Luiz Geraldo Mazza
Desde a desmistificação geral e irrestrita ocorrida ao longo da queda de Collor, diante das ações do seu tesoureiro eleitoral PC Farias, passou a haver mais riscos nessa atividade antes garantida naquele pacto de silêncio que cercava uma área-chave da política. Os ingênuos, que ignoravam o fato de que as empreiteiras eram o sustentáculo, imaginavam romanticamente que o Lula, por exemplo, fazia suas pregações de asa delta, já que ao anjo barbudo não pegaria bem servir-se de dinheiro de origem supostamente duvidosa. Pois hoje isso tudo está mais do que claro.
A própria CPI dos Precatórios começou a inviabilizar-se menos pela sórdida manipulação política para atingir adversários do que por se haver descoberto o veio aurífero que substituiria a generosidade dos empreiteiros, hoje em notórias dificuldades até por ausência de obras, com a transferência de recursos obtidos na venda de títulos públicos para acionar eleições.
Acrescentou-se agora aos riscos a decisão do empresário João Simões de acionar o PSDB pela cobrança de R$ 3 milhões que gastou na campanha do seu irmão Carlos à Prefeitura de Curitiba. O partido deixou o Simões na pior ao não ser ressarcido desses gastos e a revolta veio traduzida nessa decisão de processar o tucanato, o que deixará em má situação Hélio Duque e o Antenor Bonfim porque esse dispêndio tem todos os comprovantes materiais e superam de longe a contabilidade formal (como sempre, aliás) apresentada ao TRE. Dá para configurar, portanto, um crime eleitoral e com força para destituir toda a direção do partido no Paraná e que andava autosuficiente diante da rasteira aplicada em Lerner.
Do lado de Lerner haverá também prejuízo pesado: a Mário Celso Petraglia é mais fácil ingressar num convento, em que a ordem use cores rubro-negras, do que voltar a comandar o setor financeiro da campanha da reeleição.
Na verdade, o que precisamos é de legislação mais clara e igualmente maior empenho dos partidos e da sociedade nesses processos, afim de que ganhem um mínimo de autenticidade que hoje, honestamente, não ostentam.
BIZARRICE Mesmo auto-exilado em Guaratuba, Rubinho Ferreira continua no auge das fofocas. Impressionado com o tom das pesquisas que dão Lerner bastante distanciado nas intenções de votos, anuncia que em Nova York houve outra que dá 82% para o governador, 4% para Requião e 2% para Álvaro. Embora muitos achem que Lerner (principalmente a sua turma, é claro) já é mais famoso do que a Estátua da Liberdade, esta acabou, conforme o Rubinho, entre os 12% de indecisos.
GLOSA Vai muito mal o reino quando o monarca confunde o bobo da corte com o seu preceptor.
SPRAY Banestado teria soltado R$ 1 milhão para os Jogos da Natureza sem a contrapartida de garantias exigidas pelo Banco Central. Esses jogos já provocaram pequenas guerras de interessados no interior do próprio governo, em torno de contratos de divulgação e tudo na base da deselegância e do grito.- Como se deu em 1980, quando o Censo mostrou que no Paraná não havia 10 milhões de habitantes, como constava de uma projeção da Copel, e sim 7 milhões e 600 mil, o Anuário do IBGE mostra que somos, outra vez, um fenômeno, agora de massas migratórias e que se dá antes do conhecimento do oba-oba em torno da vinda das montadoras.- Aliás, ao mostrar o caso de Ponta Grossa, com seus 124 núcleos favelados que hoje representam 10% dos moradores do município, anteontem esta Folha ratificou claramente a procedência dos alertamentos que venho fazendo sobre o impacto de decisões de investimentos ao longo do eixo entre a Grande Curitiba e aquela cidade. Desde os anos 70, quando Ponta Grossa se beneficiou da montagem do maior parque de oleaginosas da América Latina, já se observava esse impacto.- O mais grave da radiologia do IBGE é mostrar que muitos paranaenses, que retornaram da busca a outras fronteiras agrícolas, agora procuram centros urbanos como Curitiba, Londrina, Ponta Grossa etc. Um pepino azedíssimo para um Estado com problemas sociais em agravamento.- Incrível é a desfaçatez de certos empresários paranaenses. Figuram entre os maiores sonegadores de impostos e maiores inadimplentes dos bancos oficiais e ficam aí posando de exemplares, como quem indica rumos para a sociedade.- Outra coisa irritante é também o fato de fecharem os olhos para abusos estatais. A mania de a prefeitura (a bossa vem de Greca para cá) assumir serviços da iniciativa privada como esse demagógico dos restaurantes populares a R$ 1,00 (o último deles instalado na Rua da Cidadania da Matriz) está quebrando os pequenos bares e restaurantes que não podem acompanhar um preço tão irreal. Já aconteceu isso perto da Vila Capanema e agora se dá no centro. Vai se repetir no Passeio Público, pois o monopólio da concessão criará, em seu entorno, o problema de sempre. E depois ainda enchem a boca para falar em iniciativa privada.- Mania da parceria, não apenas aí, mas em outros campos, é um estilo, uma griffe, marca registrada. Só que os beneficiários são os de sempre.-
FOLCLORE Ao saber que Lerner procuraria o pessoal da Disney para um parque temático na Costa Oeste, Requião lembrou que com isso teríamos outros patetas e metralhas. Na verdade, o que precisa é de um Tio Patinhas para garantir dinheiro para tanto delírio.





