Além de estar mal de assessoria jurídica, tantas as irregularidades, as mais primárias, cometidas, carece o governo Lerner de competentes assessorias de política e comunicação. Para tentar neutralizar o deputado Tony Garcia no comando da CPI dos Grampos tenta-se desqualificar o parlamentar com o seu currículo negativo, a velha e batida história do Consórcio Garibaldi.
Que faz o deputado Tony Garcia? Simples: desafia o pessoal do governo a quebrar seu sigilo bancário, o que no seu caso estenderia à mulher e filhos. Claro que isso não passa de jogo de cena. Todavia, o nível de vulnerabilidade deste governo é de tal ordem que já existe um consenso (aí há uma boa predisposição assentada nessa histeria coletiva para punir e cassar) de que não teria a menor condição de expor-se a um teste dessa natureza. Garcia quer que as contas sejam devassadas aqui e lá fora, no exterior.
Como se vê, quem alimenta o circo, bota luz no picadeiro, é o governo com as suas mancadas como a do Gerson Guelmann afirmando ter recebido a tal fita de um estranhíssimo anônimo, talvez o ‘‘Fantasma’’, o ‘‘Espírito que Anda’’, sobre o jornal de campanha originário de Cascavel e de um comitê de Requião ou ainda as blagues do Rafael Greca. Fosse o governador uma pessoa determinada aceitava o desafio da abertura das contas e pronto. Ou o afirmaria, blefando, o que não deixa de marcar ponto e posição. O que pelo menos não é deserção.
Desmoralizado pela ação das esposas de PMs, demolindo o que resta de princípio da autoridade, a administração definha e se exaure numa UTI.
GLOSA
A versão da Telepar sobre o grampo (‘‘fio paralelo’’) da secretária Maria Elisa é mais frágil do que a dos senadores Arruda e ACM no caso do painel eletrônico do Senado
BIZARRICE Ato falho é o cara, fanático ambientalista, na hora de dar a notícia sobre a falha da Guerdau no Rio Passaúna chamá-la de Merdau
AXIOMA Bastou uma notinha do Fábio Campana sobre a mal inspirada campanha contra a febre aftosa com aquele personagem ameaçando suicídio e depois a arma sendo substituída por uma seringa de vacinação e a coisa sai do ar. A pistola nessas coisas de propaganda é, como se sabe, derivada de ‘‘pistolões’’.
EPIGRAMA O governador Jaime Lerner, que gastou em menos de cinco anos mais de R$ 400 milhões em propaganda, queixa-se de que está sendo vítima do que chama de uma ditadura dos meios de comunicação. A área é mais dura do que dita. Lerner estava habituado com o regime militar e depois com a subordinação de jornais, rádios e tevês, como sempre aconteceu. O caso de Londrina foi uma reação contra uma versão dominante da tevê, derrubada pela cidadania. Ele não percebe que hoje o leitor, o ouvinte e o telespectador ‘‘pesam’’.
PRIMARISMO Tenta-se desqualificar o presidente da CPI dos Grampos alegando que Tony Garcia tem casos a acertar com a justiça como o tal do Consórcio Garibaldi. Ora em matéria de consórcios ninguém supera o setor oficial. Ademais, de repente, para fugir de apurações, pode-se começar a alegar que determinado político tem filhos fora do casamento. O que tem a ver o cós com as calças?
SPRAY Vou sugerir um tema para avaliação acadêmica: com o Estado induzindo o desenvolvimento de Ney Braga até José Richa (Alvaro fechou o Badep) quais foram os setores do empresariado beneficiados? Citemos alguns como Sérgio Prosdócimo que teve até a sua fábrica de lã de vidro, insumo para produzir refrigeradores, financiada pela Codepar e depois pelo Badep. - E agora, com essa compulsão leiloeira quem ganha? O Gulin é um deles. Mediadores burocratas são os de sempre, dentre eles o inefável Karlos Rischbieter e Alex Beltrão, ontem no Estado forte, hoje no Estado anão. - Um mestre em história, Dennisson de Oliveira, desmistificou tais relações de poder do grupo lerneriano em ações na Cidade Industrial de Curitiba, precedendo o período de atração das montadoras. - Quais são os segmentos beneficiados em sociedades, em consultorias nesse processo? Não examinar isso é atribuir tudo ao acaso e ao espontaneísmo quando todos sabem que há muita articulação no processo. - Quem ganhou por exemplo com a anistia branca aos que arrombaram o Banestado? Isso também valeria dimensionar. E de repente conseguiríamos definir o quadro de afinidades e aproximações. - De certa forma descobriríamos que a maior parte dos quadros empresariais do Paraná é constituída de filhos diletos da máquina estatal, beneficiários maiores da poupança comum, o que não os impede de fazer pose autônoma e de competitivos. - Amanhã em Ponta Grossa, 15 horas, na sede da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), seção regional, o professor Manoel Lobo da Silva Brasil, fundador da universidade estadual, comemorando seus 90 anos, lança um livro de contos. - Nesse caso da greve da PM, dissimulada em rebelião das patroas, não haverá, para desmistificar imagens, o comando masculino?
FOLCLORE Quem diz a verdade não merece castigo, confirma o adágio. Rafael Greca, secretário de Comunicação Social, ao afirmar que Lerner não gosta de ouvir deputados ao vivo quanto mais gravados, foi autêntico e verdadeiro, embora se deixasse seduzir pela blague, tal qual o seu antípoda Roberto Requião, de estilo equivalente e brilho menor, que perde o amigo, mas nunca, em hipótese alguma, a piada.
CROMO No copo d’água, antes cristalino, hoje a iridiscência do petróleo.
AFORÍSTICO Goethe, ao morrer, clamou pela luz como se estivesse no apagão deste País tropical.

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