Luiz Geraldo Mazza
Depois da intervenção do presidente da República no sentido de que a venda da Copel é uma decisão, única e exclusiva, do governo estadual, sabidamente uma meia verdade, veio outra do Bresser Pereira, aquele ex-ministro que sorria diante das crises como se comesse pão-de-açúcar, posicionando-se contra a venda da estatal de energia. É uma orquestração tucana para efeitos eleitorais internos, o que é aceitável nesse campo movediço da política.
E quem fica mais perdido com tudo isso é o governador que não tem pegada, não sabe se impor, causa das roubalheiras como as havidas no Banestado e origem dessa vergonheira, presente nos episódios de escuta telefônica e exercido em cima da então secretária Maria Elisa Paciornik, da Administração, por ordem de alguém do alto escalão. Não se sabe se o ato era pura autofagia ou operação com finalidades de espionagem e comprometimento de uma figura que em todas as gestões de Lerner exerceu papel de realce.
Nunca se viu um governo tão desastrado como o atual. Nem o segundo governo Lupion, pontilhado de incidentes, com atos até de insubordinação civil, como a proclamação do presidente da Associação Comercial do Paraná, Oscar Schrappe Sobrinho, para que os contribuintes não pagassem impostos, pois o governo carecia de um mínimo de credibilidade, se viu tamanho descalabro. No desespero tenta imaginar saídas como a de alquimias com ações da Sanepar, para tentar produzir dinheiro, ao lado de uma operação abafa para reduzir gastos com pessoal, claro que tudo feito de forma atarantada e penosa, até porque essas providências deveriam ter sido assumidas na primeira gestão. O custo político de tudo isso é enorme e se o governo botar os olhos numa pesquisa de opinião vai ter uma idéia do seu já incontrolável declínio.
Uma ironia que circula por aí tenta imaginar duas hipóteses para Lerner: uma aquela do cooper do Milosevic se arrancando do Palácio e outra, de menor risco em termos de ridículo, aproveitando a licença da Assembléia, para repetir aqui o papel do Fujimori que, apesar de eleito pela terceira vez, viu que não poderia continuar.
BIZARRICE
Há duas semanas, o governador foi com dona Fani no Cine Luz e furou a fila. Alguém, com razão, chiou. Lerner aproximou-se do espectador que protestava e lembrou que aquele cinema havia sido construído por ele quando prefeito. Teve que ouvir o repique: mas foi com dinheiro público e não seu.
Só faltava um gaiato petista na roda para dizer que a fronteira entre o que é público e privado no Paraná não é nítida. Em São Paulo também, vide a reação de Marta Suplicy à CPI do Lixo na operação que beneficiou empresas que financiaram a sua campanha eleitoral em contratos temporários.
AXIOMA Frases ardidas, amizades ofendidas. Requião disse que Osmar e Alvaro eram tigrões no Paraná diante de Lerner e tchutchucas face a FHC. Osmar rugiu como um tigre e disse que o senador que o caricaturara era conhecido aqui e em Brasília como cachorro louco. Osmar foi o líder da resistência contra a cassação de Roberto Requião pelo TRE. Nesse caso também foi tigrão ao lado de Mário Pereira que o salvou, indiretamente, do processo Ferreirinha justamente por não ter sido citado como litisconsorte necessário.
GLOSA O governo paranaense acusou os sem-terra de usarem crianças como escudo humano nas suas manifestações. Agora os maldosos negam a Lerner a ternura de qualquer avô sugerindo que leva o neto na cacunda para evitar agressões. Só falta o Doático Santos fazer denúncia na Promotoria do Menor e do Adolescente.
EPIGRAMA O apelido de Toninho Malvadeza para ACM teve a resposta para o seu antiparadigma, o Valdir Pires, de Valdir Moleza. Retórico, não há sinais de sua passagem pelo governo. Já o Malvadeza é cultuado, o que mostra sintonia entre o povo e os autoritários. Dava-se com Getúlio Vargas, dá-se com os nossos daqui.
SPRAY A oposição, a cada dia, tem uma pauta criada pelo governo: a maior ainda é a Copel, mas a criatividade negativa do Palácio Iguaçu é inesgotável. - Está certo o presidente do Tribunal de Contas, Rafael Iatauro, em reclamar que haja prestação de contas mensais do governo. No governo Munhoz da Rocha (1951-54) isso era norma de rotina. - Dois planos de Lerner, o da demissão voluntária e aquele que estabelece o regime CLT no serviço público, viram paranóia para um massacre oposicionista. De onde o governo vai tirar dinheiro para tudo isso quando não paga sequer as férias normais dos funcionários? - Se quer baixar custos seriamente reduza as secretarias a oito ou nove, corte drasticamente os cargos em comissão, bloqueie gastos com propaganda e com iniciativas como a dos Jogos da Safadeza, dê duro na atuação na receita estadual, vá atrás do que há para receber e o quadro melhora. Controlar os desvios de recursos e também os de conduta (evitar novos episódios como os do Banestado) é indispensável.-
FOLCLORE Quando se soube do plano do governo Lerner de introduzir o regime CLT para uma parte do funcionalismo houve a observação de que o regime que ele precisa mudar é outro e bastante pessoal, apertar o cinto, como não consegue fazer com a administração.
CROMO Crianças conversam serenamente com formigas e borboletas como se fossem gnomos animados e obtêm respostas que não conseguem com os adultos.





