Está levantado um problema sério: o deputado Ribas Carli quer, pura e simplesmente, em função dos últimos acontecimentos (Belinati, Gianoto), que o Tribunal de Contas seja considerado suspeito para qualquer das suas atribuições constitucionais em relação a prefeitos e ao governo. É que além de não ter operado, com um mínimo de previsão, já que essa é uma característica do seu campo de atuação e para a qual especialmente foi criado, nos episódios emblemáticos de Londrina e Maringá ainda pesa suspeição sobre dois dos seus conselheiros e um servidor da mais elevada hierarquia, citados por testemunhas como muito próximos do rocambolesco Luis Antônio Paolicchi.
Vivemos uma hora diferenciada no Brasil. Nem o presidente da República, com todo o fulgor de sua representação, escapa das denúncias. Tal se dá também com o próprio Judiciário, exposto não apenas nas travessuras do Lalau, e o parlamento. Um prefeito, o de Mariluz, é escorraçado pela multidão ao mesmo tempo em que a Justiça pede a sua prisão preventiva.
Na Assembléia Legislativa o deputado Ricardo Chab cogita de pleitear uma CPI para um check-up institucional e moral do Tribunal de Contas, apêndice da Casa, e que insiste em pretender adonar-se de um espaço de poder e autonomia que a Constituição em momento algum lhe conferiu. É hora de dessacralizar as instituições de um modo geral, depurá-las do véu que as encobre e dissimula e verificar se ainda há esperança de correção de rumos para que guardem, no mínimo, expressão republicana, medida que perderam há muito tempo, tal a naturalidade com que sancionam e legitimam, por ação ou omissão, a fraude, o desvio e múltiplas formas de corrupção.
Se a Assembléia se presta à liturgia das aparências e se mostra incapaz de controlar um apêndice institucional, pois o Tribunal de Contas não passa de um órgão auxiliar, é melhor também que ela própria, a despeito de tudo o que representa como a essência do poder político, promova a sua deserção, tire o time de campo já que não quer cumprir prerrogativas básicas e fecha os olhos para o que ocorre tanto no Palácio Iguaçu como no prédio ao lado e à direita.
BIZARRICE
Lerner presidente. Do Instituto de Arquitetos, secção do Paraná.
Ontem o Rossoni, seu líder de tantas lutas, chegou afinal à presidência. Só que a do PTB estadual, já que a da Assembléia não deu.
AXIOMA A cada vaga ministerial os delírios suburbanos afloram: o Paraná - tinha três candidatos para os ministérios da Previdência e de Minas e Energia. Quando não é ministro é jogador da Seleção Brasileira: ora Alessandro, ora Kelli ou até um centroavante do Malutrom.
GLOSA Leilão da Copel está previsto para novembro, Papai Noel antecipado. Só que pode haver acidente de percurso no ‘front’ político e judicial. Todas as pesquisas estão indicando resistência da população na base de 80%. O cerco, desesperado, do governo sobre a base aliada é sinal de riscos. Como filão emocional a oposição não poderia imaginar alavanca mais adequada.
EPIGRAMA Na situação vivida pelo ex-secretário Cândido Martins de Oliveira o que irrita é o mau caráter daqueles que o bajulavam e agora hostilizam. Ontem como hoje nitidamente covardes.
SPRAY Perdigueiros do deputado federal Eurico Miranda revolvem os processos de Maringá (Gianoto-Paolicchi), como os corvos no monturo, atrás de material que comprometa o senador Alvaro Dias.- Craca, obviamente, há mais na CBF e na máfia que dirige o futebol, hoje vitaminada com a aproximação de Pelé, ícone nacional, com Ricardo Teixeira. Estão lhe pedindo no caso do passe que revogue a Lei Áurea e deixe intacta a dos Sexagenários.- Beneficiários de mordomias que possuem mansões em praias catarinenses vão ser alvo de reportagens de veículo nacional. Aliás, os nossos destinos são discutidos entre Porto Belo, Perequê e Jurerê, este em Floripa. Viram as costas para Caiobosta e outras.-
Governo anda na fase das aproximações com seus mais duros críticos: semana passada quem esteve no Palácio Iguaçu foi o diretor da ‘‘Gazeta do Paranᒒ, Marcos Formighieri, alvo de dezenas de processos.- Proibição de oficial PM andar armado depois do expediente tornou impossível a um deles resistir a um assalto num ônibus da linha Itamarati. Num só dia dois assaltos na mesma linha de transporte. Moleza. Estamos mergulhados no caos.- Em menos de uma semana morreram dois colegas meus de turma de Direito de 1954: Arlindo Ribas de Oliveira, o vereador eterno, e o coronel PM Rubens Mendes de Moraes, figuraça que incursionou até pelo cinema (‘‘O Diabo de Vila Velha’’).- Amanhã o prefeito Cassio Taniguchi inaugura o primeiro ambulatório público de acupuntura.- A Associação Comercial do Paraná tinha o plano de trazer uma autoridade da Califórnia para mostrar os efeitos deletérios da ‘‘flexibilização’’ bem parecida com esse ‘‘malho’’ da Copel e que botou o sistema em pane. Requião promete trazer de lá mais subsídios.
FOLCLORE Num papo entre delegados de polícia no Café Ritz (copia o sistema argentino e europeu do café sentado, o que já houve, em passado distante, em Curitiba) veio, sorrateira, a notícia da disposição do corregedor geral de pedir cópia da Declaração do Imposto de Renda de todo o pessoal. E havia o clamor em uníssono: ‘‘e os nossos direitos constitucionais?’’ Se pedissem isso de policiais como eles pedem de qualquer cidadão os documentos seria engraçadíssimo pela isonomia do constrangimento.
CROMO Seus olhos água-marinha fizeram em mim o efeito da Medusa: estátua.
AFORÍSTICO Esse ano e meio de governo ainda nos dará mais operetas.

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