O estamento mais forte do Paraná, nos últimos cinquenta anos, é a Copel. Algo como se dá com a Petrobras em nível nacional, essa estatal exerceu um poder incontrastável, hegemônico, ao ponto de, o mais das vezes, submeter o governo aos seus interesses do que se dar o contrário, o que só aconteceu com Richa e, mais tarde, com Requião, que iniciou sua desmobilização acionária ao vender suas ações para bancar o processo de desenvolvimento da própria empresa (65%) e da Ferroeste e rodovias.
Habituada ao centralismo, exportava quadros para outros setores e raramente entrava em conflito com os governos. Quando do atrito em torno da rigidez dos seus padrões, que impediam um programa ousado de eletrificação rural, na gestão de José Richa houve, inclusive, demissões na empresa por causa da frágil, porém nítida, resistência. Antes se habituara, especialmente no regime militar, a praticamente reger tudo ao ponto de suas instalações servirem de quartel-general até para organização de campanha eleitoral, proposta de planos de governo.
Quando Requião pleiteou a venda das ações não houve resistência nem na estatal e muito menos no Legislativo. Ela estava sem voz. Na gestão Lerner debulharam as suas ações, entregues ao BNDES sob a epígrafe ‘‘Para fins de privatização’’ e novamente a corporação não reagiu, já que havia sido exposta tanto no governo Richa quanto no de Alvaro Dias nos atritos decorrentes da continuidade das obras da hidrelétrica de Segredo e que culminaram com o pagamento de R$ 90 milhões à CR Almeida como indenização e antecipado, sob a alegação de que a demanda seria perdida. Todo esse esvair de recursos foi para atender a problemas de caixa, argumento presente na sua privatização, ainda que usando o sofisma de que visa o ajuste fiscal com o suprimento da badalada Paraná Previdência, o que significa a mesma coisa.
A falta de resistência interna, o que não acontece no caso da Petrobras, acaba baixando o nível do debate e das informações. Não espanta que haja uma espécie de ‘‘Gulag’’ tanto na Copel quanto em órgãos como o Ipardes, hoje transformado numa instituição a serviço do triunfalismo oficial, o que nega o seu compromisso técnico-científico e doutrinário.
É a peça que está faltando no debate: a postura da corporação que não é representada por esse baixo-clero que tenta falar em seu nome.
BIZARRICE
Ratinho prometeu combater a privatização da Copel na TV, mas depois foi convencido de que se levantasse a questão regionalizada haveria a grita de outras unidades federativas. O seu público prefere dramatizações na base da investigação da paternidade, resolvida pelo exame de DNA. Esse tipo de dar a luz é melhor do que o das turbinas.
AXIOMA A água, explicava o professor de química, é um produto inodoro, incolor e insípido, isso é sem cheiro, sem cor e sem gosto. A da Sanepar está fora.
GLOSA A vereadora Clair Martins quer regular o ingresso das vans em favor dos taxistas. É mais uma vã esperança de que as coisas melhorem.
Não se trata, esclarece, de oficializar ‘‘perueiros’’, mas de permitir uma nova linha de atendimento. Adequada, aliás, para ‘‘peruas’’ do society que prefeririam esse veículo ao táxi comum, menos personalizado.
EPIGRAMA Um jornal do oeste diz possuir uma fita com mais de uma hora de gravação com o ex-prefeito Antonio Belinati sobre os episódios de Londrina e que envolveria meio mundo do governo. Isso em nada reduziria a responsabilidade, já apurada nos eventos, do declarante. O fato é que o governo abandonou o seu maior aliado como se fosse um doente contagioso, apesar de a cúpula nacional do PFL ter vindo ao Paraná prestigiar a sua filiação.
SPRAY ‘‘Tá tudo dominado.’’ Essa era a expressão, anteontem à noite, depois de reunião entre a base aliada supostamente rebelada e o governador no Palácio Iguaçu. - Só faltou o governador parodiar os ‘‘funkeiros’’ cantando o ‘‘Quer negociar, negociar? O Jaimão vai te ensinar.’’ Eufórico, viajou a Buenos Aires para missões internacionais. - Ficou a pergunta: e se der calote? Aí seria uma bela lição à falta de caráter generalizada. - Afinal o calote é uma constante no governo em relação aos professores e demais funcionários, aos empreiteiros e prestadores de serviço, aos que fazem locações de prédios ao Estado.- Com o placar do Movimento em Defesa da Copel já pronto, a oposição busca endurecer a parada no front político, sabendo que só há esperança no judicial. - Aliás dá para lembrar que isso não dá sorte e muito menos sensibiliza como os autores o imaginam: a maioria que votou contra as diretas, apesar dos painéis no centro da Capital, acabou se reelegendo. A execração não funcionou. - O teste de fogo seria feito na Assembléia com um pedido de urgência para a votação dia 9. -
FOLCLORE Quando, no meio da reunião tensa, o deputado afirmou, com a Bíblia na mão, que ninguém o dobraria, nessa história de privatizar a Copel, poucos perceberam que ele estava com um colete de gesso por causa de uma lesão na coluna cervical.
CROMO O bisturi vaga pelo corpo róseo no paciente-flor e o divide em sépalas e pétalas. Em lugar de sangue e hemácias, seiva e clorofila.
AFORÍSTICO Quem será mais eficiente: a Corregedora da União para apurar fraude e corrupção ou o Caíto Quintana para investigar a especulada venda de votos aqui no nosso bem traquejado Legislativo?

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