Com essa ida do Ingo Hubert à Assembléia muitas coisas foram desmistificadas: desde a arregimentação da rebeldia aliada à resistência burra do governo em impedir convocações ou responder requerimentos. Nem a oposição, muito menos a dissidência ocasional aliada ou o secretário, cuja cabeça foi pedida anteontem pela maioria circunstancial, faturaram um episódio que deveria ser a coisa mais normal num processo democrático, não justificando a expectativa criada.
Lembro de um episódio dos anos 50, gestão Munhoz da Rocha, quando uma oposição verdadeira, onde havia figuras como Accioly Filho e Hélio Setti, pediu e obteve a convocação de um secretário da Fazenda simplório, o Genico, antoninense, Eugênio José de Souza, guarda-livros. Apesar da barragem da oposição articulada, Genico deu um banho e uma vitória ao situacionismo. Na vida política brasileira tem sido comuns esses exemplos e que se assentam num dado óbvio: o de que o governo possui mais recursos documentais e massa crítica do que qualquer tipo de oposição e ademais são poucos os parlamentares preparados o suficiente para enfrentar uma avalanche de indicadores, de cálculos, teoremas e tudo o mais.
O pedido legislativo, que não tem qualquer consequência, para que Ingo Hubert fique apenas na Copel não deixa de ter fundamento. São duas áreas nucleares, estratégicas do sistema e que não podem ficar sob os cuidados do mesmo agente.
O governo deveria reduzir drasticamente o número de secretarias, a maioria delas ocupada por tecnoburocratas ou amigos do peito, cupinchismo puro, para dar o bom exemplo de austeridade. Ameaça cortar cinco quando deveria fazê-lo com pelo menos umas quinze e faria uma bela enxugada no quadro de aspones de toda ordem. O Estado ‘‘quebrou’’, mas nem o governo acredita, tanto que ajuda o Festival de Teatro, útil desde que desconsiderada a crise, e ainda imagina a reedição dos Jogos da Safadeza até hoje com a sua prestação de contas não examinada e com obras incompletas sugerindo superfaturamento e outras lesões.
Vivíamos em 51, quando da convocação do secretário da Fazenda, com mais talento, mais moralidade, menos cupidez. Hoje não dá para suportar a farsa de uma barganha que tem tudo para repetir a da CPI da Sercomtel-Copel.
BIZARRICE
O Canal 4, tal qual fez no governo Richa na crise dos dólares entre Belmiro Valverde e Erasmo Garanhão, cogitou de transmitir diretamente a fala de Ingo Hubert e as inquirições dos deputados. Felizmente resolveu botar o Chaves e o Chapolin, bem mais interessantes e melhor intencionados.
AXIOMA Gente do Palácio Iguaçu acompanha atentamente o surto de aftosa na Argentina, pois um deles tem rebanho em Córdoba e Rosário.
GLOSA Há pessoas que só se descomprimem indo ao cinema para burlar atribulações do cotidiano. Lerner foi ao cinema duas vezes na semana passada. Numa delas para ver ‘‘Traffic’’ no Shoping Cristal junto com dona Fani. Bem distante do casal, na sala quase vazia, um grupo de peemedebistas.
EPIGRAMA Quanto mais ‘‘politizam’’ a resistência à venda da Copel pior porque a maioria esmagadora da população (96% segundo pesquisa da Globo regional) é contra a privatização. Mas não gosta da discurseira primária dos políticos e de idiotices como a baderna de ontem dos estudantes. Isso é tão burro como pensar que a população apoiava o circo dos sem-terra no Centro Cívico, estimulada pela falta de determinação do governador, exibida novamente ontem.
SPRAY Curitiba ficou em primeiro lugar no ‘‘ranking’’ da ONU com melhores condições de vida entre capitais com mais de um milhão de habitantes e segundo em desenvolvimento humano.- Em amostragens mais amplas, as capitais listadas ‘‘dançam’’ e Florianópolis sai na frente.- Menor potencial de pobres (9,2%), menor percentual de crianças fora da escola (4,1%), melhores condições habitacionais (0,94%) alavancaram a posição da Capital.- Taniguchi resolveu dar prioridade ao ‘‘social’’ com atendimento às favelas e aos cuidados primários com a sa© úde, ampliando a rede assistencial.- O tipo de desenvolvimento econômico que temos (chegada das montadoras, adensamento industrial) não se refletiu, no entanto, na renda familiar ‘‘per capita’’, na qual figuramos em sexto depois de Salvador, Brasília, Fortaleza, Manaus e São Paulo.- O ‘‘per capita’’ é uma abstração socializante, segundo a qual a soma dos nossos ganhos com as do Ermírio de Moraes e do catador de lixo da nossa rua dividida por três dá o indicador médio do conjunto da população.- Praticantes de musculação do Círculo Militar do Paraná enfrentam algo inimaginável: em nome da economia cortaram os copinhos de plásticos e o pessoal tem que encarar água gelada do filtro. Uma centena de copos no Makro sai R$ 1,45.- Valdir Leal, o Tabaco, ex-motorista de Requião, vai ser candidato a deputado federal batendo no tema já exaustivo da sua pendência trabalhista com o senador.- Hoje, às 17 horas, na TV Paranaense Canal 12, a OAB-PR entrega a nota de desagravo em favor do advogado Elísio Marques que foi injustamente atacado pela emissora.-
FOLCLORE Beto Richa, prefeito em exercício, dorme pouco (seis horas) para curtir ao máximo a sua interinidade. Anteontem quando chegou cedíssimo na prefeitura lá o aguardavam o Heinz Herwig e o Ratinho, que não acreditam no ditado de que ‘‘mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga.’’
CROMO Fim do araçá, meio ciclo da goiaba: as pombas rolas imperam.
AFORÍSTICO Autofagia no governo só não beneficia oposição burra.

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