Luiz Geraldo Mazza
Ninguém gasta mais do que o Paraná em propaganda. É investimento, dizem os burocratas. Vamos então comparar São Paulo com o Paraná no custo-benefício da operação: Lerner é um dos governantes mais reprovados do País, quando a tradição local era de incluí-lo no ranking entre os três primeiros e como medalha de ouro quando prefeito, enquanto Mário Covas, apesar de também ter figurado entre os últimos, recuperou o Estado e seu martírio serviu para transformá-lo em paradigma. Se Lerner morresse, o que ele afirmou preferir a ter que vender a Copel, pelo menos hoje, não seria tão celebrado.
São Paulo está recuperado, o Paraná quebrado. Em 1998, o Paraná gastou no item publicidade a bagatela de R$ 134,366 milhões e São Paulo, muito maior e mais complexo como sociedade e exigência cívica, despendeu R$ 25,215 milhões. Façamos também a analogia com a Bahia: esta gastou R$ 38,180 milhões, um terço do dispêndio dos nossos artistas em prodigalidade. O seu governador aparece entre os de maior credibilidade do País.
Mas não é só. O governo paranaense gasta muito mais do que isso em propaganda oficial. Desvia recursos, como o Tribunal de Contas (TC) demonstrou de um fundo de ciência e tecnologia, repassando a grana (mais de R$ 1 milhão) para a agência Mercer. E as coisas não param aí, subsistindo suspeita de desvio de recursos de órgãos da área como outras fundações para finalidade semelhante, isto é, investimento em fantasia e proselitismo. Aliás, boa parte do que se diz haver de ciência e tecnologia em nosso governador é só propaganda.
Lerner hoje corre risco de ser hostilizado se andar nas ruas das cidades. O horror à sua gestão é generalizado. Portanto, além da desonestidade, que há nessa distorção como empenho em manipular o público, há a rematada burrice visível no efeito-demonstração de uma prodigalidade estúpida.
O aparato caro demais como um ornamento de Joãosinho Trinta numa escola de samba acaba não funcionando. Para um arquiteto, um desastre, já que o estético não pode, segundo o pai de todos, Le Corbusier, sobrepor-se ao funcional.
FOLCLORE
Ao saber da mancada de Rafael Greca, o jornalista Cândido Gomes Chagas foi contundente: Se derem pra ele o comando da Coca-Cola, vai conseguir afundá-la como fez com a Nau Capitânea
BIZARRICE Vamos ver se eu entendo: o secretário Rafael Greca dá entrevista na rádio de Pato Branco pertencente ao chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, e diz que a CPI dos Grampos é uma opereta bufa e que Lerner não gosta de ouvir deputados nem ao vivo quanto mais em gravação. Escondam, por favor, a notícia do Renato Aragão, caso contrário ele afunda que nem o Kursk na depressão. Não há como ele com seus trapalhões, mesmo os Três Patetas, superarem isso.
AXIOMA Cada negócio na área de energia e lá aparece a firma do Donato Gulin (antes a família era privilegiada com o monopólio do transporte urbano), no campo da informática o Jacobowski. Se descobrirem petróleo no Paraná, quem se habilita a explorá-lo é o Salomão Soifer, que já ganhou os contêineres do Porto de Paranaguá e a exploração do Parque Nacional do Iguaçu. Isso sem falar no Shopping Mueller, concessão do Lerner prefeito de Curitiba. Como dizia o Jamil Nakad profeticamente: Sempre os mesmos!
GLOSA Caíto Quintana vai à tribuna para ferrar o governo e condenar os baixos salários dos PMs. Em seguida, aí corporativamente, pois é cartorário como o presidente Hermas Brandão, defende o indefensável reajuste em mais de 1.700% das custas judiciais e também mais desembargadores, juízes e respectivos gabinetes. Mas no Legislativo nada diz pelo pleito dos funcionários, já sob o o regime de terror por causa das milhares de demissões, que pretendem Plano de Carreiras, Cargos e Salários.
O sindicato fantoche dos servidores legislativos tem como presidente o diretor-geral da Casa, o Bibinho, Michel Abib, que usucapiu (está lá há mais de três décadas) o posto. Uma estrutura de poder dessas tem moral para exercer minimamente o seu papel?
EPIGRAMA E de repente no meio da sessão da Assembléia um murmúrio: O dinheiro finalmente sai hoje! Pra quem e por quê? Vai ver é um fantasma igual aquele que entregou a fita para o Guelmann no caso da interceptação dos jornais do PMDB ou aquelas outras, hoje nas mãos do Tony Garcia. Mistério!
SPRAY Pelo jeito esse pessoal da marginalidade, que faz estágio no Paraná, não gosta de lembrar dessa passagem. Tal se deu com o Fernandinho Beira-Mar em sua fala em COI nacional. - No governo Requião, andaram por aqui os chefões do jogo do bicho carioca, entre eles o Miro e o capitão Guimarães, apontado como torturador de 64. Acabaram levando um beiço e perderam um cassino que montaram em Foz do Iguaçu. - Até guerrilha quebra a cara por aqui. Que o diga o gênio federalista Gumercindo Saraiva, empacado nas suas ações na Lapa e que levaram as tropas leais ao governo instituído à vitória em 1894. - Getúlio Vargas anunciou aqui a Eletrobras em 1953 (eu estava lá no salão nobre da Faculdade de Direito de Curitiba e o ouvi) e meses depois se suicidou numa histeria parecida com a atual do Brasil. Só que a causa era uma bobagem mínima: o financiamento pelo Banco do Brasil à Erika para o jornal Última Hora do Samuel Wainer. - Recebo uma carta de Brasília de Maria Elisa Ferraz Paciornick elogiando o trabalho do procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacóia, no caso do grampo e destacando o profissionalismo dele e da PIC.
CROMO Com a cassação do Hipoglós, como manter sedosa a bundinha do nenê?





