Ninguém, de bom senso, há de desejar a criminalização do MST. Isso não implica em adesão automática aos seus métodos e aceitação passiva da quebra de respeito à lei, eventualmente praticada, o que acontece com razoável frequência. Da mesma forma que a sociedade deseja a punição do massacre de Eldorado de Carajás e Corumbiara, ela não pode confundir ocorrências daquele porte com as havidas no Paraná e que ganharam expressão devido à mansidão do governo estadual que permitiu abusos no Noroeste, especialmente, o que fez com que, pela acumulação de energia, consumada no absurdo circense da ocupação do Centro Cívico, o MST se acreditasse o dono do pedaço.
E quando o governo buscou agir preventivamente com o ensaio de mais uma ‘‘tomada’’ de Curitiba, segurando os ônibus na estrada para ações preventivas de revista, houve o conflito lamentável e a morte de um manifestante, assentado de Itaipu há mais de uma década. Se há o lamento pela demora no júri de Eldorado de Carajás é de concordar-se que também aquele em que o Rainha foi indiciado teve igualmente andamento semelhante. É preferível uma Justiça lenta e que dê o amplo direito de defesa aos acusados, tanto num caso quanto no outro, do que a adoção de métodos sumários como os de Mussolini na Itália, o que imporia o espírito de turba e de linchamento.
Assim, pois, se o MST merece ser preservado na condição de maior movimento social do País (de resistência quase mumificada na questão fundiária), ele deve estar como toda a cidadania sujeito à lei que a todos obriga. Manifestações como a do tribunal que pretende julgar os crimes do latifúndio apenas servem para conceder indulgências plenárias permanentes aos que extrapolarem na luta pela terra como se a causa (nobre e urgente, sem dúvida) tudo justificasse.
Não se deve de forma alguma criminalizar o MST. Todavia a descriminação (ou descriminalização, como querem alguns) não pode ser genérica porque daí sairíamos da demonização para a beatificação, o que também é inaceitável. E de um reacionarismo fundamentalista, doentio, à altura de um regime teocrático.
BIZARRICE
Querem agora incluir a camisinha na cesta básica: tenta colocar-se o ato de transar tão importante quanto o de alimentar-se. E de tal forma que se diz, etimologica e semanticamente, que transar é uma forma de ‘‘comer’’ em linguagem mais solta
AXIOMA Lerner na primeira página da ‘‘Gazeta do Povo’’ parecia remover lágrima quando disse que se tivesse opção não venderia a Copel. Ao fundo faltou aquela ária da música italiana ‘‘Uma Furtiva Lágrima’’ cantada por Agnaldo Rayol.
GLOSA Da mesma forma que revelou no governo não ter a menor noção de custos, tanto que quebrou o Estado, o governador Jaime Lerner está agora com a idéia obsessiva de trazer o Museu Guggenheim para o Edifício Castello Branco, inadequado, sob qualquer aspecto, para essa finalidade, pelo simples fato de verter água tanto na parte superior quanto na inferior, esta no nível do lençol freático. Dá para imaginar obras de arte colocadas sob risco num ambiente desses, algo que nem uma operação impermeabilizadora resolveria.
EPIGRAMA Lá em São Luís (MA), no encontro de governadores pefelistas, Lerner chiou que o PFL só tem os ônus da gestão FHC e o PSDB os bônus. Foi talvez percebendo isso, com razoável senso de antecipação, que ele pretendeu entrar, na marra, no ninho dos tucanos e acabou ‘‘bicado’’ pelo Hélio Duque.
SPRAY Pode sair hoje a liminar da 2ª Vara da Fazenda Pública no pedido de tutela antecipada do deputado estadual José Maria Ferreira para brecar o processo de privatização da Copel. Era pelo menos a esperança do PSDB. - O problema não tem a singeleza imaginada pelos políticos, aqueles mesmos que permitiram a tramitação da lei autorizatória. Protelações de qualquer ordem podem gerar prejuízos também irreversíveis na perspectiva do governo. - Que o clima está emocional deu para ver no Plenarinho, ontem, com a campanha pela lei de iniciativa popular contra o leilão. Osmar Dias, único senador presente à sessão, sugeriu, de forma pouco sutil, que o governador é ladrão e sua equipe uma quadrilha. Se pelo menos estivéssemos em junho dava para imaginar que se tratava de quadrilha dançante. - Um caminhão-caixa da Kwikasair, entre 16 e 17 horas de ontem, saiu da Secretaria da Fazenda, precedido de batedores de trânsito, viaturas da Rone. Será que tudo isso é sequela do episódio do ataque à Proforte? O fato é que hoje não dá para brincar em serviço, ainda mais com o padrão de segurança que temos. - Agora, quem sabe, se houver a volta ao Brasil de Fernandinho Beira-Mar, poderemos ter mais informes do grau de envolvimento de setores policiais do Paraná com o crime organizado. Aqui um lugar-tenente dele, Jaime Amato, deitava e rolava com a maior tranquilidade. Ele morava no Morro do Piolho. - Um cidadão ontem de madrugada teve problemas com seu automóvel logo depois do pedágio de Irati, quando retornava de Guarapuava, e o pessoal da concessionária se recusou a atendê-lo. Procurou o secretário Nelson Justus esperando que faça jus ao nome e que não deva mudá-lo para Protelatorius.
FOLCLORE A Copel é nossa, adverte o anarquista Elísio Marques, ‘‘mas a chave do cofre é deles!’’
CROMO Sai leite corrosivo do figo e da ‘‘coroa de Cristo’’, vegetação hostil, e flui também do mamão verde.
AFORÍSTICO Para certos casais e certos hábitos, cesta básica e com camisinha é aquela com ‘‘s’’ e que precede o sábado.

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