Luiz Geraldo Mazza
Atarantada ainda com o megaassalto com dezenas de reféns da Proforte, as fugas sucessivas de presos, como esse resgate de traficante e liberação de 22 detentos em Cornélio Procópio, a Secretaria de Segurança, a cada dia, reúne mais casos insolúveis. A culpa não é da pasta e sim do governador que com sua frouxidão sistemática, acentuada no fato de nada fazer para mudar a imagem do setor depois da passagem da CPI nacional (a quente, a fria não vale) por aqui, gera o caldo de cultura para a permissividade.
Não há respeito no público interno, secretariado e órgãos oficiais, pela figura do governador. Se houvesse a ramificação do crime organizado não teria alcançado a capilaridade aqui disponível, presente em absurdos como o incêndio da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e agora no atentado ao escritório do advogado que defende arapongas envolvidos na festa dos grampos telefônicos justamente na área de inteligência do governo, a Casa Militar.
Vivemos um clima de Yonesco, de teatro do absurdo, em que a autoridade sabe que não pode chamar a polícia pelo fato elementar de ela não funcionar. Se o governador tivesse um mínimo de autoridade esse festival de retaliação interna não aconteceria. Seu imobilismo está visível no fato de não mexer nesse quadro de auxiliares, em que pese a dimensão da crise econômico-financeira que enfrenta. Poderia reduzir a menos de um quarto o número de secretarias, mas não o faz e isso não se deve a razão política e sim de amizade, afetividade e cupinchismo.
A impressão que salta à primeira vista é que o governo acabou e a cada oba- oba, no que, aliás, é especialista, tem-se a reedição do Baile da Ilha Fiscal, aquele que foi o último do Império e precedeu a República. O festivismo é marca brasileira e até caracterizou a esquerda carioca no pós-64 e diante de um Estado falido, quebrado, o comandante se preocupa com Jogos da Safadeza, a sediação do Guggenheim na masmorra do Oscar Niemayer e outras amenidades e trata de vender a Copel o quanto antes para ganhar moratória e poder viajar mais à vontade, com salvo-conduto do Legislativo, no eixo Paris-Nova York, a sua escala futura.PESQUISA
Se um caracol leva dois meses e uns dias para cobrir 100 metros em quanto tempo você acha que o governo paga as férias dos servidores?
BIZARRICE Esse governo não precisa de oposição: o deputado Rossoni pediu a saída do coronel Vieira da Casa Militar, área dos grampos. Em plena fúria de arapongas palacianos, o governador viaja justamente para Arapongas. É uma forma de redundância para ninguém botar defeito. E daí estudantes na frente do colégio dão cartão vermelho pra Sua Excelência. O cara que inventou o carro blindado para o governador pelo jeito é profeta.
AXIOMA Há tanta felonia na situação atual que o problema mais sério do governo é a telefelonia. A situação está de tal forma confusa que mais vale a pena levar um telefone nos ouvidos, aquele tapa duplo das torturas, do que conversar ao telefone. Dói, mas é menos arriscado.
GLOSA Cada vez que o procurador de Justiça Dartagnan Abilhoa vai em cima de interesses oficiais, como agora nessa questão calamitosa do rodízio de cadáveres em Curitiba, tem-se a impressão que não é apenas o Dartagnan mas ainda os demais mosqueteiros Atos, Portos e Aramis.
EPIGRAMA O saber popular inventou o conceito de que quem diz a verdade não merece castigo. O senador José Roberto Arruda pelo jeito acreditou. Há um conceito jurídico, o do arrependimento eficaz, aquele que se dá antes do ato consumador de um crime, por exemplo, que não pode ser invocado. Nem em seu favor e muito menos da Igreja ao confessar suas culpas nas ações da Santa Inquisição. O que pelo menos derrubou um dogma, graças a Deus: o da infalibilidade papal.
SPRAY Matinhos foi tantas vezes palco de lançamento da candidatura Requião que está sendo chamado de Cabo Canaveral político. - E essa estória de uma nova aliança entre Lerner e Alvaro Dias? Pelo que este fez com Richa quando o sucedeu, derramando-se em moralismo e denúncias, imagine se abriria mão de um filé em matéria de corrupção como o do período atual. - Por falar em ato falho, não dá para suportar a insistência com que o secretário Miguel Salomão tenta mostrar que a Copel só dá prejuízo. Repete o Alvaro Dias, quando governo, que anunciava a disposição de vender o Banco del Parana denunciando-lhe as graves irregularidades. Só um leiloeiro genial salvaria a situação. - Além da Copel, agora há um prato quente na Assembléia: a CPI dos telefones vai centrar suas ações no caso dos grampos da Casa Militar. O sistema entrou em tobogã e nada mais detém a sua queda vertiginosa.
COINCIDÊNCIA Se o atual presidente do Legislativo estadual, Hermas Brandão, dublê de serventuário da Justiça, dono de cartório, vier a ser premiado como titular do 1º Ofício de Protesto de Títulos que era do Maravalhas e passou para o Sílvio Name Júnior, o que iríamos pensar e dizer?
A propósito, o jornal da OAB desce a ronca nos deputados e na aprovação de um novo regime de custas que esfolaria os que buscam a Justiça.
FOLCLORE O cartão vermelho para Lerner é bem mais civilizado do que vaia. No mínimo para cada um dos deputados um cartão amarelo até que iria bem.
CROMO Estrela cadente, hora de pedir uma graça ao destino.
AFORÍSTICO Há bomba maior do que o próprio governo?





