Luiz Geraldo Mazza
Dá para imaginar a irritação da usina de sonhos de Lerner & Cia com a análise feita pela imprensa nacional, em cima do megaassalto, da perda de qualidade de vida de Curitiba. Os fatos, mais do que as avaliações e as notícias, o estão demonstrando há muito: a capital paranaense caminha com celeridade para se transformar numa Baixada Fluminense, tais os seus índices de violência e de baixíssimo retorno da ação policial.
O condicionamento, mantido por décadas, em função da lavagem cerebral (em Salvador não foram poucos, especialmente taxistas, que repetiam, ao saber que meu grupo era de Curitiba, o chavão da cidade-modelo), aos poucos vai provocando revolta nos que até recentemente ainda cultivavam essas fantasias.
A pesquisa é simples para desmontar o aparato publicitário: ver em sua família e amigos quem ainda não sofreu algum tipo de violência, assalto ou roubo. Essa a causa mais direta das dificuldades sofridas pelo governo na eleição municipal, especialmente em Curitiba, aqui acrescida pela desastrosa iniciativa de Lerner de aparecer na campanha de Cassio Taniguchi, que acabou levando a disputa para o segundo turno. Se neste o governador põe a cara, a vitória do Ângelo Vanhoni seria facilitada.
Ocorre que a violência tanto quanto os mitos sobre a capital são debitados à mesma pessoa o governador. Sua notória falta de pulso, a forma como deixou a Segurança na mão de políticos e da Assembléia Legislativa, a maneira débil como agiu à passagem da CPI do Narcotráfico (a quente, a federal) e o fato de não haver submetido o setor a uma reciclagem profunda explicam tudo. O Paraná é hoje refém do crime organizado. Estamos todos sob sequestro.
Uma agravante séria é a vulnerabilidade de Curitiba especialmente a ações de delinquentes organizados. As BRs que conduzem à capital estão transformadas em passarelas do crime organizado. O que não deixa de ser outra forma de turismo, dentre as muitas que Lerner atraiu.
BIZARRICE
O jornal La Nacion de Buenos Aires noticiou que Paraguai e Brasil articulavam a venda de Itaipu. Era 1º de Abril, mas como o entreguismo é a mania da moda (afinal a Copel, na devida proporção, está para o Paraná como a Itaipu para o Brasil ou não?) deu-se crédito ao boato
AXIOMA Corte de energia em várias partes da área norte de Curitiba deu margem a especulações. Oposicionistas achavam que decorria das terceirizações que vão preceder, como no caso da Telepar, a privatização. Nada disso: um gambá buscou aquecer-se num transformador e acabou torrado. Gambá torrado é redundância, desde que se trate do roedor figurado, o bebum.
GLOSA Com a declaração do presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão, de que o governo tem que alterar a lei que permite a venda da Copel, tudo volta à estaca zero e teremos mais sessões de barganha. Que tédio mortal!
EPIGRAMA Além de voyeurs, frestadores auditivos, o governo Lerner deve ter também os visuais. É pelo menos o alertamento que andam fazendo por aí, o que já deixou muita gente de barbas de molho. Além de gravação em fita, vídeo. É só o que faltava para incrementar esse Baile da Ilha Fiscal em exaustão.
SPRAY O governo abriu o leque das demissões: tem Plano de Demissão Voluntária (PDV) e mais aquela estória da transformação (na verdade retransformação) em celetista de boa parte dos estatutários. Agora se vale da Lei de Improbidade Administrativa (8.429/92) para confrontar declarações de renda com patrimônio dos servidores. Quem se recusar a prestar a informação pode ser demitido. - Os barnabés estão há seis anos sem reajuste e o governo ainda quer saber seus bens de raiz: dentes e cabelos, quando isso for possível. - Os servidores têm até 31 de maio para atender a exigência. Se ela for séria como o é a questão da declaração de bens de secretários, governador etc teremos apenas acúmulo de burocracia nada mais. - Depois que o governador promoveu diretor do Banestado, acusado de graves irregularidades, a secretário de Estado subverteu tudo. - Quatro paranaenses na Seleção Brasileira: Rogério Ceni, Beletti e Leomar, todos do interior, e Ricardinho, de Curitiba. O que mais jogou no escrete foi Dirceu, que era Coxa e só foi ganhar destaque quando no futebol carioca. - Oportunismo é a peça de resistência da política. O deputado Algaci Túlio está pretendendo botar o caso dos grampos telefônicos na CPI da Telepar. Poderiam incluir as gravações do Banestado feitas por um detetive contratado.
FOLCLORE O PT sabe que tem que privatizar a Sercomtel, mas acrescenta o máximo de dificuldades para o leilão da Copel. Quem sai da condição de estilingue para a de vidraça entra nesse tipo de ambivalência. É o caso da CPI (nacional) que o PT defende contra FHC e que nega para investigar o lixo em São Paulo.
CROMO Outra do meu neto, Ângelo Antônio, de 4 anos: repreendido pela mãe, por causa das traquinagens, ele a aconselha a sentar-se, a tapar os olhos e deixar a boca aberta. Depois de instantes explica: A boca aberta é pra sair toda a maldade. E conta que quem o ensinou foi a professora.
AFORÍSTICO Agora já se sabe por que o governo paranaense é tão imobilista: é que um fica botando grampo no telefone do outro o tempo todo.





