Tanto o anuário do IBGE como as informações preliminares do Censo confirmam aquilo que temíamos: por ausência de qualquer intervenção nas migrações (é claro que as Vilas Rurais estão longe de servir ao propósito de contê-las e muito menos as medidas de política habitacional no interior), não apenas a Grande Curitiba mas todos os núcleos de porte médio do Paraná, especialmente Ponta Grossa no Sul e ao longo da metrópole linear do Norte entre Londrina e Maringá serão pressionados por essa bomba demográfica. Os alegres áulicos do governo, que não pensam em nada sério a não ser em exaltar os delírios do governador (o que foi dito em Nova York sobre a retirada de crianças de rua e o ‘‘baía limpa’’, empulhação publicitária, lançada justamente no litoral Norte, onde não há poluição, é de irritar um frade), tiram de letra qualquer preocupação com o fato.
Aliás, para mostrar como andamos por fora, uma equipe da PUC de Campinas anda por aqui estudando o fenômeno que o pessoal do ôba-ôba é incapaz de perceber que isso é tão grave quanto a ameaça de o ‘‘El Ni¤o’’ e o efeito estufa produzirem enchentes no Sul, iguais as de 1983 e seca no Nordeste como em seus piores momentos.
Esses resultados, que rompem com a saudável tendência de taxas quase zeradas em São Paulo, Porto Alegre e Belô, são como o silvo da panela de pressão, o alarme e o registro é anterior à nova série de fatores de alavancamento que virá com a notícia das montadoras e de outros investimentos.
O prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, acha que dá para encarar os problemas e fala com a responsabilidade de quem preside a associação metropolitana dos municípios. Não é bem assim. Água, por exemplo, fator vital, está em crise: a Sanepar se vê impelida a gastar mais de 60% em produtos químicos para colocar o produto dentro dos padrões da OMS. Tomamos suco de bosta por causa da imprevidência e pusilanimidade dos políticos que se mostram dóceis à ocupação das chamadas áreas de preservação permanente pela selvageria das invasões. O Prosam anda a pagar taxas de permanência porque o governo não paga a sua parte.
Não houve e não há qualquer estudo sério do impacto provocado pelo anúncio das montadoras robotizadas (engenhos que jamais se filiarão a qualquer uma das centrais sindicais, hoje também impotentes) e de outras inversões. A propaganda mentirosa, calhorda, da cidade ecológica e modelo, é a causa matriz dessa barbárie. Felizmente, Taniguchi brecou a leviandade e usa a publicidade em utilidade pública, tal qual se vê na campanha de trânsito e na sustentação da do lixo. Se voltar ao triunfalismo, terá a cobrança do futuro pela inominável irresponsabilidade. Um delito irremissível.
BIZARRICE A montagem, vista na televisão, em cima do discurso de Lerner em Nova York (dizem que era para ir o Taniguchi, que afinal não é seu clone, ainda que altamente afinizado), foi no mínimo desastrosa: falava-se em aplausos não vistos nas imagens e de repente entrou um som que parecia o de um estádio comemorando um cesto do Chicago Bulls ou de uma jogada de rugby.
EMÍLIA Há um esforço palaciano para negar a esnobada que deram em Emília Belinati na reunião do ‘‘chapéu descerebrado’’. No mesmo dia, o Garcia Cid, presidente do Banestado, vai a Londrina e anuncia a fábrica de tratores. Dá a impressão que a governadora em exercício é uma figura ornamental. Esquecem-se esses políticos que Emília, que aliás não pretende deixar o PDT, deve assumir o governo se a lei atual de desimcompatibilização for mantida.
É mais uma, dentre muitas, demonstrações de falta de tato. Os sem-tato. Se tentam olhar essa figura sensível como um boneco, lembrem-se que pode lembrar aquela Emília do Monteiro Lobato, geniosa e dura.
MST POR CIMA João Pedro Stédile parece não ter percebido que gincana não é revolução. Conhecesse história, saberia que greves consentidas deflagraram o golpe de 64. Invasão de terra, quando não há perícia e relatório conclusivo do INCRA, não pode ser olhada como ‘‘ocupação’’, pois eufemismo não resolve questões concretas. Está de tal forma se acreditando na garupa de uma rebelião, que chega ao ponto de sugerir que Lula tire o terno e a gravata certamente para não parecer burguês.
Lula não ganha o voto dos pobres que o MST julga mobilizar porque pobre não vota no seu supostamente igual, (já que ele há muito não é do basquete e nem tem carteira assinada, a não ser a de político profissional) mas naquele que identifica a situação melhor, se possível parecido com mocinho de cinema. Foi assim com Collor e também com FHC. Se trabalhador votasse em trabalhador e pobre em pobre, estaríamos dentro desse cenário onírico do Stédile, aliás bomba de efeito retardado da reação e do fascismo, como a história o tem demonstrado.
FOLCLORE A euforia era tanta com a venda das ações da Copel em Nova York (alta de 5,2% no primeiro pregão daquela Bolsa) que os paranaenses que lá estavam, ao olharem a Estátua da Liberdade, viram nitidamente naquele facho que ela conduz o logotipo clássico da estatal da terra.
CROMO Geadas estão afastadas e menos pelo ‘‘efeito estufa’’ do que pelo florescer em ouro dos ipês.
AFORÍSTICO Agora, quando a imagem da Copel se consolida e se sabe da fatalidade da sua privatização, o Paraná deveria se unir para que não fizessem com ela o havido com a Vale do Rio Doce. Preço de banana, jamais.

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