É uma opereta bufa a política no Paraná, tanto a do governo como a da oposição. Lerner dá uma entrevista e diz que a CPI dos Grampos é um circo e refere-se a Tony Garcia como uma pessoa sem moral porque não tem sequer conta em banco. Tony, hoje transformado em figura-chave da oposição, com todas as suas dificuldades ante oxítonas e paroxítonas, repica e quer a abertura do seu sigilo bancário e respectiva família e a de Lerner e familiares. Se isso fosse verdade valeria mais do que ‘‘spray’’ de bosta no ventilador.
Não bastasse isso, Rafael Greca, deputado federal licenciado e secretário de Comunicação Social, afirma que o governador não gosta sequer de ouvir deputados ao vivo e certamente não os toleraria também em gravação. E para completar esse quadro genial, o senador Roberto Requião pede o impeachment de Jaime Lerner, o que ultrapassa o senso de humor de um inglês. Ninguém merece ser levado a sério. Essa é a questão.
Esse pedido de impeachment não vai acrescentar qualquer desgaste a Jaime Lerner até porque nesse aspecto já esgotou todas as possibilidades. Esposas de policiais militares desmoralizando o princípio da autoridade, bloqueando quartéis, esvaziando pneus de viaturas – tudo isso é o caos, a anomia, a falta de um mínimo de comando e respeitabilidade. É mais impeachment na perspectiva desejada pela oposição do que o pedido basbaque e circense do PMDB cansado de batalhas derrotadas, ainda que tido como ‘‘velho de guerra’’.
Por tudo isso e pelos políticos e gestores que têm, o Paraná não merece, de forma alguma, ser respeitado nacionalmente. Uma piada de mau gosto, nada mais.
METÁFORA
Quando um político fica muito parecido com gado, o leitão Durock, por exemplo, corre o risco de pegar febre aftosa?
IMPEACHMENT impeachment para valer no Paraná foi o de Leon Perez. Só que o regime militar nem examinou direito a denúncia de que tentara botar a mão no jarro e denunciado por Cecílio Rego Almeida – que normalmente é bem tratado pelos governos e não o foi no de Alvaro Dias porque este o contrariou em pretensões na Usina de Segredo.
Outro impeachment foi o da Associação dos Magistrados contra Requião e que bateu na trave por uma questão primária: o governador, como se dá agora com Lerner, tinha maioria no Legislativo. Estamos agora com a mania de vulgarizar instituições como CPI e processos de crime de responsabilidade. Demagogia, falta de respeito ao público, razão fundamental do nível baixíssimo a que chegou o Paraná em termos nacionais. Dá para lembrar do nosso derradeiro ministro, aquele da Nau Capitânea. Caminhamos, ainda mais agora na atual gestão, para sermos um distrito de Santa Catarina.
ESQUERDA Querem ver o nosso nível político? Simples: o José Carlos Martinez, refletindo sobre tendências ideológicas e programáticas, afirmando que o PTB precisa adernar à esquerda. Essa me fez lembrar um entrevista do Paulo Pimentel, ex-governador e ex-deputado federal, ao ‘‘Folhetim’’, da ‘‘Folha de S.Paulo’’, dizendo-se socialista.
‘‘BICHO’’ Agora no Rio Grande do Sul tentam fazer com o seu governador, Olívio Dutra, o mesmo que armaram para Alvaro Dias em torno do jogo do bicho. Como a repressão é uma idiotice e uma inutilidade, Alvaro antes e Dutra agora proibiram mordida de policiais e acertaram forma de contribuição para fim social, liberando os contraventores de constrangimentos.
Aqui sempre foi assim: havia campanha jornalística ou repressão policial contra o jogo do Barão de Drummond é porque se pretendia aumentar o ‘‘pedágio’’. Estava na cara. Com um detalhe em favor dos bicheiros: os daqui, pelo menos no passado, não se envolviam como os do Rio de Janeiro com o tráfico de drogas e o lenocínio.
Numa ocasião, o ‘‘bicho’’ desconfiou da repetição de uma milhar, com números invertidos da loteria estadual, e passou a descredenciá-la, isto é, não aceitar as suas extrações.
ONGs Há em gestação uma CPI das ONGs. Está na hora, pois, a despeito da importância dessas organizações para a cidadania, há coisas misteriosas: diz-se, por exemplo, que existem mais ONGs numericamente no Rio de Janeiro de crianças de rua do que o objeto de sua assistência, isso é os menores excluídos. Pode ser uma anedota como aquela que diz sobre indigenismo que o Brasil tem 20 vezes mais antropólogos do que índios, mas a síndrome desconfiada já o justifica e assim com as outras ligadas a direitos humanos e ambientalismo.
Agora, por exemplo, saiu mais recurso para o litoral norte do Paraná através da General Motors em empreendimento ambiental, o que é muito bom. Pois bem, em Guaraqueçaba, há pendências fundiárias até hoje não dirimidas em relação a uma dessas reservas e com a suspeita, conforme os resmungos de moradores locais, de transferência para o exterior de matrizes vegetais e animais, a nossa diversidade, enfim. Pode ser paranóia, pode ser paranismo.
NEGÓCIOS Nada há de filológico em afirmar que a palavra negócio derivaria de ‘‘nego o ócio’’. Quer dizer o anverso da curtição e do prazer. O Banestado foi privatizado e depois disso começaram a aparecer negócios como o de uma firma americana encarregada das cobranças de devedores e que deu uma ‘‘dura’’ lá na Prefeitura de Maringá. E virão outras como a promessa da concessão temporária do complexo da Santa Cândida para abrigar, em comodato, repartições estaduais. A Copel vai deixar herdeiros equivalentes, se é que será privatizada.

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