Luiz Geraldo Mazza
Está aí uma definição singela para o governo paranaense: virtual sempre, virtuoso em hipótese alguma. Essa preferência de estilo pelo marketing está exposta em todo o andamento dessa desastrosa gestão e agora se repete nos institucionais do PFL regional, onde apontam como existentes o que é de traço absolutamente ficcionista.
Nunca se viu tal enredamento de figuras do poder central em escândalos como
agora, seja nos episódios do Banestado, seja nas ocorrências de Maringá e Londrina, nas quais se percebe a capilaridade dessas conexões com o sistema de poder dominante. Uma das badalações é em cima das tais Vilas Rurais, já desmistificadas em reportagens desta Folha e que estão decantadas em mostra no exterior, justamente na sede da ONU.
Dessa experiência tão badalada há uma história curiosa: numa das vilas uma área que deveria servir de silo acabou transformada em terreiro umbandista. É possível que a escolha seja mais apropriada ao universo dos ocupantes do que um prosaico instrumento de armazenagem e guarda de produtos inexistentes. Iemanjá, ainda mais agora com a novela Porto dos Milagres é referência mais sensível aquela gente do que as ideações do governo.
BIZARRICE
Novo comando do Legislativo estadual decidiu derrubar árvores do paisagismo, que era uma das poucas coisas satisfatórias da instituição. Veio a resposta rápida trata-se de uma poda. É poda, pessoal. Aliás tudo por ali é poda. Poda em funcionário, poda em quase todo o povo. Poder é poda? Ou, afinal, a poda é que é poder?
AXIOMA Antes o problema da segurança estava na dificuldade de saber quem era polícia e quem estava no crime organizado. Agora a complicação está em saber quem está de corpo mole e quem age ao natural.
GLOSA Dizem que o autor dos anúncios do PFL é o mesmo que fez a campanha do PT para o Vanhoni. E com méritos: afinal encheu a bola o tempo todo do lernerismo e, ainda por cima, nem quando a campanha esquentou, deixou de ser soft, com o que perdeu a eleição com todos os méritos.
EPIGRAMA Um governo que não repassa a parte do ICMS, que não paga suas contas, que transforma em drama todo o fim de mês para fechar a folha do pessoal, que está enfim na condição de insolvente, como é que levanta dinheiro para essa campanha em defesa da venda da Copel? Simples: confia em pagar se a venda for realizada. E se der chabu, como faz?
SPRAY Por falar em Copel, há quem diga que o balanço publicado não é o consolidado e que chegaria a cerca de R$ 700 milhões.- Se nem o governador e o presidente da empresa se entendem quanto à origem da venda (o Ingo Hubert diz que é brincar com a inteligência alheia afirmar que a decisão do leilão é de fora para dentro, o que em linguagem oblíqua significa chamar o governador e todos nós de idiotas) imagine-se como deve estar a cabeça dos parlamentares.- No anúncio levado aos jornais, lá no fim, depois daquela lengalenga de que 23 já foram privatizadas (12 em governos do PSDB, nove do PMDB, duas do PFL e um do PT) há a frase apoteótica, bem da cuca de publicitário: De empresa competente para empresa competitiva. O grande salto da Copel. Ficaria melhor o grande assalto, como já se deu, como todos sabem, com abundância de detalhes, com o Banestado. É saque para Agassi ou Guga nenhum botar defeito. Ace direto. - Do manifesto contra a ditadura interna no PMDB feito por deputados federais fica demonstrado que 60% da bancada é pela queda da hegemonia da família Requião. O nome não é citado, mas é óbvio demais o alvo da proclamação que o senador Roberto Requião, como de costume, vai responder com gracejos ácidos.- Noticiário oficial não pega bem com gracinhas, como se dá com algumas notas do prefeito Cassio Taniguchi: falando sobre acupuntura, o redator inspirado chamou-a de agulhas do bem. Outro dia citaram a Candinha, uma fofoqueira para dar coloquialidade à cretinice. Até para frescura há limite, gente!- A PM e a Polícia Civil sem combustível num racionamento de guerra, governo driblando todas as vitórias judiciais de funcionários, caloteando precatórios, mantendo sob arrocho férreo os ganhos dos trabalhadores públicos e como é que sobra dinheiro para propaganda? Ou é a Copel que financia a sua destruição?- Itamar Franco, governador de Minas, está aí e mostra, na prática, que é possível resistir à privatização. Sua fala na Associação Comercial do Paraná hoje pode ter impacto igual aquele provocado pela denúncia de Canet Júnior contra o amoralismo político reinante no campanário.-
FOLCLORE O técnico do Atlético Paranaense, Paulo Cesar Carpegiani, padece da síndrome de Cassio Taniguchi e dos seus aliados em relação ao governo, um dos mais degradados da história estadual: apesar de vitorioso é posto de lado.
CROMO Ainda nos olhos do meu neto, Ângelo Antonio, a primeira apostila lhe soa como um caleidoscópio. Será amanhã como o fascínio da bolinha de gude, aquela especial, ícone de todos, a jogadeira insubstituível.
AFORÍSTICO O roubo na telefonia em cima do usuário é mais ou menos o que se dará com a energia. Anel, Anatel, tudo vespa do mesmo mel da anarquia para favorecer as concessionárias. É a desregulamentação galopante.





