Dias passados quem andou por aqui foi o demiurgo da publicidade, o Mauro Salles, ultimamente a serviço da arte de cuidar da imagem de políticos. E se há alguém no Brasil que anda com a imagem deteriorada é justamente Lerner que dissipou, com a mesma prodigalidade com que arrasou as finanças públicas, um potencial inegável de alguém, como nenhum outro no Paraná, em condições de galgar espaços nacionais. Jogou fora, lançou ao nada uma construção feita, de forma paciente, ao longo do tempo, de um gestor urbano de qualidade.
A imagem inexiste desligada das ações e omissões. E o nosso governador, quando não se destaca pelo malfeito, quase sempre se mostra um verdadeiro campeão de estatística daquilo que deixou de fazer.
Boa parte do que havia de positivo em Lerner teve respaldo em gestão. Mas o limite era Curitiba e uma ou outra cidade, confiada ao seu diagnóstico. Era, pode-se dizer, pelo efeito-demonstração, o seu limite. O Brasil conhece mais
esse lado bom, positivo, do burgomestre. Todavia ele se dilui com as suas atuações no governo tão desastrosas na administração como na política.
Pois o Mauro Salles esteve no Palácio Iguaçu e deve ter percebido o aparato caro, e até sofisticado, de publicidade e comunicação disponível. Raramente se montou uma equipe como a de jornalistas especiais, sob regime de remuneração fora de qualquer parâmetro de mercado, que operam com o governador. E também poucos foram os governantes que tiveram tantos gênios do marketing, agências de propaganda à sua disposição como o atual governo.
Mas o resultado concreto de todas as mensagens e massagens, como diria McLhuan, é esse que está aí: o nosso governante, pela primeira vez, fora do ranking das pesquisas. E como se vê não há alquimia que resolva o conflito.
BIZARRICE
O balanço da Copel, com lucro de R$ 430 milhões (apesar das concessões de milhões a empreiteiras que demandavam contra a empresa para trancar os processos) é sedutor para o governo, desesperado, que a deseja vender de qualquer forma e também aos possíveis compradores. Mas é também argumento para os que a desejam nas mãos do Estado.
AXIOMA Agora querem enquadrar o prefeito foragido de Mariluz em quebra de decoro por haver tentado seduzir adolescentes. É um crime bem mais ameno do que o de mandante de homicídio, no qual também foi enquadrado. A condição de padre agrava as denúncias nos dois casos.
GLOSA A Serra de São Luis do Purunã é terra de ninguém: ano retrasado mataram ali oito pumas, espécie em extinção. Agora não faz muito tempo flagraram, e isso com imagens de vídeo, a queima de um pinheiro centenário e seu abate nas imediações da cimenteira Itambém.
EPIGRAMA ‘‘O governo vendeu o Banestado porque dava prejuízo. E agora quer vender a Copel por que dá lucro?’’ Reflexão da deputada do PT, Luciana Ragnin, em cima da euforia em torno do balanço da Copel que saiu inclusive na imprensa nacional, ocupando dez páginas de jornal.
SPRAY O presente é a arma da oposição contra o governo, especialmente em cima dos escândalos, da quebra financeira do Estado e o leilão da Copel. Já o passado é arma do situacionismo: as contas de Requião de 1992 estão para ser examinadas na Assembléia Legislativa.- Um dado curioso: o líder do governo de agora, o Durval Amaral, era do PMDB e foi fustigado pelo gauleiter Requião e pode haver troco.- Maioria dos menores flagrada anteontem furando catraca declarou na Delegacia que tinha dinheiro para pagar a passagem. Alguns pais, chamados para buscar os meninos, só chegaram pelas duas da madrugada de ontem. Os pais tiveram que pular da cama para atender aos anjinhos de cara suja.- Por falar em ônibus, vereadores querem saber por que a URBS fecha todos os exercícios no ‘‘vermelho’’. Como há aquelas suspeitas do passado, do tempo em que o cartel dos transportes dava cobertura aos vereadores da maioria, é indispensável a investigação. O ônibus subiu desde o Plano Real 160%, a população ficou sob o arrocho salarial e a opressão das tarifas públicas.- Cassio Taniguchi é extremamente leal a Jaime Lerner, apesar das sequelas da campanha eleitoral. Tirou o corpo fora dessa história de aparecer nos programas do PFL para deixar todo o mundo à vontade. Isso tudo apesar da Secretaria da Fazenda estar retendo o ICMS devido à prefeitura da Capital. Como de resto faz com todas as demais do interior. No desespero a isonomia do prejuízo por causa de uma gestão pródiga e irresponsável que só acalma quando vender a Copel e der a risada final, a da loucura. O choro fica para os paranaenses.-
FOLCLORE Véspera de Atletiba, o presidente do Coxa, major Antonio Couto Pereira, está na fronteira com Paraná e São Paulo, na Ribeira, quando vê o carro que traz o árbitro paulista e quase desmaia ao perceber que o coronel Manoel Aranha, presidente rubro-negro, o acompanha. Até na hierarquia militar, pelo menos no caso, o Atlético levava vantagem. Seduzir o seduzido é possível?
CROMO Essa mulher-garça, modigliânica, que passeia pela sala é um mistério: as olheiras de artistas do cinema mudo, a magreza de modelo, a diversidade.
AFORÍSTICO Quando abrirem as caixas-pretas do governo todos iremos lembrar das maldições da bolsa de Pandora.

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