Um desses movimentos em defesa da ética na política (hoje há tantas ONGs que ameaçam até saturar o pedaço como no caso dos indigenistas no caso de um país que tem pelo menos 10 antropólogos por silvícola) lançou uma idéia luminosa: a de dar notas, como um boletim escolar, para os vereadores. Numa Câmara Municipal fascistóide, bem ao gosto de quem está no poder, como já aí se mantinha desde o regime militar, que recusa qualquer apoio a simples pedidos de informação da minoria oposicionista, é difícil julgar componentes sem avaliar o conjunto e, por extensão, a instituição. Há um pacto no legislativo em torno de verbas orçamentárias, cessão de automóveis, racha de assessores, o que é melhor do que obter prebendas do cartel do transporte coletivo, o que bota uma camisa-de-força nesse parlamento de campanário.
Jaime Lerner, por exemplo, passou por média duas vezes seguidas, eleito que foi em primeiro turno e pelo conjunto do seu desempenho é reprovado por ter quebrado o Estado e implantado, por ação ou omissão, o ciclo de corrupção mais forte que tivemos em nossa história. É verdade que hoje se sabe mais coisas do que antes, o que corre em desfavor do seu julgamento. Mas um governador que promove a secretário um diretor de banco estatal apanhado em desvios é peça difícil de defesa para o mais articulado dos rábulas.
Taniguchi, melhor do que o governador, política ou tecnicamente falando, ficou de segunda época na reeleição, mas para o bem de todos ganhou e até porque teve a inspiração de não contar com Lerner nos programas eleitorais. Teria melhor nota, o que mostra a relatividade das coisas, já que permanecem no mesmo barco, antes um transatlântico, hoje um pedalinho.
Toda a idéia que botar em cheque os eleitos, o que é uma imposição da tal da cidadania ativa, é saudável para todos. Vamos aos boletins, a maioria na certa ou reprova ou fica para a segunda época.
BIZARRICE
Sábado passado, no Maneko’s Bar, Alameda Cabral, o governador Jaime Lerner, perto do meio-dia, tomava um chope no balcão com o Zé Trindade, o seu cabeleireiro. Diante disso pergunta-se: pra que o aparato de segurança que decidiu pela compra até de um carro blindado para conduzir o governador?
AXIOMA Na Copel houve conferência para o pessoal de nível gerencial exaltando as vantagens da privatização. Pouco depois, no almoço em casa, os copelianos souberam do blecaute na Califórnia ditado pela desregulamentação, a terapia que estão adotando no Brasil. E que já aumentou as tarifas de energia no Rio, via Light, após a privatização, em até 743% (janeiro de 95 a dezembro de 99, quando o IGPM do período foi de apenas 62,7%).
GLOSA Um anúncio do PFL criativoso, bem na linha lernerista, sugere que há muitas obras numa dramatização em que alguém quer se situar no trânsito. E aí vem a indicação do hospital recém-construído, a montadora que chegou. A oposição vai repicar e o cidadão que presta informações dirá coisas assim: o senhor segue por essa avenida, mas não pare em nenhum semáforo, pois há risco de assalto; contorna aqueles dois grandes desmanches, uma das atividades empresariais que mais se desenvolveram neste governo; passa por aquela ponte sobre o rio poluído e a fábrica de celulose que empesta o ar e evite igualmente trafegar pelo Palácio Iguaçu que até isso está dando azar.
EPIGRAMA Diferenças entre Jaimes: o Lerner consolidou o sistema de aluguel de carros no governo e no município; Canet o extinguiu numa ‘‘canetada’’.
SPRAY Peritos em Direito Público estão analisando a lei que permite a venda da Copel para decodificar aspectos sombrios, um deles o que não deixa muito clara a obrigação de transferir 70% do auferido no Paraná Previdência. - Por sinal que essa instituição, segundo aposentados, teria iniciado suas atividades não só com os grandes salários como também renovando o mobiliário. - Um governo que não consegue mobiliar a nova sede do Arquivo Público precisa escalonar melhor as suas prioridades. - Até ontem havia quatro advogados inscritos para o posto de Ouvidor Geral, a ser escolhido pelo Conselho Pleno da OAB: Celso Lucinda, Altair Astor Raimundo, José Brasilino de Mello e Elísio Marques. Escolha por voto secreto e maioria simples. - A Ouvidoria é independente da Diretoria e Conselho Seccional e acompanha a secção e subsecções, colhe sugestões e críticas de profissionais e clientes. - A Fundação Araucária é entidade destinada ao repasse de recursos para ciência e tecnologia e funciona numa das dependências da FIEP. Foi acusada – e isso deu margem até a providências por parte do Tribunal de Contas – de desvio de recursos de pesquisas para áreas de proselitismo do governo, que já são abundante demais. Não esquecer que em menos de cinco anos o governo foi acusado pelo senador Requião de haver gasto em propaganda perto de R$ 500 milhões. - Ontem, de madrugada, uma senhora esperava o marido na Rodoferroviária e foi agredida por uma demente. Não havia um só policial nas proximidades, o que dá bem a amostra de como anda a área de segurança neste governo. -
FOLCLORE O jornalista Eduardo Schneider fez uma ‘‘gag’’ muito boa com essa história de o secretário de Segurança, José Tavares, ter sido expulso da Associação de Delegados de Carreira: ele poderia responder como Grouxo Marx que não frequenta clubes que o aceitam como sócio.
CROMO Só haverá segurança para fantasmas no dia em que usarem crachá: até eles se ocultam em Curitiba no refúgio do Pirata Zulmiro.
AFORÍSTICO E que tal exigir o DNA dos políticos, depois de eleitos, para ver se continuam os mesmos?

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