Luiz Geraldo Mazza
Como a Telepar se fecha na retranca para impedir, de todas as formas, que as suas omissões no caso do grampo no telefone da secretária Maria Elisa, da Administração, fiquem nítidas, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) não há outra alternativa que não seja a de pressionar a sua hierarquia e saber, com todos os detalhes, o havido em 1999. Há presunção de que parte da hierarquia do governo teria se entendido com a concessionária, tantas são as contradições e os esforços para reduzir ao mínimo um problema grave que deveria, antes de tudo, chegar ao conhecimento da polícia até porque o Ministério Público e a Procuradoria-Geral do Estado dele tinham pleno conhecimento.
O jogo sinuoso da Telepar levou os membros da CPI à máxima irritação ao ponto de haver a disposição de, ao mínimo sinal de dissimulação e mentira, botar alguém na cadeia. O clima ontem no Legislativo estava caminhando nessa direção, o que pode até tumultuar ainda mais a parte operacional das apurações mas que, sem dúvida, acrescenta condimentos emocionais para dar spotlight aos trabalhos da instituição.
Que interesses teriam levado à escuta? Havia muitos contratos, conforme Maria Elisa Paciornick clareou, cujos conteúdos eram vazados no meio burocrático e na mídia. Esses se referiam a locações de imóveis e automóveis, por causa do esforço havido para baixar os seus custos em função da crise financeira, com ênfase nas questões de informática. Como a depoente insistiu na ameaça de morte que ela e familiares sofreram, não é possível que as coisas permaneçam enleadas, confusas, sem que as instituições que cuidavam do assunto Ministério Público, Procuradoria-Geral do Estado e polícia tenham, direta ou indiretamente, responsabilidade na apuração dos fatos e tudo permaneça envolto numa atmosfera de Aghata Christie.BIZARRICE
Antonina pelo jeito está em estágio de UTI. Segundo o Kambé, artista plástico, cortaram a única árvore canforeira da praça. Cânfora já foi um remédio-chave para doenças agudas, agora não disponível
AXIOMA Tecnoburocratas costumam usar a expressão custo-benefício como dado fundamental para apurar a viabilidade de um ato governamental. Como em vários casos, como se dá pelo menos nos governos federal e estadual, o benefício se volta mais para o privado do que o público deveria existir outro parâmetro, até agora não usado, o custo-malefício.
GLOSA Que anúncio esse da Global Telecom com imagem de criança falando como um adulto! Excepcional em dois sentidos, conforme a visão que cada um guarda da mensagem. Que fim levaram as ONGs que combatiam o abuso de imagens infantis nos processos de venda?
EPIGRAMA FHC se queixou de um clima fascista no Brasil. E há mesmo: não apenas da oposição ansiosa, mas também do governo com suas Medidas Provisórias e o exercício de pressão na base aliada. Muito parecido com 1964. Só que naquela época havia a Guerra Fria e hoje o pacto hegemônico neoliberal. E quebra de hierarquia no campo militar apenas na província.
SPRAY Já foram dispensados do Banestado, no processo de enxugamento, nada menos de 3,5 mil funcionários. - E se anuncia a passagem de pelo menos 11 agências para a marca Itaú por motivações logísticas. - Esses fatos foram lembrados anteontem na greve de advertência contra as terceirizações havidas na rede Bradesco. - Está aí uma profissão em extinção com as agências hoje automatizadas e lembrando um laboratório de análises clínicas. Para os profissionais da área não há outro caminho, ainda que quixotesco, que não o da resistência. - Outra paranóia no caminho está na alteração do horário bancário em função da crise de energia. O sindicalismo teme que tal justificativa acabe se impondo para mascarar ou justificar mais desemprego, o que de resto pode se dar também em outras áreas como na dos supermercados. - Oficiais da PM entendem que é melhor participar, até para evitar distorções como as havidas com o cerco de quartéis por suas esposas, das pressões pela gratificação dentro de dois meses, prazo comprometido pelo governo, do que correr o risco de perda total de controle da situação. - Ratinho pretende levar às suas emissoras um padrão como o adotado pela Rede Bandeirantes: jornalismo solto e coloquial, mesclado de humor. - Vem aí mais um negócio de porte, apoiado oficialmente, favorecendo o empresário Salomão Soifer. A cineasta Tizuka Yamasaki falou antes do tempo sobre um espaço para cinema e que passou por dois processos de venda. - Por falar nisso, um dos assuntos a investigar, além desse da Detroit Motores, já nas mãos da PIC, é a série de operações imobiliárias havidas nos casos de desapropriação para a construção de unidades das montadoras.
FOLCLORE O Arruda já renunciou, o ACM vai fazê-lo em breve e o governador Jaime Lerner continua nos braços do povo, como se viu no programa do PFL. Esse braços do povo pode significar uma gravata ou afeto mesmo.
CROMO Das barbas longas do eremita sai, delicada, a borboleta multicor.
AFORÍSTICO CPIs, como essa dos grampos, tendem a cair no vazio da entropia se não forem estimuladas: ontem tudo estava armado para a prisão de alguns dos depoentes. Gente do governo está apelando ao chamar a CPI de Circo Garcia.





