Luiz Geraldo Mazza
Sai uma pesquisa do IBGE sobre desenvolvimento industrial. Se o Paraná estiver bem, como aconteceu na última, há o espalhafato de sempre. Mas se a posição for negativa entra em cena o Miguel Salomão, com a argúcia de um Pangloss, para quem tudo está no melhor dos mundos, lembrando que aquilo é uma projeção sobre base estatística desatualizada dos anos 80.
Ontem foi a vez do mosqueteiro (ou seria mosquiteiro hoje, mais do que nunca, às voltas com anofelinos e o Aedes aegypti?) Armando Raggio, secretário da Saúde, com a destreza de um Dartagnan, veio desqualificar a pesquisa da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), na qual o Paraná aparece em sétimo lugar nos cuidados com endemias e no sistema de vigilância epidemiológica.
Tenho ressaltado, seguidas vezes, que levamos um banho no Sul em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de catarinenses, gaúchos e também, em determinados indicadores, dos sul-mato-grossenses. O IDH é importante porque extraído do cruzamento de indicadores sociais e econômicos. Nestes vamos bem melhor do que naqueles, a despeito de o governo viver se creditando no campo social. Verdade é que Curitiba até que desfruta de boa posição. Jamais o conjunto do Paraná.
Se o governo tivesse hoje as rédeas da comunicação social, como acontecia até algum tempo atrás, estaríamos sob uma avalanche de triunfalismo. Ocorre que a realidade é tão flagrante, desde a evidência da quebra do Estado até a pulsão desesperada pela venda da Copel para tentar suavizar o caixa, que não há espaço para delírios.
Enrolando professores e agora policiais e empurrando para o ano 2002 tais compromissos, o governo busca a moratória, quer ganhar tempo, se é que dentro de uns dois meses não teremos o atraso na folha do funcionalismo, fugindo da situação imediata e desenhando no horizonte o angustiado respiro que não vem. Para sugerir tranquilidade sustenta ainda outra fantasia a da possível candidatura presidencial ou a vice.
Se houvesse honestidade de propósitos e preocupação em torno dos interesses permanentes da Paraná, Lerner agiria como um líder contando a verdade à sociedade. Como fazê-lo se o grupo arraigado ao poder jamais o admitiria e que isso equivaleria à deserção? Em qualquer situação que se examine o caso do nosso governador, sua posição lembraria sempre a de um refém.
EPIGRAMA
Será que depois da Semana Santa, Jaime Lerner assume de vez o governo, depois de ameaçar fazê-lo durante seis anos? Páscoa tem o sentido de passagem e de vida nova, algo que sai do ovo ou que ressurge
BALÉ COPÉLIA Sexta passada, o engenheiro Nelson de Souza Pinto, autoridade mundial em hidráulica, esteve na Associação Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba, falando sobre a Copel e a sua privatização. Depoimento enxuto, desapaixonado, teve seu ponto mais forte ao revelar não ser conveniente, como negócio e como estratégia, a venda numa quadra de escassez de energia como a atual.
Ainda bem que o presidente da ACP, Marcos Domakoski, não é vinculado ao poder público, daí a democracia que imprime ao processo. Isso jamais se dará na FIEP por uma questão elementar: Carvalhinho, em que pese todo o seu valor, não o faria com aquele mínimo de neutralidade porque é secretário de Estado. Verdade também que um secretário não se obriga a ser um sectário. O que poderia colocar o empresariado sob o risco de retaliações oficiais pela circunstância eventual de não aprovar a venda e da forma como está sendo imaginada e em função da histeria que começa a tomar conta do governo nesse assunto.
BIZARRICE Um debate ontem na CNT reuniu Tony Garcia, Algaci Túlio, Gustavo Fruet e Valdir Rossoni: um mestre (o deputado federal do PMDB) diante de alunos pouco aplicados. Não espanta porque a distância é a mesma na bancada federal e diante da esmagadora maioria da Câmara Baixa.
AXIOMA Pesquisa para o governo que dá Alvaro Dias na frente está sendo contestada: o mais forte dos presumíveis candidatos oficiais, Cassio Taniguchi, nela não figura. Em 90 a distância de Alvaro para Lerner era bem maior nas primeiras pesquisas e no fim houve aquele baile de um turno só.
GLOSA Governo federal vai prensar senadores desde a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para não darem aval ao projeto de Roberto Freire (PPS) que impede, enquanto perdurar a crise energética, a venda de estatais, pois há a prioridade em relação a Furnas. Se os irmãos Alvaro e Osmar tomarem aí posição igual à adotada no caso da CPI da Corrupção, darão razão ao sarro do Requião e do Waldyr Pugliesi que dizem que aqui no Paraná eles são tigrões, mas lá em Brasília parecem tchutchucas. Afinal, Alvaro e Osmar são abertamente contra a venda da Copel. Ajustar o nacional ao regional não é fácil.
FOLCLORE Em seminário sobre os 100 dias dos prefeitos na Folha de S.Paulo Cassio Taniguchi, de Curitiba, não admite colher de chá para os que pretendem fugir do cerco da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Marta Suplicy não gostou. Se houvesse uma de governadores, Lerner também chiaria.
CROMO Nas manchas verdes da cidade, o canto incrível da saracura, que aparece menos do que o boitatá para as pessoas.
AFORÍSTICO Como é que tendo tantos órgãos de controle, tribunais de contas e agora até uma Corregedoria, acontece um caso como o da Sudam?





