Luiz Geraldo Mazza
Como é que o rebanho volta ao aprisco? Ração, antes de tudo. É o que todos sugerem ter ocorrido com a virada súbita dos rebeldes da base aliada ao lado do governo. É uma presunção óbvia depois de ocorrências como aquela da reversão da CPI da Copel-Sercomtel, já instalada e tornada sem efeito. Manuais de ética sugerem que não se deva nem generalizar e muito menos presumir. Aquele antecedente, já referido, é suficientemente forte para que se dê crédito às especulações correntes e que levaram Caíto Quintana, da Corregedoria do Legislativo, a pedir explicações a jornalistas e também a figuras citadas em colunas e reportagens. Uns vão alegar o sigilo da fonte, o que não é tão sacramental quanto se imagina, e outros que há ruído forte no processo de comunicação.
Pois ontem o governo nocauteou a oposição, antecipando o que se dará na próxima semana com a derrubada fulminante do projeto que impedia a venda da Copel. Se no caso das suspeitas há o antecedente do nebuloso episódio, até hoje não examinado (como se dá com os Jogos Mundiais da Safadeza, as pilantragens da Leasing e Corretora Banestado, os R$ 500 milhões queimados em propaganda em menos de cinco anos que dariam para catapultar a tal da Paraná Previdência) da venda das ações da Sercomtel à Copel com jeitinho de truta, na questão específica da autorização para leiloar a estatal de energia tudo foi decidido com larga margem de votos a favor da insânia oficial. Fazer agora, depois de tudo consumado, esse agito em cima de troca de vantagens é algo que só pode terminar mesmo com a ratificação da decisão anterior.
Na votação, ontem, da urgência para os projetos revogatórios a contagem foi de 29 a 18 em favor do governo leiloeiro, o que mostra a inocuidade de toda a mobilização tardia que deveria ter sido encenada na época própria e não agora com o que se deve ter valorizado tremendamente os maliciosos.
Vamos agora às batalhas judiciais com cabeça e racionalidade e não com jogo para a assistência, como se vem fazendo num desperdício brutal de energia.
BIZARRICE
Segundo o deputado Valdir Rossoni o Palácio, enfim, aprendeu a fazer política. Política com p de porcaria.
AXIOMA E o que se vai fazer com o placar da votação do caso Copel? Correrá em várias cidades, tentará mobilizar ou se mostrará tão inútil como aquele placar eletrônico do tempo do Aníbal Khury?
GLOSA Lembram da frase que publiquei aqui de Marco Túlio Cícero (em carta a Públio Lêntulo)? Ela acabou sendo encampada pela oposição ao decidir ontem arquivar os três projeto revogatórios da venda da Copel com o que criam um problema para o governo, já que podem retornar à discussão e gerar o festival de mau-caratismo na base aliada, outra vez. Aliás falava-se abertamente por aí que o governo daria um calote nos deputados arrebanhados.
Vamos à frase. Ou melhor a máxima: Devemos agir com muita atenção, para não deixarmos de lutar pelo que pode ser obtido, e para não parecermos derrotados no que não obtivermos. Ajusta-se como luva no caso.
EPIGRAMA Por essas e por outras é que a atividade política cada vez mais se parece com as artes da prestidigitação: contra os abusos da maioria é ético e legítimo dar uma de malandro de parque.
SPRAY O Palácio Iguaçu, mal havia saboreado a vitória do pedido de urgência para os projetos que revogam a venda da Copel, entrou novamente em distonia neurovegetativa, ansiedade, palpitações, suores nas mãos com a inteligente manobra oposicionista de arquivar as três propostas.- Como essa prerrogativa do autor, a de retirar o projeto para o arquivo, é inquestionável, o governo sofrerá novas e sucessivas chantagens da base aliada em troca de vantagens, orçamentárias ou não.- E isso abrirá espaço para adensar a discussão do tema com o conjunto da sociedade, o que até agora não foi feito, e permitirá o exercício de pressão sobre os deputados.- A oposição queria transferir tudo para maio, mas o bloco situacionista, depois das cenas que protagonizou, passou a negar a possibilidade de moratória em cima do assunto.- Assim Jaime Lerner, que já esperava encontrar a casa em ordem para a sua pulsão leiloeira, vai chocar-se com o mesmo quadro anterior e correndo o risco de novos e sucessivos espantos.- O tempo favorece os oposicionistas: a entrada em vigor da Lei das Sociedades Anônimas pode afetar a tramitação da matéria e também a iniciativa do senador Roberto Freire, PPS, de proibir privatizações do setor energético enquanto perdurar a crise do abastecimento.- Quem chega na Capital amanhã é o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Eduardo Cardozo, que presidiu a CPI das propinas (obteve 229.494 votos em função disso) para palestra e lançamento do livro A Máfia das Propinas-Investigando a Corrupção em São Paulo. A palestra se dará às 14h30 no Anexo II da Câmara Municipal de Curitiba.
FOLCLORE Já chamaram Jaime Lerner de Jaime Lerdo e agora o Rubinho Ferreira, com seus exageros habituais, o está apelidando de Jaime Mandelli por estar empenhado no desmanche geral do Estado.
CROMO Mulher fruta a polpa sumarenta do seu corpo é a sua essência.
AFORÍSTICO O vaivém da situação política, no caso Copel, é de tal ordem que no mínimo há de levar as pessoas ao torcicolo.





