Luiz Geraldo Mazza
O povo sofre, mas se vinga na anedota. Sempre foi assim diante de tiranos e dos demagogos. O futebol, às vezes, promove um governo e um governante. Dá para citar exemplos: o de Médici, que sinceramente gostava de esporte, apesar da tortura que imperava no sistema, e que foi beneficiado pelo título mundial de futebol no México em 1970 e o dos milicos da Argentina glorificados com as conquistas de 78 e 86, o que também se deu em passado distante com Mussolini na Copa de 38 e Hitler nas Olimpíadas.
Essa relação entre futebol e política é das mais estreitas. Nos tempos do almirante Heleno Nunes na CBD, o Campeonato Nacional acolhia cada vez mais clubes para atender a demandas partidárias. Havia até o axioma rimado: Onde a Arena vai mal, mais um clube no Nacional!
Pois agora Lerner poderia ser o beneficiário das performances do Coritiba, seu time de preferência, e do Atlético na Copa do Brasil já que figuram entre os classificados para as quartas-de-final entre os oito melhores do País. Anda, no entanto, com um tal baixo-astral que acaba sendo vítima do destino. Tanto que agora o seu time, o Coritiba, foi desclassificado pelo tricolor no último minuto de jogo e às vesperas da partida havia uma piada sensacional na praça: a de que ele, Jaime Lerner, deveria integrar o ataque coritibano por causa de um argumento indiscutível o de que ninguém tinha um currículo tão forte com credenciais já comprovadas como o mais capaz de arrasar o Paraná.EPIGRAMA
Rubinho Ferreira, de Guaratuba, onde lê Maquiavel, enquanto não pesca e não joga tranca, diz que o caso das creches terceirizadas de Cassio Taniguchi poderia ser depreendido de um conceito do gênio florentino: Todo compromisso se cumpre, desde que não nos prejudique
BIZARRICE Quanto mais o governo se explica mais se enrola na questão dos grampos. Ontem, com o depoimento de Maria Elisa Paciornik, ex-secretária de Administração, na comissão do governo, ficou-se sabendo que ela e outros funcionários chegaram a sofrer ameaça de morte por ter havido a denúncia da escuta, feita na própria empresa concessionária, a Telepar.
Se uma pessoa credenciada, do governo, não tem segurança (tanto que invadiram a casa da mãe da ex-secretária) dá para imaginar a tranquilidade de nós outros, ainda mais com essa polícia que foi acusada de ligada ao crime por uma CPI nacional de verdade e não por essas laranjices oficiais.
AXIOMA A Central Telefônica, segundo o Gerson Guelmann, lembrava em tudo aquelas santinhas que os católicos levam de casa em casa para orações: ora ficava no Palácio Iguaçu, ora no Comitê do PFL. Essa constante de não haver a fronteira entre o público e o particular é da essência do governo e atinge o municipal de Curitiba também. Vide o caso da Fundação Cultural administrada pelo empresário beneficiado do Festival de Teatro, vide agência de propaganda que mais fatura no governo estadual e que pertence ao genro.
GLOSA Essa história do Guelmann ter recebido uma fita, de origem desconhecida, que tratava da remessa de um jornal de campanha de Roberto Requião que vinha de Cascavel é bem parecida com a explicação que o ex-governador Alvaro Dias deu quando lhe perguntaram sobre o Ferreirinha, o criminoso de muitas mortes que recebeu e que encaminhou ao diretório do PMDB e não à polícia, como deveria ter feito. Um criminalista classificou o ato como prevaricação.
SPRAY Até agora não se sabe a que conclusão chegou o grupo de estudos da FIEP que examinou a questão da Copel. Integrado em comitês específicos compostos pelos maiores consumidores (cimenteiras, por exemplo) já está na hora de mostrar o seu relatório. - Aliás, o presidente da FIEP, Carvalhinho, põe em dúvida as dimensões da crise anunciada e com essa postura cética vai orientar seu posicionamento na Confederação Nacional da Indústria, presidida pelo ex-ministro Fernando Bezerra, que foi acusado de irregularidade na Sudene. - Enquanto não se conhece o ponto de vista da FIEP, que procurou fazer avaliação isenta sem a deformação do interesse político, transcorre o seminário do CREA-PR sobre matriz energética e que vai concluir certamente, até pela imposição da crise atual, pela resistência à privatização da Copel. - Hoje, no seminário, o engenheiro Fernando Siqueira vai falar sobre as termelétricas a gás em torno das quais a Petrobras criou maiores embaraços burocráticos para o deslanche, insistindo na visão do passado monopolista. Espera-se autocrítica. - Ainda a questão energética: sexta-feira, 18, auditório do CREA, das 13 às 18 horas, o painel Há Luz no Fim do Túnel? promovido pelo Fórum Contra a Venda da Copel. O debate terá um caráter mais jurídico, que aliás é o front mais adequado, uma vez que no campo legislativo, o governo leva a melhor a não ser que haja algo de excepcional, embora tenha pouca moeda de troca.
FOLCLORE Observação do juiz aposentado e anarquista em tempo integral Elísio Marques sobre a questão energética: Contra a privatização da Copel já se tentou nó de marinheiro e nó de escoteiro. Resta agora aprender a fazer o nó de macumbeiro.
CROMO A retórica brasileira vai muito além de Luis de Gôngora y Argote: o pisar distraído sobre estrelas, as rosas que não falam e simplesmente exalam ou a serpente de seda dos teus braços, tudo da lírica popular.
AFORÍSTICO Renato Aragão se impôs uma censura: a de não ouvir notícias do Paraná e dos trapalhões oficiais que o deixam em estado depressivo porque o superam de longe com a maior facilidade.





