O governo endoidou. Só pensa ‘‘naquilo’’, a venda da Copel, de qualquer jeito. Além de procurar ajustar o Regimento Interno da Assembléia Legislativa aos interesses de circunstância, impedindo a manobra de oposição que pode recolocar na ordem do dia um dos três ou todos os projetos que impedem a venda da estatal, tenta agora obrigar entidades liberais como a Associação Comercial do Paraná a dançar conforme a sua música, o funk do ‘‘tudo dominado’’. Levou esse confessionalismo a instituições antes respeitáveis como o Ipardes e hoje um órgão mais a serviço do triunfalismo. Essas ameaças se acentuaram depois que a ACP convidou o ex-presidente e governador de Minas, Itamar Franco, a falar sobre a questão energética e as privatizações.
Toda reivindicação corporativa é filtrada: professores querem cumprimento de acordos até aqui não respeitados, policiais reclamam de um plano de cargos e salários? Simples: tudo pode ser atendido, mas em 2002, depois que a Copel for leiloada. Arma-se um artifício, com a acúmulo de demandas deprimidas no campo funcional ou empresarial, condicionando-as todas aàuele objetivo. Só não percebe o que está acontecendo um embotado: a ausência de escrúpulo oficial chegou ao paroxismo e tudo vale a pena se a lama, como sempre, não for pequena. Faz-se aberta demagogia com os corporativismos para submetê-los à camisa-de-força de uma condicionante radical – o leilão da Copel.
Como a campanha em defesa da Copel (ou pelo menos de buscas de alternativas menos perniciosas) ganha corpo, densidade, agora nas ruas e nas entidades liberais, a paranóia interna no Palácio Iguaçu lembra o torpor dos SNIs e congêneres do regime militar: matar tudo no nascedouro e tascar propaganda, em doses piramidais, pela televisão, rádio e jornais.
Uma das coisas muito curiosas que ocorrem nesse fim de ciclo político é o fato de Alex Beltrão ter vindo em 1961 ao Paraná para ajudar a organizá-lo em bases científicas, planejamento, montagem da Codepar (depois Badep), toda ela balizada no Estado forte e intervencionista e aparecer aqui para fechar o caixão de um processo aberto ao aventureirismo das privatizações. Dá para lembrar daquele militar do filme ‘‘A Ponte do Rio Kwai’’. Só que aquele lutou para impedir que a ponte fosse demolida e o Beltrão aciona a dinamite.
AXIOMA
Adivinhe quem será o Judas mais malhado neste sábado, personagem em destaque nessa história de privatização da Copel? O problema para definir a figura vai ser o enorme recheio
BIZARRICE O presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Rafael Iatauro, puxou a orelha do governo Lerner no encerramento de um seminário sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) lembrando que numa gestão em que há secretários demais apenas três compareceram ao evento no Centro de Convenções. O conselheiro Rafael Iatauro parece não ter percebido o detalhe de que essa turma só pensa ‘‘naquilo’’, vender a Copel, para ficar no purgatório e fugir ao inferno do flagrante incontestável da falência.
GLOSA Belo e inteligente o título da campanha em defesa do papagaio-de-cara-roxa. Diz assim: quem gosta dele paga para não ter um. O contrário do que certa feita o falecido Banestado aprontou, por artes desses publicitários que chutam sem limites, transformando a ave-totem do Paraná, a gralha azul, no símbolo do banco. Além da asnice de sugerir aquela fantasia de que a ave planta pinhões, quando apenas os derruba, já que vive na galharia dos pinheiros, ainda botaram um exemplar numa gaiola em cada agência. Vá gostar de gralha, tida como em extinção, na casa do chapéu! Não o pensador, claro, o de moleira mole.
EPIGRAMA Quem semeia ventos, colhe tempestades. Está aí o governo Lerner às voltas com a quebra financeira que ele próprio montou na prodigalidade de gastos absurdos como os R$ 500 milhões em menos de cinco anos de propaganda, o bilhão queimado na Leasing e na Corretora Banestado, os R$ 80 milhões dos Jogos Mundiais da Safadeza.
SPRAY O deputado Marcos Isfer reclamando da ‘‘deslealdade’’ de Lerner porque demitiu seus indicados é de um ridículo sem tamanho. Política sempre foi assim e essa é a sua ética. - Dá para acreditar em pesquisas eleitorais nessa altura do campeonato? Saiu a tucana com Alvaro disparado na frente, 18 corpos à frente de Requião. Este repicou com uma (da ‘‘Experience’’) em que Alvaro tem 39 e o peemedebista 37. - Figuras carimbadas, suspeita-se, ainda mais em razão do clima de devassa e exigência de renovação, não estariam com essa bola toda. - Funcionários do Palácio Iguaçu e da área de contra-informação, a Casa Militar, envolvidos em ‘‘grampo’’ telefônico. Na CPI das Drogas, a quente, a federal, houve a denúncia de que um piloto da Casa Militar tinha uma empresa fajuta para arrendar vôos e que usava notas fiscais de outra organização.
FOLCLORE A subserviência do Legislativo é tanta que o governador pediu para que aquele Poder o liberasse de solicitações para viagens ao exterior. Se o poder merecesse respeito, o governante não o faria. Depois da CPI da Copel-Sercomtel e agora das marchas e contramarchas de votar contra e após a favor da venda da estatal tudo é possível.
CROMO A gaivota, alvíssima, único sinal de vida no Rio Barigui.
AFORÍSTICO Daqui em diante toda reivindicação funcional ou empresarial fica subordinada à venda da Copel. Se esses pleitos persistirem nada sobra.

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