Luiz Geraldo Mazza
Um desses movimentos em defesa da ética na política (hoje há tantas ONGs que ameaçam até saturar o pedaço como no caso dos indigenistas no caso de um país que tem pelo menos 10 antropólogos por silvícola) lançou uma idéia luminosa: a de dar notas, como um boletim escolar, para os vereadores. Numa Câmara Municipal fascistóide, bem ao gosto de quem está no poder, como já aí se mantinha desde o regime militar, que recusa qualquer apoio a simples pedidos de informação da minoria oposicionista, é difícil julgar componentes sem avaliar o conjunto e, por extensão, a instituição. Há um pacto no legislativo em torno de verbas orçamentárias, cessão de automóveis, racha de assessores, o que é melhor do que obter prebendas do cartel do transporte coletivo, o que bota uma camisa-de-força nesse parlamento de campanário.
Jaime Lerner, por exemplo, passou por média duas vezes seguidas, eleito que foi em primeiro turno e pelo conjunto do seu desempenho é reprovado por ter quebrado o Estado e implantado, por ação ou omissão, o ciclo de corrupção mais forte que tivemos em nossa história. É verdade que hoje se sabe mais coisas do que antes, o que corre em desfavor do seu julgamento. Mas um governador que promove a secretário um diretor de banco estatal apanhado em desvios é peça difícil de defesa para o mais articulado dos rábulas.
Taniguchi, melhor do que o governador, política ou tecnicamente falando, ficou de segunda época na reeleição, mas para o bem de todos ganhou e até porque teve a inspiração de não contar com Lerner nos programas eleitorais. Teria melhor nota, o que mostra a relatividade das coisas, já que permanecem no mesmo barco, antes um transatlântico, hoje um pedalinho.
Toda a idéia que botar em cheque os eleitos, o que é uma imposição da tal da cidadania ativa, é saudável para todos. Vamos aos boletins, a maioria na certa ou reprova ou fica para a segunda época.
BIZARRICE
Sábado passado, no Manekos Bar, Alameda Cabral, o governador Jaime Lerner, perto do meio-dia, tomava um chope no balcão com o Zé Trindade, o seu cabeleireiro. Diante disso pergunta-se: pra que o aparato de segurança que decidiu pela compra até de um carro blindado para conduzir o governador?
AXIOMA Na Copel houve conferência para o pessoal de nível gerencial exaltando as vantagens da privatização. Pouco depois, no almoço em casa, os copelianos souberam do blecaute na Califórnia ditado pela desregulamentação, a terapia que estão adotando no Brasil. E que já aumentou as tarifas de energia no Rio, via Light, após a privatização, em até 743% (janeiro de 95 a dezembro de 99, quando o IGPM do período foi de apenas 62,7%).
GLOSA Um anúncio do PFL criativoso, bem na linha lernerista, sugere que há muitas obras numa dramatização em que alguém quer se situar no trânsito. E aí vem a indicação do hospital recém-construído, a montadora que chegou. A oposição vai repicar e o cidadão que presta informações dirá coisas assim: o senhor segue por essa avenida, mas não pare em nenhum semáforo, pois há risco de assalto; contorna aqueles dois grandes desmanches, uma das atividades empresariais que mais se desenvolveram neste governo; passa por aquela ponte sobre o rio poluído e a fábrica de celulose que empesta o ar e evite igualmente trafegar pelo Palácio Iguaçu que até isso está dando azar.
EPIGRAMA Diferenças entre Jaimes: o Lerner consolidou o sistema de aluguel de carros no governo e no município; Canet o extinguiu numa canetada.
SPRAY Peritos em Direito Público estão analisando a lei que permite a venda da Copel para decodificar aspectos sombrios, um deles o que não deixa muito clara a obrigação de transferir 70% do auferido no Paraná Previdência. - Por sinal que essa instituição, segundo aposentados, teria iniciado suas atividades não só com os grandes salários como também renovando o mobiliário. - Um governo que não consegue mobiliar a nova sede do Arquivo Público precisa escalonar melhor as suas prioridades. - Até ontem havia quatro advogados inscritos para o posto de Ouvidor Geral, a ser escolhido pelo Conselho Pleno da OAB: Celso Lucinda, Altair Astor Raimundo, José Brasilino de Mello e Elísio Marques. Escolha por voto secreto e maioria simples. - A Ouvidoria é independente da Diretoria e Conselho Seccional e acompanha a secção e subsecções, colhe sugestões e críticas de profissionais e clientes. - A Fundação Araucária é entidade destinada ao repasse de recursos para ciência e tecnologia e funciona numa das dependências da FIEP. Foi acusada e isso deu margem até a providências por parte do Tribunal de Contas de desvio de recursos de pesquisas para áreas de proselitismo do governo, que já são abundante demais. Não esquecer que em menos de cinco anos o governo foi acusado pelo senador Requião de haver gasto em propaganda perto de R$ 500 milhões. - Ontem, de madrugada, uma senhora esperava o marido na Rodoferroviária e foi agredida por uma demente. Não havia um só policial nas proximidades, o que dá bem a amostra de como anda a área de segurança neste governo. -
FOLCLORE O jornalista Eduardo Schneider fez uma gag muito boa com essa história de o secretário de Segurança, José Tavares, ter sido expulso da Associação de Delegados de Carreira: ele poderia responder como Grouxo Marx que não frequenta clubes que o aceitam como sócio.
CROMO Só haverá segurança para fantasmas no dia em que usarem crachá: até eles se ocultam em Curitiba no refúgio do Pirata Zulmiro.
AFORÍSTICO E que tal exigir o DNA dos políticos, depois de eleitos, para ver se continuam os mesmos?





