do mausoléu do futebol paranaense.- Ela se viu impelida ao gesto radical porque a FPF detonou o lacre do sistema por mais de uma vez.- Sua festa de depois de amanhã, fôssemos um país sério, operaria como uma espécie de baile da Ilha Fiscal que precedeu a queda da monarquia. Ocorre que há 84 distribuições de processos contra a FPF por falta de pagamento, isso sem falar nos protestos e ainda em dezenas de ações como a do Atlético que exige mais de R$ 3 milhões.- O PC do B do Paraná se recusou a utilizar a raspadinha para formar fundos. Aliás se a loteria fosse só para militantes aqui no Paraná daria muito pouco, embora a suposta penetração do partido no meio estudantil.- Requião insistiu em que gastou apenas R$ 20 mil em sua campanha. Apesar dessa proclamada austeridade, a demanda em torno daquele cheque de 900 mil dólares prossegue na justiça com as diligências solicitadas pelo magistrado que julga a ação do advogado Renê Dotti contra seu ex-colega Rodolpho Hey.- Em Guaratuba um cidadão teve a água cortada: a conta era de R$ 60 e acabou custando uma fortuna com a multa e a taxa de religação.- Por sinal que, ao contrário da Copel e Telepar, que cobram taxa de 2% de multa por atraso, a Sanepar ainda emprega os tradicionais 10%, apesar daquela instrução do presidente FHC.- Na Globo, ontem, uma confusão: a jornalista Miriam Leitão, ao falar sobre o desequilíbrio da balança neste mês e atribuí-lo com razão à Petrobrás, disse que o porto de Paranaguá há dois dias não embarcava uma saca de soja. Em primeiro lugar soja não é mais, há muito tempo, ensacada. Em segundo Paranaguá, neste ano, embarcou 3 milhões de toneladas de soja, enquanto Santos não passou da metade. Só um navio está, há dois dias, carregando 55 mil toneladas.-
FOLCLORE O entusiasmo da oposição nacional em torno do nome do ministro Sepúlveda Pertence como candidato presidencial para enfrentar FHC prova a falta de perspectivas e carência de quadros. Apesar do prenome estranho, o nome ajuda, tanto que dava um teaser bem sacado: O futuro a Sepúlveda pertence. Quando do julgamento do caso Ferreirinha, Cícero Catani deu a manchete do Correio de Notícias assim: O futuro de Requião a Sepúlveda pertence.
CROMO E este pássaro, tié sangue, que pousa pela terceira vez diante de mim e me impede, pela contemplação, de perceber as beliscadas de isca dos lambarís feitos dourados por este falso inverno?





