Sugere-se por aí que o PSDB do Paraná, notoriamente ocupado na direção por pessoas desligadas da orientação dos cardeais, poderia sofrer intervenção. Nem o governo federal e muito menos o seu tucanato estão com moral suficiente para manobra de tamanha envergadura.
Isso não impede que o oportunismo político regional se valha do bom momento de Alvaro Dias nas pesquisas, o que é sabidamente transitório (ele dava de 80 a 5 em Lerner e acabou levando um banho de primeiro turno), para adesões como essa do Affonso Camargo, indignado com a corrupção, mas disposto a ir de mala e cuia para o grêmio do presidente FHC, maior alvo de denúncias no País. Desde que tirem o ex-prefeito Jocelito Canto do comando ponta-grossense, sua área de proselitismo como especialista em revezador de legendas é a sua exigência.
A convenção nacional do PSDB decidiu, pela palavra do novo presidente José Aníbal (SP), fazer ampla mobilização para defender o presidente e as reformas. As derradeiras atitudes dos irmãos Dias, ainda que em consonância com o clamor popular do momento, não têm esse rumo. Pelo contrário, embora tenha havido um certo sinal de oportunismo na forma e no momento em que se manifestaram pela CPI.
O senador Requião hoje está mais seguro no comando do PMDB, cujas convenções regionais apontaram para a candidatura presidencial própria, do que seu colega Alvaro no PSDB. E é por isso que maliciosamente Requião convoca Osmar (o maior defensor do seu mandato ao lado de Mário Pereira na questão Ferreirinha) para o partido ‘‘velho de guerra’’. Osmar não é requentado e traz a vantagem do novo ao processo eleitoral.
Se o PSDB sobreviver à crise, a direção regional não ficará numa posição confortável diante da nacional. Assim, pois, que se acautelem aqueles que gostam de jogar no número premiado e na aventura sem riscos. A surpresa é o melhor dos condimentos da política. E da mesma forma que o PSDB deu rasteira para impedir a entrada de Lerner no partido – e jogou no tacape e não na peteca, sob o comando resistente de Hélio Duque – pode dar revertério. Única vantagem do grupo atual é não haver voluntários para a substituição. Pelo menos ostensivos. Controlar os hormônios é preciso.
AFORÍSTICO
Só falta agora o governador aparecer como náufrago na novela ‘‘Porto dos Milagres’’. Pelo menos o Ibope seria altíssimo
SENHAS No discurso do Tony Garcia há algumas senhas: quem é um possível Napoleão de hospício ou um tecnocrata metido a literato que poderiam pretender a vaga de Jaime Lerner? Há um só Napoleão de hospício ou os haveria em série? Já o tal tecnocrata metido a literato não se ajusta bem em Rafael Greca se esse é o alvo. Greca é um retórico de um humanismo rebuscado e ornamental com alguma formação técnica e longe de poder merecer a classificação como tecnocrata.
Quanto ao Napoleão de hospício urge consultar as placas, os universitários ou recorrer às cartas do ‘‘Show do Milhão’’, porque essa ninguém acerta. É mais fácil desvendar a Pedra da Roseta, desfazer o Nó Górdio ou ainda explicar por que a Espada de Dâmocles, sustentada por uma crina de cavalo, não cai na cabeça do governante, afinal obedecendo a lei da gravidade. Quem será?
BIZARRICE Foi mais postiça do que a cabeleira de alguns políticos a encenação de Lerner, anteontem, na televisão. Melancólica. Um dia ouvi a gravação do último discurso de Mussolini, apoteótico, apesar da derrota já visível na ocupação do território italiano. Era a nostalgia dos césares. O do nosso governador é acabrunhante, patético, o ridículo precioso à maneira de MoliSre.
AXIOMA Convocaram os ‘‘ases’’ da propaganda da terra para salvar a imagem do governador. Chamem urgente as bruxas da abertura da peça ‘‘Macbeth’’ em torno do caldeirão em que sobrenadam sapos, ratos, aranhas e morcegos. Na tragédia a abertura, na comédia bufa o encerramento.
GLOSA Fala-se muito em discriminação contra algumas etnias e os chamados grupos religiosos. E quando a etnia é favorecida pela discriminação positiva, ainda mais quando minoritária, não é o caso de condenar?
EPIGRAMA Os deputados da CPI dos Grampos, apesar da boa intenção, tentam, o que não fica bem, forçar os depoentes a que digam o que eles, o presidente e o relator, pretendem. Quando as intervenções, como a dos servidores da Telepar, não favorecem a linha de investigação se mostram irritados e inconformados e partem para as acareações inúteis como as anteriores. O fato de a maioria acreditar que o governo tem culpa não basta. É preciso obter provas materiais, se possíveis, e testemunhais, bem articuladas. É só.
LEGENDAS Pode haver uma troca de legendas ou melhor dos ocupantes entre PSDB e PTB. Estes, ex-marmiteiros, virariam tucanos e aqueles getulistas. Tudo o que parece loucura em nossa política primária é sempre uma possibilidade. Há um partido do qual todos querem fugir, a não ser aqueles que não têm para onde ir: o PFL, a vocação mais carnal para o poder, hoje no tobogã.
FOLCLORE Da crônica de ontem do Jorge Carlos Sade: ‘‘Estava lendo o Gênesis, 18-26, Sodoma, e me veio a lembrança de Brasília: ‘...Se eu encontrar 50 justos na cidade de Sodoma, perdoarei a cidade toda por causa deles...’ Aí Sade ironicamente acrescenta: se em Brasília houver 50 ilibados, o Brasil estará salvo.’’ Aqui no Paraná tem um: o Nelson, ex-presidente da Assembléia Legislativa, hoje dos Transportes . Ele não é Justus?
CROMO O patologista, no microscópio eletrônico, apura as melhores formas para uma arte moderna em mutação permanente.

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