Luiz Geraldo Mazza
A história paranaense tem mostrado que as oposições só ganham o governo quando rigorosamente unidas. Assim Munhoz da Rocha derrotou Lupion em 1950, como este voltou ao governo por força da divisão das forças situacionistas em nada menos de três candidatos (Mário de Barros, Othon Mader e Luis Carlos Tourinho). Em tempos recentes, agora com o recurso do segundo turno, tivemos a vitória de quem estava no governo, que se manteve solidamente unido.
A decisão de Roberto Requião em sair candidato ao governo era esperada e até indispensável porque o PMDB não tem quadros para se habilitar e o senador, mesmo que seja derrotado, garante, como puxador de votos, uma relativa melhora
na representação parlamentar, estadual e federal. Alvaro Dias não está disposto, como fez no passado, a abrir mão das suas aspirações, legítimas, já que, abandonado, enfrentou Lerner em condições desiguais e perdeu, como iria acontecer com Requião pela deserção do tucano.
Há ainda o PT que precisa de um puxador de votos para Lula (Requião não pode fazê-lo porque sofreria nova intervenção nacional do PMDB) e que entra na parada. Com tantos candidatos, a oposição se atomiza e o governo se habilita a disputar no segundo turno, tal qual se deu com Requião em 1990.
BIZARRICE
Ontem, happy hour no Palácio, o secretariado reuniu-se com a base aliada no Legislativo. Incrível: numericamente, o secretariado é maior. O esforço é para que os deputados formem o sectariado do governo.
AXIOMA O procurador-geral do Estado, procurador de Justiça Joel Coimbra, diverge da secretária de Educação, Alcyone Saliba, nos conflitos com a classe do magistério: ela quer entendimento por etapas e ele a tapas.
GLOSA O chefe da torcida atleticana, revólver na mão, aprontou em Paranaguá. E a polícia nossa ainda acha que pode resolver o problema das torcidas na base da acomodação. Em São Paulo a paz só voltou com a sua extinção. Aqui essa polícia virtual não cuidou de pedir o cadastro das torcidas. Foi assim que se descobriu na Mancha Verde, dentre 40 mil sócios, mais de uma dezena com mandado de prisão em função de condenação com trânsito em julgado.
EPIGRAMA De quanto é a dívida de Pato Branco herdada da gestão Alceni Guerra? Fala-se em R$ 30 milhões. Será que Lerner vai seguir o seu itinerário, que deixou uma gestão inviabilizada como herança, saltando a um outro patamar?
De qualquer forma é melhor sair do que gerir o caos incontrolável.
SPRAY A tese de preservar a geração da Copel para o Estado é originária dos quadros da própria empresa e ela tem sido colocada desde o momento em que se percebeu que a privatização seria inevitável. - Na base aliada, abstraída a intenção de levar vantagens, já há quem esteja convencido de que esse caminho é um mal menor do que o leilão radical. - Sábado houve debate na CBN-Curitiba, prejudicado pela bateria de slogans utilizada por um opositor. Pessoas educadas e elegantes ficam em posição desconfortável, não só porque defender o governo que aí está é calamitoso, mas ainda é pior encarar o baixo nível. - Os políticos, que se recusam a analisar tecnicamente o problema, embora se creiam indispensáveis, apenas fortalecem as posições do governo. - Vou insistir aqui na necessidade de ser ouvido o mestre Nelson Souza Pinto, copeliano de primeira hora, autoridade em hidráulica, hoje na condição de consultor internacional. Ele detém as duas visões: a macro de uma crise mundial e das formas que estão sendo usadas para debelá-la e a sua inserção na problemática regional. - Ontem foi o segundo ano do surto de cólera em Paranaguá. Até hoje há muita desconfiança no censo de doentes efetivos e ainda o espanto em torno do fato de que a infra-estrutura de saneamento continua lá a operar como caldo de cultura do vibrião e outros agentes patogênicos. Dá a impressão que nada aconteceu. - Algumas lotéricas estão sendo pressionadas a abrir mão de máquinas de processamento de apostas quando se mostram indispensáveis à demanda. Venha pra Caixa, você também aí é só no sentido de reclamar do que procurar serviço. Essa é uma das privatizações desejáveis por uma grande parte do público. - Governo resolveu botar um cordão sanitário em alguns dos rebeldes da base aliada, decidindo falar com um número-limite de parlamentares, isolando alguns que considera perdidos. 30 deputados seriam suficientes. O discurso dos mais briosos pode até ser sólido, mas como tudo (o Marx jovem alertava) se dissipa no ar. - Delegados de carreira estão menos envolvidos em irregularidades do que os calças curtas, uns e outros influenciados de uma forma ou de outra pela política? Enquanto as dúvidas surgidas com a passagem por aqui da CPI federal (a estadual é de baixos teores) não forem removidas não há como decantar as virtudes corporativas dos profissionais.
FOLCLORE Uma entidade empresarial, a Associação Comercial, ganhou o direito de controlar o crédito e cadastrar os que não o merecem. E os empresários quebrados, insolventes, como é que continuam a dar as cartas, inclusive nos conselhos dessas instituições? O roto não pode rir do remendado.
CROMO Dois tipos de bom rumor nos meus locais de trabalho: na rádio o sorriso em cascata da Michele, aqui o silente da Fabiana.
AFORÍSTICO Quando as pessoas perdem o respeito pelo governo, já não há mais o que fazer: a deterioração chegou ao extremo.





