Municípios, como o de Maringá, que tinham dívidas com o Banestado e as rolavam sem qualquer cerimônia, apoiados na intermediação política, podem ser surpreendidos com medidas violentas como a de bloqueio dos repasses do ICMS. Agora não tem mais Estado, o ente público, patriarca do Velho Testamento, no pedaço e por isso correm todos os riscos inerentes à dívida não honrada.
O curioso é que para determinados devedores, amigos do rei, o governo cuidou de ‘‘monetizar’’, isso é assumir a cobrança dos débitos, tirando o resíduo do banco. E quando se fala na tal Agência de Fomento, uma vez que este governo, que quebrou o Estado, esvaziou o Fundo de Desenvolvimento para o aporte à aventura de associar-se às montadoras, imagina-se a dificuldade de capitalizá-lo para que possa operar como um embrião da antigo do Badep que o Alvaro Dias, em manobra mal inspirada, pediu a liquidação extrajudicial.
Agora até a Associação dos Municípios do Paraná vai sair em defesa de Maringá nesse caso da cobrança, sabendo, no entanto, que não vai lidar com mediadores como os da área pública, já que o acordo decorreu de uma decisão da diretoria do Itaú em contratar a empresa que pelo jeito não brinca em serviço e nem se mostra disposta a ouvir a retórica de burocratas e políticos, mas tão somente cobrar os seus haveres. Para um município que foi roubado, pilhado, de repente esses R$ 10 milhões podem criar um drama para o qual não estava preparado.
Tudo isso, porém, vai ser debitado ao ciclone do governo Lerner que é simétrico ao estágio de maior frouxidão moral na área pública e que parece uma cavalgada de Átila, o rei dos hunos, que por onde passava não deixava pedra ou sequer raízes. A aridez, algo que o arquiteto abomina, é o nosso amanhã. Pelo menos na visão dos menos conformistas e que, irresponsáveis, quando oposição, prometem transformar o deserto numa sequência de oásis.
No deserto os justiceiros, Roberto Requião e Alvaro Dias, montados em camelos prestativos ou em alguns casos nos próprios assessores, chegam como a trombeta de Jericó para derrubar as fortalezas do infortúnio. Nisso aí só camelos e áulicos, de QI menor do que os dromedários, acreditam.
BIZARRICE
‘‘Virada’’ de novo no placar da venda da Copel: o governo estaria apenas com 23 votos e o mais não passaria de blefe. Como não dá para crer em tudo o que se diz e uma dessas pode não passar de manobra para valorizar o cacife dos ‘‘resistentes’’, haja engov e vomitórios.
AXIOMA Transformar o Edifício Castelo Branco, projeto de Niemayer para um Instituto de Educação no governo Paulo Pimentel, em Museu Guggenhein é desconhecimento das condições daquele prédio, cuja parte subterrânea lembra masmorra tal a umidade dominante que aliás compromete ainda partes superiores da edificação. Não há como fazer um tratamento de impermeabilização para evitar a degradação seja de obras de arte ou arquivos.
GLOSA Terceirizações são a marca desse tempo tanto no plano federal quanto no estadual. Operações que a própria Sanepar fazia na rede hoje passam por mais de duas terceirizadas como Algaci Túlio denunciou na rádio.
Aliás por que será que o usuário ao tomar água da torneira se mostra assim tão satisfeito, dizendo que ela está boa? Essa versão é oficial, pois o que o usuário sugere é que o produto lembra Qboa.
EPIGRAMA Rubinho Ferreira está impressionado com a onda de privatização na Assembléia Legislativa: privatizaram elevadores, o estacionamento para os deputados e até o paisagismo dos jardins, devastando árvores e também três mesas de funcionários no restaurante. Pelo jeito vai ser mole privatizar também a Copel.
Como prelecionava o mestre latino: privilégio tem origem em ‘‘priva lex’’, que traduzida em miúdos significa ‘‘lei privada’’.
SPRAY O deputado que iria para missão em Buenos Aires no dia da votação do caso Copel reverteu: prefere ficar aqui para ver o governo ‘‘dançar’’. Dá, enfim, uma de Tigrão (‘‘quer dançar, quer dançar? O Tigrão vai te ensinar’’).- Sobre o divisor do caso Copel, Lerner acha que tá tudo dominado, mas não é o que ruminam os aliados que andam forrados de razões, alegando que querem ao menos paridade de tratamento concedido aos mais próximos e sem votos, consultores de plantão.- Alceni Guerra foi a uma aula do jornalista Sebastião Nery na Tuiuti para cumprimentá-lo. Levou uma vaia dos alunos por causa da Copel.- Um garoto de 12 anos teve que ser medicado porque estava fabricando uma bomba caseira que acabou estourando. Alegou que tem que estar preparado para o Atletiba e os pais dizem não saber o que fazer. Se o piá matar alguém serão inocentes? -
FOLCLORE Ratinho dava entrevista semana passada na Transamérica Light para o Jotapê e foi contra a venda da Copel. Aí o advogado Linneu Tomás, defensor do governo, entrou no papo pelo telefone, pretextando amizade pelo apresentador, mas sugerindo que estava equivocado e que mandaria material sobre o assunto. Ratinho firmou pé, fugiu da ratoeira oficial, desprezando o queijo ofertado.
CROMO Em tempo de conspiração é preciso estar atento até para manequins de cera. Dizem que em 64 vários foram torturados e alguns exilados.
AFORÍSTICO E com a greve dos professores e outras que virão o governo Lerner continuará depositando sua confiança nos alambrados do Centro Cívico.

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