O quadro de anomia (falta de referenciais institucionais e predomínio aberto do alternativo e do clandestino sobre a legalidade formal) leva basistas, de forma geral, à conclusão de que praticam atos revolucionários e se animam a acreditar que cada invasão de terra ou ocupação de repartição é uma batalha ganha. Apoiado pela maioria da sociedade, menos por um estágio de maturidade política do que por uma identificação melodramática (o sentimentalismo que chega à pieguice) ínsito em nossa cultura, o MST, estimulado pelo PT, que mostra imobilismo e incapacidade de agir no campo institucional, tenta levar o jogo da oposição a FHC para as ruas, como se isso por acumulação de energia, fosse suficiente para uma brusca alteração do quadro.
E dentro dessa linha, volta o líder João Pedro Stédile a pregar ocupação de escolas e fábricas fechadas (como se isso levasse a algum lugar a não ser a uma alegoria de menor força do que as de uma escola de samba), o berro dos famintos diante dos supermercados e o avanço dos sem-teto sobre os terrenos baldios. Objetivo estratégico: aproximar tudo, portanto, dos meios urbanos para mais proselitismo.
Se mesmo com as crises das polícias militares mal conseguiram reunir 40 mil pessoas em todo o País, no último protesto mostram-se incomparavelmente mais frágeis do que as marchas das religiosas de 64, que como eles também recebiam ajuda do exterior. Ora aquelas marchas fascistóides, agregadas porém pelo sentimento de horror ao comunismo e estimuladas pela baderna que tomava conta do País na quebra da hierarquia militar (o que, aliás, num cenário mais grave e sério se dá agora nas greves das PMs), reuniam até um milhão de pessoas como se deu em São Paulo, Rio, Minas e serviram de fundamento para que a milicada, sob o influxo da guerra fria, entrasse em ação.
A força do MST está na idéia de que age pacificamente, mesmo quando Stédile dá esse tom dramático à convocação dos excluídos de toda a ordem. Ocorre que o desafio para que se formem pelotões populares nas comemorações de 7 de setembro, a essas horas, já levou a impaciência às forças armadas, embora não tenha afetado o presidente FHC que continua subestimando tudo isso e achando, como versão principesca do Pangloss, que está tudo nos conformes.
Revolução não é gincana. O que está acontecendo no Brasil pode nos devolver a uma noite medieval quando o governo federal, mais do que qualquer outro, agir no sentido de cumprir decisões judiciais. Aí a ruptura será fatal porque no confronto as brigadas de sem-terra e aliados serão esmagadas, o que seria um martírio em massa. E esse, como ensinava Stalin, é apenas uma estatística, já que a tragédia é quando o fato se dá com algumas pessoas.
A propósito, a mesma PM que matou sem-terra em Corumbiara e El Dorado de Carajás é essa que no agito das greves recebeu o apoio dos oportunistas do basismo, auto proclamados da esquerda e iluminados vetores da história. Como de resto se deu aqui com o PT, na morte do Teixeirinha em Campo Bonito, que silenciou para não prejudicar o governante a que servem como linha auxiliar.
BIZARRICE Álvaro Dias riu, e com razão, do fato de o governo Lerner estar faturando o plantio de café adensado que não é obra desta gestão. É o roto rindo do remendado porque não consta que tenham sido obra do alegríssimo ex-governador o que anda a inaugurar, a três por dois, na Telepar.
GLOSA Só para raciocinar sobre o caráter das pessoas: haveria a ameaça de debandada no PTB, mais o gesto de muda de Aníbal Khury, se o senador Andrade Vieira continuasse no comando do Bamerindus? Shakespeare escreveu ‘‘Tímon de Atenas’’, que trata de um tema correlato, embora o nosso caso ficasse melhor assentado numa opereta.
SPRAY Denúncia grave de sacoleiro contra a turma do Rapa da Prefeitura na CBN Curitiba: um deles passa o material apreendido para um ‘‘bagrinho’’ vender lá nas proximidades da rua João Negrão. Cigarros importados. Intragável.- Padre Haruo Saçaki, de São Jerônimo da Serra, não acredita que a meta da OMS sobre a erradicação da hanseníase no ano 2.000 seja possível. É um dos maiores batalhadores da causa e após descobrir 120 famílias, fora do convívio social por causa da doença, ajudou a eregir o hospital Humânitas, que recebe recursos do Japão.- Agora botou em sua pauta de luta a causa de 70 meninos de rua daquela cidade que apareceu no mapa do Betinho como a mais pobre do Paraná.-
Um bandido assassinado no bairro de Tatuquara era de tal forma temido por todos que o feito foi comemorado como se fosse um carnaval. É o caso de lembrar da pesquisa em que mais de 45% de brasileiros admitem o linchamento, embora não o apoiem.- Ciumeira entre Marcos Formighieri e Alceni Guerra para saber quem teve a iniciativa de convidar Collor a vir ao Paraná. Nós merecemos.- Requião cita em Brasília uma pesquisa em que ele aparece com 67% das intenções de votos no Paraná. Deve ter sido feita só no PMDB.-
FOLCLORE Uma observação nova sobre a pesquisa em Nova York, que deu 84% a Lerner. No Harlem, Requião levou a melhor e no Brooklyn, Álvaro foi imbatível com o seu sorriso. Informe do Rubinho Ferreira, o Ferreirinha que mexe em eleições e não foge e muito menos é imitado.
CROMO O rio é mutante, nunca o mesmo, ou nós é que o enxergamos assim?
AFORÍSTICO O neoliberalismo nos levará a abandonar o público pela privada.

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