Luiz Geraldo Mazza
O golpismo é uma tradição brasileira à direita e à esquerda. Agora, por exemplo, o aluvião moralista sugeria que o governo FHC estava à beira do cadafalso. Da mesma forma que os espaços são ocupados, desde uma invasão de terra ou de um edifício público, sem resistência, os delirantes acham que vão ganhar a guerra sem dar um tiro. Aí o poder central mostra o seu poder de sedução, centrado em verbas e não em verbos, e ganha a parada. Uma lição para os precipitados, no fundo golpistas como os da direita.
Essa idéia de dar a volta olímpica no estádio sem que o jogo tenha sequer se iniciado é um dos fundamentos da utopia mequetrefe da moda: Lula e o PT já se achavam donos do pedaço, subestimando a resistência do governo. E daí veio o arrastão do corte das assinaturas que pediam a CPI fascista porque genérica, difusa e por isso mesmo ilegal e também golpista.
Pretendiam imobilizar FHC com o que imporiam um sacrifício terrível a um país que se engessaria nas discussões estéreis sobre aquele óbvio que o próprio governo, com todos os seus limites e comprometimentos, vem fazendo nos casos Sudam e Sudene. E os eufóricos do PT já antegozavam a vitória de Lula que tem tudo para perder de novo e agora provavelmente de um Ciro Gomes, um Collor com doutorado, ou até mesmo do homem dos genéricos e das vacinas, ex-presidente da UNE, Zé Serra.
O passado, no que tem de mais arcaico, estava lá na hora da mobilização pela CPI: Miguel Arraes e Leonel Brizola ao lado dos petistas. O PT parece não ter percebido que ele é uma esperança a esse tipo de alternativa e continua, por uma vocação suicida para o oportunismo, embarcando nessas. Agora a UNE, vejam só, está ameaçando tomar o País pelos caras-pintadas. Insiste em pensar que derrubaram Collor quando quem o fez foi a série da Rede Globo Anos Rebeldes, causa eficiente mais apropriada do que a inocuidade das passeatas.
Quando um quadro está muito fácil a humildade recomenda um mínimo de juízo desconfiado. Em 1964, poucos dias antes do golpe, em Curitiba, Luis Carlos Prestes, tão desinformado quanto o pessoal de agora, desafiou: a direita que tire a cara de fora. Ela tirou e ficou. Chiar agora que o governo dobrou parlamentares com verbas (o que era esperado, pois já o fizera de forma exuberante no caso da emenda da reeleição) é de um infantilidade terrível. Queriam o quê? Que FHC renunciasse, que deixasse o barco da CPI singrar a crise brasileira? O pior é que não aprendem. E o PT é uma das nossas raras esperanças, o que é mais lamentável. BIZARRICE
No Brasil a maior crise é a da falta de energia elétrica, no Paraná a de energia em nosso governador junto especialmente à sua equipe
AXIOMA A central telefônica, apreendida pela PIC, segundo Gerson Guelmann, saía do Palácio Iguaçu e ia para os comitês eleitorais, ia e voltava: quando a fronteira entre o público e o privado se confunde é pior do que grampo. Isso, aliás, é uma constante neste governo. Vide negócios de propaganda.
GLOSA Continua a idiotice da campanha contra o voto secreto, uma conquista da história da humanidade que os bobalhões que analisam as coisas pelo seu lado mais imediato acham que deve ser abolido. Só um exemplo: a ONU, graças ao voto secreto, tirou a representação norte-americana das comissões de direitos humanos e do meio ambiente. Os Esteites anunciam represálias com a retirada de suas contribuições da ONU. No mundo globalizado e badalado como virtuoso pelos calhordas, o voto secreto foi a arma possível para enfrentar o gigante.
EPIGRAMA O cidadão estava de olho na novela Porto dos Milagres e volta e meia mudava para a TV a cabo e dava uma espiada no Coritiba x Goiás. Quando lhe perguntaram porque saltava de um canal para outro explicou: Saio da novela Porto dos Milagres para o futebol Parto dos Milagres.
Se o Coxa vencer o Paraná, que parece impossível, o parto se confirma.
ESTUPOR Deputados se irritaram com a acareação das testemunhas do caso dos grampos. Mas muito mais irritado está o povo com os nossos deputados.
Essa do secretário de Segurança, José Tavares, um homem formado em Direito, afirmar categoricamente que tanto Guelmann como o coronel Vieira nada têm a ver com os grampos e que são inocentes, é não só um pré-juízo, julgamento prévio, como também um prejuízo para a imagem da comissão e do governo. Com isso, a comissão poderia encerrar os seus trabalhos e teria cumprido os seus objetivos o de preservar o governo.
FOLCLORE Ex-funcionário do Palácio Iguaçu, na área dos telefones, Gilberto Gonçalves, envolvido na crise atual dos grampos, tinha uma inscrição típica dos grupos country, hoje tão fora de moda como o Brizola na política, em seu Corcel assim redigida os power erguido.
Pelo jeito agora é os power caído.
CROMO Repouso em seus cabelos como quem voa na suavidade de uma paina.
AFORÍSTICO O governo já acabou, todos percebem, mas a autoridade entende que está apenas começando.





