Está demonstrado que o maior núcleo de negócios do Paraná é a Copel. As suas subsidiárias, em função do modelo energético, estão abrindo uma fonte de negócios dos mais rentáveis para alguns privilegiados, como se dá com a Tradener, na qual se insere o ex-deputado e ex-vereador Donato Gulin. Ora, essas mudanças institucionais deveriam ser monitoradas, acompanhadas pela sociedade que afinal foi quem financiou, com a poupança comum, a Copel, mas isso não acontece.
Uma das coisas que não poderiam acontecer com a nossa maior empresa, a que já me referi, é repetir-se o modelo de privatização do Banestado: primeiro foi claramente ‘‘pilhado’’ pelo grupo no poder (vide todas as sacanagens havidas na Leasing, na Corretora e também no setor de Câmbio) e tudo no meio dos acertos de um ‘‘saneamento’’ – aliás, a palavra adequada para um caso de esgoto e sem tratamento.
O que vimos ultimamente na Copel: em primeiro lugar a canalhice de usar a figura do presidente do conselho da empresa, Ney Braga, para respaldar a compulsão leiloeira, valendo-se da sua idade avançada. À época, membros da família dos ex-governador apelaram para que poupassem o patriarca e eu, entre outros da nossa área, entrei na batalha contra a farsa.
Depois tivemos o acerto de contas contratuais – aditivos, adiantamentos de decisões judiciais, ajustes de variada ordem – e pouca foi a reação nos meios de comunicação. Uns deles exigindo o pronunciamento de políticos oportunistas como o senador Alvaro Dias, que tinha a obrigação e o dever de contestar o pagamento dos R$ 90 milhões à guisa de acerto judicial com a CR Almeida porque se tratava daquela batalha que ele próprio travou, quando governador, contra as pretensões daquela empreiteira. E não o fez, a não ser balbuciando. O que dá a entender que muitos políticos são mais corajosos quando no poder.
Ora, a sociedade democrática vive do conflito. Se a sociedade se cala, se o político se acomoda, como se deu com Alvaro Dias, que denunciou no caso da Hidrelétrica de Segredo a formação de cartel e depois ficou na ‘‘retranca’’, acabamos não sabendo de nada. Fica ridículo depois ver os programas do PSDB com o ex-governador tentando vender o peixe de austero citando o exemplo da sua atuação, efetivamente boa, no evento da hidrelétrica.
Como no caso da CPI da Corrupção, Alvaro só assinou o pedido na 25ª hora e agora certamente prefere que o episódio da Copel venha a consumar-se para depois denunciá-lo. Oportunismo sempre, em qualquer circunstância.
AXIOMA
O que é mais circo: a CPI dos Grampos, a Comissão de Investigação do governo ou o pedido de ‘‘impeachment’’ do PMDB? Tudo é circo, mas o maior palhaço acaba sendo o povo, manipulado por essa nojeira de política. Como o maior circo é o Palácio, de repente iremos chamá-lo de ‘‘palhaço’’.
FOLCLORE Na primeira eleição de Lerner recebi um telefonema do Tony Garcia que me fez ouvir uma gravação de um acordo entre o pessoal do Alvaro Dias e setores da suposta esquerda para a distribuição de um jornal de campanha. Pelo jeito já havia ‘‘grampo’’ desde aquele tempo
BIZARRICE Lerner disse que é comum marafona aposentada ‘‘posar’’ de beata, numa entrevista ao deputado Luis Carlos Martins na Rádio Banda B. Essa piada é boa, mas seu raio de abrangência atinge sua própria tchurma. Há marafonas que não precisam aposentar-se para se tornarem beatas. Há marafonas tempo integral.
GLOSA A piada foi reciclada: se o Atlético, time de futebol, quiser vencer bem facilmente o Paraná, basta botar o Lerner no ataque. Explicação, como já se dizia no jogo do Coritiba, semana passada: ‘‘Ninguém é capaz de arrasar o Paraná com a rapidez e a competência do governador.’’ Se o Coritiba seguisse o conselho estaria classificado. Afinal, Lerner fez um gol de ‘‘peixinho’’ quando era ponta de lança do Combate Barreirinha.
EPIGRAMA Se a central telefônica da Siemens apareceu na primeira eleição de Lerner ao governo ela (se foi doada, é claro) pertence ao PDT e não ao PFL. Se Lerner abandonou o brizolismo deveria devolver o equipamento. Está aí um questionamento curioso. O PDT de hoje, com quinhentas linhas telefônicas, ficaria tonto como os olhos do Nelton Friederich: eles não contam com esse número de militantes, depois da saída do grupo lernerista.
VIVALDINOS Ontem fiz aqui observações sobre as origens do desenvolvimento industrial do Paraná, desde Ney Braga. E citei o caso da Refripar que foi gerada com recursos próprios, apoiada pela Codepar-Badep e precisou desse respaldo para enfrentar o monopólio da lã de vidro que ela obtinha de uma concorrente de Santa Catarina, a Cônsul. Os Prosdócimo, em que pese as suas alianças com o grupo no poder, não se confundem com aproveitadores. Fica, no entanto, a proposta: vamos estudar as relações entre poder político e econômico. A turma que ganhou algum na montagem do projeto de desenvolvimento leva agora, outra vez, no ‘‘desmanche’’. Tivéssemos políticos mais sérios na oposição e isso, de forma alguma, seria desprezado. Não é mera coincidência.
CROMO As tuas mãos, pequenas e sedosas, cerrando meus olhos na morte. Um gesto final, um clichê talvez, um alento antegozado.
AFORÍSTICO A assembléia pode ser um circo, tal qual afirma Lerner. Mas, sem dúvida, o homem-bala, o equilibrista, o artista que come fogo e a mulher barbuda devem estar no Palácio Iguaçu. Com a bolinha vermelha no nariz, sei reconhecer: todos nós somos o palhaço.

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