Tanto no instrumento financeiro do Estado como na sua estatal de energia, o Paraná é exemplar. Copel e Banestado são as melhores estatais em suas áreas. O sucesso da venda das ações em Nova York é um momento culminante da história da empresa, iniciativa respaldada também pelo Banestado.
Não dá para comparar, por exemplo, após o Plano Real que tirou a fantasia que encobria a realidade do sistema financeiro e das estatais, o desempenho, a situação de higidez, das nossas organizações com as de São Paulo, sabidamente os gigantescos Banespa e Cesp. Embora em escalas desproporcionais, o que aumenta, de forma ciclópica, o ganho ou a perda, pode-se dizer que a despeito das falhas, dos acidentes de percurso, as empresas paranaenses são, de certa forma, emblemáticas.
Ambas devem entrar, diante dos novos modelos postos em prática, no processo de privatizações que o poder central quer impor como filosofia e estratégia. Mas a vitalidade de um e de outra não os colocam na primeira fila dos que se submeterão ao ritual dos leilões.
Recentemente, o banco passou por uma situação crítica, ocorrida na Leasing, mas tanto a diretoria passada como a atual, confiada a Manoel Garcia Cid, levaram a fundo os procedimentos investigatórios, respeitado o amplo direito de defesa de indiciados, ao mesmo tempo em que paralelamente se confiava ao Ministério Público a notícia da patologia para as cautelas de lei.
A circunstância de o assunto não ter sido encaminhado aos panos quentes por força do sigilo que cerca o universo dos procedimentos bancários é, desde logo, reveladora da disposição de não permitir que a nódoa envolva a imagem do estabelecimento. E Garcia Cid, com seu jeito franco, deixou claro que não se concebe que a direção daquela unidade desconhecesse, de forma absoluta, as irregularidades ali praticadas, afirmação que só poderia vir de alguém alheio às mesuras costumeiras e protocolares das instâncias corporativas quase sempre cativas do jeitinho à brasileira.
Na história da Copel e do Banestado - e isso é mérito de uma cultura acumulada num meio sujeito à contaminação -, deve-se muito ao fato de os seus dirigentes terem procurado expressar a defesa dos interesses permanentes da instituição num processo interativo com suas bases funcionais e hierárquicas.
BIZARRICE O coordenador do MST, João Pedro Stédile, insiste na tese de que Lula tem que mudar o jeitão e tirar a gravata e parecer mais povo. Não se sabe o que é pior: se a gravata ou a bravata do líder sem-terra.
VELHACARIA Da relação dos cem maiores devedores de tributos estaduais de 96 o primeiro lugar é de uma estatal federal, Furnas Centrais Elétricas, num total de R$ 87 milhões, representando 16,72% da listagem. Obviamente não vai pagar, tanto que a pendência está na Justiça. Por sinal que nem a energia vendida é paga como se dá com a Copel e com a Itaipu, credoras do sistema Eletrobrás.
Não bastasse isso, ainda a Constituição Cidadã impede que o Paraná tenha compensação tributárias por ser grande fornecedor de energia. E isso devemos ao José Serra, certamente em nome do cartorialismo paulista.
SPRAY Brizola vem a Curitiba para saber se Lerner já encerrou a sua longa reflexão e que é superior a dos patriarcas bíblicos no recolhimento ou na fala com o Senhor.- Apesar de Lerner personalizar o PDT, tal qual Brizola em escala nacional, boa parte dos quadros permanecerá na agremiação e acatará ainda a orientação de não se vincular ao PFL e ao PSDB.- O PT está ameaçando - e isso para valorizar-se - a hipótese da candidatura própria ao governo. Façamos um exercício de simulação para ver quem se habilitaria: Cheida, o mais forte, não ajudaria a eleição proporcional que é o grande objetivo. Os outros não servem sequer de referência. Enfim, o partido só ganha como linha auxiliar de Requião, o que se ampliaria se Cheida ou Tonelli fossem como vice.- Últimos feitos da Copel podem levar Lerner a uma posição de resistência quanto à privatização pela circunstância de a empresa estar baixando custos e com flexibilidade que nada fica a dever às organizações privadas.- Fiz um comentário na CBN sobre a ‘‘botinha de Carla Perez’’ na Polícia Militar, informe do artigo do oficial PM e presidente da Câmara Municipal de Londrina, Adalberto Pereira, na Folha de ontem, e isso causou frisson na corporação. O pior é que poucos sabiam como era esse modelo de sapato, já que quando olham para a Carla não há tempo e nem interesse no entorno.- Puseram ou não a mão no décimo terceiro dos barnabés? Acho que sim porque Miguel Salomão declarou, por mais de três vezes, que havia essa reserva em duodécimos. O governo virtual agora faz desaparecer tudo. Não teremos Natal entre funcionários que verão, em compensação, os Jogos da Natureza na RV, outra acrobacia, caríssima e sem retorno dos esquiadores da maionese.-
FOLCLORE O PC do B adere, cada vez mais, ao pragmatismo: lançou ontem uma loteria similar à ‘‘raspadinha’’ (aliás adequada para lembrar que a maior parte da militância é de barbudos) que custa R$ 0,50. Efígie de Che Guevara paga R$ 1 e Engels R$ 5, Lenin R$ 10, Marx R$ 50. É também globalizada, pois só tem vultos internacionais. Poderiam botar um vivo, o João Amazonas. Quem acertar na foice e martelo leva R$ 5 mil. Como diz o José Fernando da Silva, militante de todas as horas, ‘‘quem não tem empreiteiro faz a empreitada’’.

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