Luiz Geraldo Mazza
A CPI dos Telefones, já denominada dos Grampos, tentou acertar a mosca do tiro ao alvo e atingiu um avião. O depoimento da ex-secretária de Administração Maria Elisa Paciornik foi contundente ao mostrar a intimidade e as rotinas do poder na questão dos superfaturamentos que obviamente poderiam se dar também em outros setores, mais rentáveis e dinâmicos, do governo. Ela falou especialmente de duas coisas relevantes: os contratos de informática e de aluguel de veículos (duas empresas monopolizam a área e são contribuintes das campanhas eleitorais) e em função disso o foco da CPI pode mudar.
Por que o grampo na secretaria se não, entre outros objetivos, o de monitorar justamente as relações negociais? Isso tudo não deixa de ser irônico porque agora estamos diante de um Estado falido e que se permitiu aventuras diabólicas que não se limitaram à sordidez havida no Banestado, aquela uma operação de corsários. Maria Elisa fala da sua surpresa, num momento em que se buscava economia por força do propalado ajuste fiscal, em que descobriu casos de alterações de até 400% nos contratos.
Claro está que se o assunto for levado à CPI, o governo irá mobilizar a sua tropa de choque para mostrar que o tema foge à alçada da investigação, no que, aliás, terá razão com um argumento sólido para mais um escapismo. Espera-se também mais emoção, como o ato da prisão do gerente jurídico da Telepar, logo depois relaxada por um exército de advogados, agora com um encapuzado narrando artes de grampeamento.
O pior é que o próprio governo é quem alimenta a CPI: ora com narrativas como a da secretária Maria Elisa, que exibem a anatomia do sistema viciado, aquele que operou com extrema eficiência na Leasing e na Corretora, ora com os gols contra do Gerson Guelmann sobre a fita que denunciava o jornal de campanha de Roberto Requião ou aquela do Greca de que Lerner não suporta deputados ao vivo quanto mais em gravações. Chamam a CPI de Circo Garcia, mas quem continua bem nas artes de palhaçadas, acrobacias e prestidigitação é o lernerismo.
BIZARRICE
Justiça poética: Lerner explorou à exaustão a bronca dos professores contra Alvaro Dias por causa das bombas no Centro Cívico, e agora as mulheres dos militares juntas com as mestras hostilizam o governador, como se deu ontem em Paranaguá, em ato visto pelo ministro Padilha, dos Transportes
AXIOMA Como professores e policiais militares estão unidos só falta agora dar ao governador a Medalha de Pacificador.
GLOSA Presidentes das associações de magistrados e do Ministério Público já se manifestaram publicamente em oposição à venda da Copel. O presidente da OAB-PR, apesar da votação majoritária do Conselho (22 a 17), quer um manifesto sem hostilidade e, se possível, elegante.
EPIGRAMA O PFL surgiu para justificar o abandono do PDS. E agora o que essa turma vai fazer para mascarar a saída do PFL?
DEMOCRACIA Nossas principais lideranças têm uma visão oportunista do que deva ser a democracia: Alvaro Dias e Requião concorreram, em convenção nacional do PMDB, como candidatos presidenciais e perderam. Recusaram-se, porém, a apoiar o vencedor certamente porque se acham o homem providencial. Num aspecto Requião é melhor do que Alvaro: ficou sempre no mesmo partido, enquanto o outro chegou a improvisar legendas (PST, PP) para deitar e rolar.
SPRAY Semana entrante, mais arrepios na CPI dos Grampos: agora, além de um encapuzado, garantido pelo sistema de proteção a testemunhas, teremos os depoimentos do coronel Vieira e de Gerson Guelmann. - Áulicos andavam querendo convencer o governador a andar à vontade pelas ruas, enquanto outra ala sugeria carro blindado. As cenas de ontem em Paranaguá indicam que ela vai se repetir em todo e qualquer lugar. É o bumerangue do que houve com Alvaro Dias no caso dos professores. - Até com elmo é risco andar por aí: acabariam usando um abridor de latas de sardinhas só por puro terrorismo. - Vai bem o presidente da Assembléia, Hermas Brandão, em pretender maior presença e controle sobre as concessões (tarifas de água, energia, pedágio) públicas antes de decretadas. Pode até não emplacar: vale como suspeita e partilha de responsabilidades. - O deputado Neivo Beraldin, às turras com o Tribunal de Contas, parece ignorar que aquele órgão, por tradição, faz restrições doutrinárias e técnicas e após sugere a aprovação das contas. Caberia ao deputado se aprofundar na restrição. - O presidente Rafael Iatauro, do TC, preocupado com transparência, deveria aceitar uma convocação parlamentar com a maior tranquilidade, dando exemplo numa relação até aqui tão formal que anda próxima do formol. - Junho: Conselho Estadual de Entorpecentes, reunido ontem, programa a Semana Internacional Antidrogas e o Conselho Estadual do Idoso vai em seminário tratar dos direitos do idoso, teoria e prática. Neste caso, exame dos 100 dias da lei que privilegia maiores de 65 anos no andamento de feitos judiciais. - Se sair a decisão judicial dos 30,74% ou 53,06%, em favor dos judiciários, o Estado quebra mesmo e ela, apesar das protelações, está próxima.
FOLCLORE Há quem esteja convencido que Lerner, com a queda de ACM, é uma das soluções presidenciais para o PFL. Solução para o governador até pode ter. Não existe e isso de forma alguma essa hipótese para o PFL.
CROMO O mais autêntico secretário de Meio Ambiente seria o Fauno ou o Pan. E o mais definido ecologista teria lianas e musgo em lugar de pêlos.
AFORÍSTICO Só falta agora, depois da aliança de PMs e professores, a adesão da turma dos sem-terra.





