O ciclo – ou a seria a era – dos leilões, em todos os sentidos, flui a pleno vapor. Logo teremos o ‘‘quem dá mais?’’ pela Copel. E no meio do caminho os mesmos deputados que votaram a favor da venda de repente se tomaram de cautelas patrimonialistas não imaginadas e passaram a combatê-la. Como já haviam protagonizado o episódio vergonhoso do recuo no caso da Sercomtel e da nebulosa venda de ações (e de suas sinistras consequências não examinadas) só os ingênuos acreditariam que por trás dessa resistência não haveria um outro tipo de interesse.
Especulou-se que naquele caso houvesse compensações argentárias que teriam, no entanto, beneficiado uma minoria, já que a bufunfa anda curta. Novamente há especulações no horizonte que podem até não ser verdadeiras, mas que acabam aceitas como presunção de um poder desgastado por sua prática diária. Os vetos derrubados foram um sinal estranhíssimo e o governo passou a agir no grito.
O Brasil está cheio desses exemplos. Ninguém esquece a torrente de denúncias dos votos da emenda da reeleição, assunto colocado em segredo como se fosse de interesse da segurança nacional. Tal qual se deu com a Sercomtel, tal qual se dará agora com as explicações que virão para o ensaio de resistência em suposta defesa da Copel.
Um setor de oposição teme que a venda da Copel viabilize financeiramente o governo para a eleição, com o que se deixa trair pelo medo político de nova derrota, quase uma paranóia pela repetição, e baixa convicção quanto à defesa da estatal. Por essas e outras merecemos algo como a maldição bíblica.
DILEMA
Se o Estado, o Paraná no caso, está ‘‘quebrado’’ como é que se consegue roubar tanto na área pública? Estamos diante de mágicos, prestidigitadores.
BIZARRICE Dona Iracema Sato, depois do quinto assalto à sua casa no Jardim das Américas (Avenida das Torres), Curitiba, botou uma faixa na frente da casa pedindo aos ladrões para que mudassem de endereço. Por que não se faz a mesma coisa nos órgãos públicos, se é que a pedagogia funciona?
AXIOMA Os organizadores do Festival de Teatro de Curitiba deveriam retornar à atividade privada e abandonar o setor público. É que esse festival foi o pior de todos e não se sabe se a sua ausência ou onipresença criou o problema. Muita quantidade e baixa qualidade. A esperança agora é o de Londrina.
GLOSA O ministro José Serra é o Rubinho Barrichello da campanha sucessória?
EPIGRAMA Lerner foi à inauguração das benfeitorias na Praça Osório, sábado, levando no colo o seu neto Ben. Petista irritado chiou: lá vão o Ben e o Mal.
SPRAY O governo ganhou no front político a batalha da Copel. Já tem mais de 30 votos para manter a idéia da venda. Quanto isso custou ninguém sabe. Possível que tenha sido mais oneroso que o fim da CPI Copel-Sercomtel. - Ficou visível a ‘‘virada’’ quando a oposição declarou, de viva voz, que repudiar Ingo Hubert seria um caso de redundância, pois a Casa já havia aprovado o pedido de sua substituição. - É redundância, também, repetir o episódio Copel-Sercomtel e rediscutir matéria vencida, como a que permitiu a venda da empresa, decidida por maioria esmagadora. - Governo acenou verbas, de convênios naturalmente, a prefeitos para que se eximissem de participar da mobilização pró-Copel. Alguns da oposição também aderiram, alegando ‘‘estado de necessidade’’. - Sequelas do processo de venda do Banestado começam a aparecer e com efeitos perversos como o da dívida de milhões de Maringá executada por empresa norte-americana. - Povo paga nesses casos por falta de vigilância. Incrível que os berradores de rua nem se tocaram quando o Legislativo aprovava a venda da Copel e agora, com sinais de reflexo tardio, se transformam em patrimonialistas. - Onaireves Moura corre o risco de pegar outra invertida como depositário infiel, o que já se deu anteriormente: presidentes de clubes alegam que têm cumprido o parcelamento dos seus débitos com o INSS e o órgão nacional não está recebendo os repasses da Federação Paranaense de Futebol. - O deputado federal José Janene apresentou proposta de emenda constitucional introduzindo a inelegibilidade dos parentes detentores de cargos vitalícios no território da circunscrição do titular. Na direção daquela proposta do deputado estadual Ribas Carli que deseja impedir que membros do Tribunal de Contas façam proselitismo e elejam filhos, usando do poder de pressão disponível. - O presidente da Associação Comercial do Paraná, Marcos Domakoski, tenta convencer o engenheiro Nelson Souza Pinto a dar um testemunho sobre a questão energética. Nelson é autoridade internacional, copeliano de primeira hora e pode dar aquilo que falta ao debate que é a seriedade técnica, engolfado que está pelo passionalismo da política. -
FOLCLORE No discurso de sábado, na inauguração dos novos equipamentos na Praça Osório Lerner viu o seu cabeleireiro Zé Trindade no meio da pequena multidão e a ele se referiu como uma pessoa tão próxima que um dia, ao procurá-lo, lhe recomendou que fizesse um bom trabalho porque naquele dia ia casar. E depois o governador tenta impingir que não é político. Essa é de mineiro.
CROMO Um corte epistemológico: uma ave bateu as asas à minha frente e sumiu.
AFORÍSTICO Fala-se que a política foi tomada pelo baixo-clero. Haveria outro?

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